É chegada a hora. O mata-mata da Libertadores chegou e começa nesta noite, em Rosario, onde o Newell’s Old Boys recebe o Vélez Sarsfield em um duelo local na Argentina. Em 2012, Juan Román Riquelme disse que a Libertadores “só começa de verdade nas oitavas de final”. É verdade que o meia disse isso depois de uma classificação sofrida na fase de grupos da Libertadores, mas a própria campanha do time na edição passada mostra que ele tinha alguma razão. O Boca chegou à final, mesmo sem ser um dos melhores times do torneio. Esse é o pensamento que faz com que haja o “mal de Vélez” – aquele que o melhor time da fase de grupos cai na hora do mata-mata. Desta vez, o melhor time da primeira fase não é o Vélez, é o Atlético Mineiro. Mas o principal jogador do Galo, Ronaldinho, repetiu, em outras palavras, o que disse Riquelme, logo após o time mineiro ser derrotado pelo São Paulo na última partida da fase de grupos: “Agora é diferente. Eles sabem que agora é diferente”. Todos nós sabemos. E por isso mesmo preparamos este especial com os oito confrontos analisados um a um, com o que cada time precisa para avançar.

Chave A
ATLÉTICO MINEIRO X SÃO PAULO
Ronaldinho é cercado por jogadores do São Paulo: duelo será repetido nas oitavas  (AP Photo/Andre Penner)
Ronaldinho é cercado por jogadores do São Paulo: duelo será repetido nas oitavas (AP Photo/Andre Penner)

Por Felipe Lobo

Jogo de ida: 2/maio, 20h15 (horário de Brasília), no estádio Morumbi, São Paulo (BRA)
Jogo de volta: 8/maio, 22h00 (horário de Brasília), no estádio Independência, Belo Horizonte (BRA)

Pega o vencedor de: Tijuana x Palmeiras

Confrontos anteriores: 6 jogos, duas vitórias do Atlético Mineiro, três empates e uma vitória do São Paulo.

O mapa da mina para o Atlético Mineiro

O Atlético não aproveitou os espaços deixados pelo São Paulo no confronto entre as duas equipes no Morumbi. Apesar de ter feito uma grande partida, o São Paulo talvez tenha mostrado o caminho: o Atlético precisa aproveitar melhor o espaço entre meio-campo e defesa. Ronaldinho pode atuar ali, como não fez no partida passada no Morumbi. Precisará de mais movimentação para aproveitar esses espaços. Além disso, o time dá espaços pelas pontas, algo que Diego Tardelli e Bernard poderiam aproveitar melhor, como Luan não conseguiu. Isso sem falar na bola aérea, que o próprio Atlético usou para marcar um dos gols no primeiro jogo entre os dois na fase de grupos. Em todas deficiências são-paulinas, há qualidades atleticanas. Resta saber se o Atlético aproveitará as deficiências, como no primeiro jogo, ou se o São Paulo conseguirá amenizar esses problemas, como no segundo jogo.

O mapa da mina para o São Paulo

A distância entre os volantes e os meias e atacantes do Atlético costa ser grande. Na partida pela fase de grupos, no Morumbi, o São Paulo aproveitou isso, com uma boa atuação de seus volantes, para fazer muitos desarmes. O principal meia do Galo é Ronaldinho, que não recua para buscar o jogo. Ao contrário, muitas vezes torna-se atacante. A presença de Jadson ao lado de Ganso, preenchendo esse setor, pode fazer o São Paulo vencer essa disputa de meio-campo e controlar o jogo como fez no Morumbi. Jadson, pela direita, pode ser uma arma de velocidade assim como Osvaldo. E no último jogo, o Atlético mostrou que seus laterais estavam desprotegidos, muitas vezes pela sobrecarga em cima dos volantes que os impedia de cobrir os lados do campo.

Destinos cruzados: Pelo São Paulo, Cuca foi até a semifinal da Libertadores de 2004, um ano antes do próprio time paulista conquista o título, com a base daquele ano anterior. Atualmente, o Atlético conta com Diego Tardelli, campeão da Libertadores de 2005 pelo São Paulo, e Richarlyson, campeão brasileiro pelo time paulista em 2006, 2007 e 2008.

Chave B
PALMEIRAS X TIJUANA
Palmeiras avançou muito mais pela garra do que pela técnica na Libertadores (AP Photo/Nelson Antoine)
Palmeiras avançou muito mais pela garra do que pela técnica na Libertadores (AP Photo/Nelson Antoine)

Por Felipe Portes

Jogo de ida: 30/abril, 22h30 (Horário de Brasília), no estádio Caliente, Tijuana (MEX)
Jogo de volta: 14/maio, 22h00 (Horário de Brasília), no estádio Pacaembu, São Paulo (BRA)

Pega o vencedor de: Atlético Mineiro x São Paulo

Confrontos anteriores: Nunca se enfrentaram

O mapa da mina para o Palmeiras

Ao tomar como base os confrontos dos mexicanos com o Corinthians na primeira fase, o Palmeiras terá uma missão árdua em Tijuana para tentar não se complicar tanto no confronto das oitavas. O elenco dos Xolos parece bem mais preparado para avançar do que o alviverde, que sofreu uma derrota na última rodada diante do Sporting Cristal. Para encarar o clima de Aguas Calientes, os paulistas precisarão ter muito mais do que só a raça e o brio apresentados na primeira fase, e sim apresentar algo de diferente, uma nova proposta de jogo que envolva o Tijuana e ao mesmo tempo impeça a progressão dos homens de meio e especialmente para o atacante Fidel Martínez, uma versão bem empobrecida de Neymar. Pois é, a missão do Palmeiras é superar a si mesmo antes de superar os mexicanos fora de casa. No Pacaembu, já em maio, talvez o bicho não seja tão feio assim, mas é essencial não voltar do México com uma desvantagem muito grande. Dá pra avançar? Sim, mas só se não repetir os erros quase infantis que cometeu contra o Tigre e o Cristal fora de casa. Sem inscrever grandes reforços para estes dois confrontos, o Verdão vai com a cara, a tradição e a coragem tentar avançar na Libertadores. Precisam fazer a camisa pesar.

O mapa da mina para o Tijuana

Jogar do mesmo jeito que fez na fase de grupos. A verdade é que nem há muito o que dar de dica aos Xolos, pois a fragilidade do Palmeiras é tão visível que dispensa comentários mais detalhados. Se o ataque do Tijuana se concentrar e forçar em cima da defesa palmeirense, a chance de sair um gol é enorme. Os desfalques de Vilson e Fernando Prass para esta fase de oitavas de final é algo que pode ser bem aproveitado pelos comandados de Antonio Mohamed.

O Tijuana não deve ter complicações jogando em casa. Liderados pelo competente meia Fernando Arce, os mexicanos não são favoritos à toa. O bom conjunto e a campanha louvável de estreia fortalecem a imagem de uma equipe difícil a ser batida em seus domínios. A ver como se porta numa partida eliminatória como tal, diante de alguém que já tem história no continente.

Destinos cruzados: Alfredo Moreno, atacante de 33 anos do Tijuana, estava no grupo do Boca Juniors que venceu o Palmeiras na final da Libertadores de 2000, nos pênaltis.

Chave C
CORINTHIANS x BOCA JUNIORS
Corinthians e Boca Juniors reeditam a final da Libertadores de 2012 nas oitavas de final de 2013 (AP Photo/Andre Penner)
Corinthians e Boca Juniors reeditam a final da Libertadores de 2012 nas oitavas de final de 2013 (AP Photo/Andre Penner)

Por Ubiratan Leal

Jogo de ida: 1º/maio, 21h50, La Bombonera (Buenos Aires)
Jogo de volta: 15/maio, 22h, Pacaembu (São Paulo)

Pega o vencedor de: Vélez Sársfield x Newell’s Old Boys

Confrontos anteriores: 4 jogos, uma vitória do Corinthians, uma vitória do Boca Juniors, 2 empates

O mapa da mina para o Corinthians

Coletivamente, é uma equipe muito superior ao Boca Juniors. Tem elenco com mais opções e uma capacidade de organização maior para se adaptar às necessidades de cada momento do duelo. Individualmente, o Corinthians pode se beneficiar do retorno de Riquelme. O meia tem entrado como titular nos últimos jogos, o que deixa o Boca com um jogador de armação apenas, e pouco móvel. Se isso ocorrer, fica fácil para a dupla Ralf-Paulinho isolar o meia e asfixiar o ataque boquense. O lado direito do ataque, com Renato Augusto (se estiver em condições), Emerson ou Alexandre Pato, também pode tirar proveito da lentidão do lateral Clemente Rodríguez.

O mapa da mina para o Boca Juniors

A defesa corintiana tem alguns problemas para enfrentar ataques velozes. Com o ex-corintiano Santiago Silva e, eventualmente, Riquelme, o Boca Juniors não é um primor nessa área. Mas Martínez, outro ex-alvinegro, pode criar problemas nas costas de Fábio Santos. Outra arma pode ser Erviti, se tiver um pouco de liberdade para avançar e aparecer como homem-surpresa na armação das jogadas. De resto, o Boca tem jogado muito mal em casa (em 2013, venceu apenas dois jogos em La Bombonera), mas pode se encher de determinação com a torcida e tentar pressionar o Corinthians no abafa. Aí pode ter sucesso, usando as bolas aéreas para Silva para construir um bom resultado na Argentina e tentar segurar em São Paulo.

Destinos cruzados: Já que a dupla de ataque boquense, formada por ex-corintianos, já foi mencionada, vale usar o fato de que as equipes se reencontram depois de decidir a Libertadores do ano passado? Não, muito óbvio. Então, vamos mais fundo. É apenas a segunda vez na história que um time brasileiro conquista a Libertadores e, no ano seguinte, reencontra sua vítima da decisão anterior. A outra vez, curiosamente, também envolveu um time paulista e um argentino. Foi em 1993, quando o Newell’s Old Boys teve a oportunidade de se vingar da final de 1992 contra o São Paulo. Mas não deu certo e o São Paulo passou. Os corintianos torcem para isso se tornar uma tendência.

Chave D
VÉLEZ SARSFIELD X NEWELL’S OLD BOYS
Scocco, do Newell's Old Boys, foi artilheiro no Torneio Inicial e é destaque no Torneio Final
Scocco, do Newell’s Old Boys, foi artilheiro no Torneio Inicial e é destaque no Torneio Final

Por Felipe Lobo

Jogo de ida: 24/abril, 21h15 (horário de Brasília), no estádio Marcelo Bielsa, Rosario (ARG)
Jogo de volta: 14/maio, 19h30 (horário de Brasília), no estádio José Amalfitani, Buenos Aires (ARG)

Pega o vencedor de: Corinthians x Boca Juniors

Confrontos anteriores: dois jogos, um empate e uma vitória do Vélez.

O mapa da mina para o Vélez Sarsfield

A aposta do Vélez é na tradição e na experiência. O time terá que diminuir o ritmo do jogo. A equipe é conhecida pelo toque de bola e pode fazer uso dessa arma para amarrar o jogo. A defesa terá que jogar mais afundada para não permitir as jogadas em velocidade do ataque adversário. Uma boa aposta é pressionar a saída de bola do Newell’s, que não tem tanta facilidade para sair jogando e já mostrou que pode errar. A bola aérea é outra aposta interessante para o time de Ricardo Gareca. Lucas Pratto é um centroavante bom pelo alto e que pode ajudar ajeitando a bola para os companheiros também.

O mapa da mina para o Newell’s Old Boys

Velocidade é um dos pontos fortes do Newell’s, que pode ser importante novamente no jogo contra o Vélez, como foi na partida pelo Campeonato Argentino, mesmo com os dois times com equipes mistas. A força que Maximiliano Rodríguez e principalmente Ignaccio Scocco mostram nesta temporada leva o Newell’s à liderança do Torneo Final. Usar velocidade pelos lados do campo será importante e a constante troca de posição entre os jogadores, como usualmente ocorre, pode fazer a marcação do Vélez ficar perdida. Scocco funciona tanto como atacante de velocidade quanto como um centroavante e por isso é tão difícil marcá-lo. Como a defesa do Vélez está sem Peruzzi, lateral rápido que poderia ajudar na marcação, apostar na velocidade torna-se uma grande opção para o time de Gerardo Martino. O time sabe aproveitar bem os contra-ataques e os espaços que o Vélez costuma dar.

Destinos cruzados: Em 2006, os dois times se enfrentaram nesta mesma fase na Libertadores. Scocco já era jogador do Lepra naquela época e marcou gols nos dois jogos, mas foi insuficiente para evitar a eliminação. 

Chave E
GRÊMIO x INDEPENDIENTE SANTA FÉ
Zé Roberto é o destaque do Grêmio na Libertadores
Zé Roberto é o destaque do Grêmio na Libertadores

Por Leandro Stein

Jogo de ida: 1º/mai, 19h30 (Horário de Brasília), na Arena do Grêmio, Porto Alegre (BRA)
Jogo de volta: 16/mai, 22h00 (Horário de Brasília), no Estádio El Campín, Bogotá (COL)

Pega o vencedor de: Nacional-URU x Real Garcilaso-PER

Confrontos anteriores: Nunca houve

O mapa da mina para o Grêmio

Os tricolores viveram uma fase de grupos oscilante. Entre atuações irrepreensíveis e outras bem questionáveis, os gremistas acabaram na segunda colocação do Grupo 8. Vanderlei Luxemburgo está decidido pelo 4-4-2, mas precisa de uma regularidade maior do time para manter o esquema com convicção. Qualidade para tanto, ao menos do meio para frente, o técnico tem de sobra. Zé Roberto está entre os melhores da competição até aqui, Barcos e Vargas já demonstraram que podem se complementar bem no ataque e Fernando é um volante completo. Falta encontrar o ritmo certo também na defesa, recheada de medalhões e que não consegue transmitir confiança. Equilíbrio e eficiência deverão ser fundamentais ao sucesso do Grêmio na competição.  Assim como uma consistência coletiva, que, apesar dos valores individuais, não tem acontecido.

O mapa da mina para o Independiente Santa Fe

Os Cardenales não estiveram em um grupo tão desafiador, mas podem se gabar por serem os únicos ainda invictos na competição. E a campanha notável foi construída graças à consciência do Independiente sobre suas limitações. Aplicado taticamente, o time treinado por Wilson Gutiérrez sofreu apenas quatro gols, em desempenho favorável também graças às boas atuações do goleiro Camilo Vargas. Já com a bola nos pés, os colombianos orbitam em torno do argentino Omar Pérez, camisa 10 que dita o ritmo da equipe. Geralmente, o maestro opta por um estilo mais incisivo no ataque, servindo Wilder Medina e Cristian Borja. Se tiver liberdade para pensar, Pérez é quem mais ameaça o Grêmio, especialmente se o sistema defensivo conseguir se segurar ante um rival mais forte.

Destinos cruzados: Clubes colombianos costumam ser bem vistos pelo Grêmio na Libertadores. Em 1983, os tricolores deixaram para trás o América de Cali na segunda fase, antes de faturarem o título pela primeira vez. Já em 1995, o Atlético Nacional foi o rival cafetero, derrotado na decisão.

Chave F
NACIONAL x REAL GARCILASO
Ivan Alonso, forte atacante do Nacional
Ivan Alonso, forte atacante do Nacional

Por Leandro Stein

Jogo de ida: 25/abr, 22h15 (Horário de Brasília), na Garcilaso, Cuzco (PER)
Jogo de volta: 9/mai, 21h15 (Horário de Brasília), no Estádio Parque Central, Montevidéu (URU)

Pega o vencedor de: Grêmio-BRA x Independiente-COL

Confrontos anteriores: Nunca houve

O mapa da mina para o Nacional

Os uruguaios tiveram o mérito de liderarem uma das chaves mais complicadas desta fase de grupos, embora não tenham apresentado um grande futebol. Rodolfo Arruabarrena é o terceiro técnico que passa pelo clube apenas neste ano e, mesmo armando o time no 4-3-3 no Campeonato Uruguaio, tende a ser mais precavido na Libertadores. Considerando a fragilidade da defesa, o meio-campo deverá ser reforçado por uma linha de volantes, em um 4-4-2 com jogadores rápidos para os contra-ataques. Já na frente, as ações ofensivas são direcionadas a Gonzalo Bueno e Iván Alonso, destaque do time até aqui. E, por mais que Álvaro Recoba e Loco Abreu estejam no elenco, os veteranos são utilizados apenas esporadicamente. Uma experiência da qual os tricolores abrem mão em troca do vigor que não tem sido muito constante nessa temporada.

O mapa da mina para o Real Garcilaso

A grande surpresa da Libertadores até o momento não possui qualquer tarimba nas fases decisivas da competição, mas se escora em uma fórmula de jogo que ainda pode causar outros estragos. Sem grandes recursos técnicos, o Real Garcilaso é escalado no 4-4-1-1. Duas linhas defensivas bastante compactas e muitas ligações diretas com os homens de frente, o meia Fabio Ramos e o atacante Victor Ferreira. Tanto é que, exceção feita à goleada por 5 a 1 sobre o Cerro Porteño, os celestes anotaram apenas três gols em cinco partidas. A campanha até as oitavas foi construída basicamente nos jogos de ida do Grupo 6, com duas vitórias fora de casa. Credenciais para uma equipe com jeito “copeiro”, mesmo estreando no torneio continental.

Destinos cruzados: O Nacional é o líder de classificações às oitavas de final na história da Libertadores. Desde que o sistema de disputa foi implantado, em 1988, os tricolores apareceram 19 vezes nos mata-matas. Apenas uma vez menos que todos os representantes peruanos, que chegam à 20ª participação nesta etapa com o Real Garcilaso. E, nas quartas, a vantagem no quesito é do clube de Montevidéu: sete participações, contra seis dos peruanos.

Chave G
OLIMPIA X TIGRE
Ortiz, capitão do Olimpia (Foto: AFP PHOTO / Norberto Duarte)
Ortiz, capitão do Olimpia (Foto: AFP PHOTO / Norberto Duarte)

Por Felipe Portes

Jogo de ida: 30/abril, 20h15 (Horário de Brasília), no estádio Monumental de Victoria, Buenos Aires (ARG)
Jogo de volta: 16/maio, 19h15 (Horário de Brasília), no estádio Manuel Ferreira, Asunción (PAR)

Pega o vencedor de: Fluminense x Emelec

Confrontos anteriores: Nunca se enfrentaram

O mapa da mina para o Olimpia

Líder de um imponente grupo composto por Universidad de Chile e o perigoso Newell’s Old Boys, o Olimpia passou com 13 pontos enquanto viu os chilenos e argentinos se estapearem pela segunda vaga. O Decano se recuperou das frustrações de 2012 e chegou forte para esse ano, bem montado e jogando um futebol convincente, ao menos na primeira fase. Enfrentando um adversário feio como o Tigre, o alvinegro paraguaio deve mesmo avançar e com bom saldo diante da fraca defesa do Matador. Lenta e sem técnica, a defesa escalada por Nestor Gorosito não mete medo nem no seu campeonato, onde vai bem mal, diga-se. Se fizer o arroz com feijão, o Olimpia segue adiante. Especialmente se forçar seus ataques pelo meio, onde o Tigre tem mais dificuldade em barrar os seus adversários. Melhor ataque da Libertadores, o Decano marcou 18 vezes em oito jogos, teve como destaque Fredy Bareiro, autor de quatro gols até aqui.

O mapa da mina para o Tigre

O Tigre é mais um dos adeptos da garra e da determinação, pois técnica mesmo poucos apresentam. Talvez o meia arisco Ruben Botta, já contratado pela Internazionale, da Itália. O baixinho é quem cria as chances do time, refém de suas próprias limitações e da sua violência excessiva na marcação. Fora isso, a equipe argentina é bem valente. Caso consiga anular o meio campo do Olimpia, o trabalho dos seus homens de defesa ficará facilitado. A solução é apostar nos passes longos e colocar os paraguaios para correr.

Destinos cruzados: O defensor do Olimpia, Julio Manzur, que já teve suas passagens pela seleção paraguaia, atuou no Tigre na temporada 2009/10. Aos 32 anos, o zagueiro já rodou o mundo e é conhecido aqui no Brasil por ter jogado no Santos em 2006.

Chave H
FLUMINENSE x EMELEC
Sem Fred, Wellington Nem é a principal arma do Fluminense nas oitavas da Libertadores (AP Photo/Victor Ruiz Caballero)
Sem Fred, Wellington Nem é a principal arma do Fluminense nas oitavas da Libertadores (AP Photo/Victor Ruiz Caballero)

Por Ubiratan Leal

Jogo de ida: 2/maio, 22h30, estádio George Capwell (Guaiaquil)
Jogo de volta: 8/maio, 22h, sem local definido

Pega o vencedor de: Olimpia x Tigre

Confrontos anteriores: nunca se enfrentaram na Libertadores

O mapa da mina para o Fluminense

O Fluminense é mais time, e tem jogadores capazes de decidir jogos apertados (mas eles são mais capazes quando estão em campo, e não no departamento médico). Deco e Thiago Neves estão voltando agora, Fred ainda não. Mas, se eles estiverem em campo, é uma vantagem considerável ao Tricolor. De qualquer modo, é uma equipe que precisa se reagrupar, pois o Fluminense perdeu a força de 2012 e não tem resolvido seus problemas com a mesma facilidade de antes. Também seria útil definir logo em que estádio será o jogo de volta, para começar a mobilização da torcida mais cedo.

O mapa da mina para o Emelec

O mando de campo favorece o Emelec, que teve 100% de aproveitamento em Guaiaquil e ainda pode enfrentar o Fluminense em Volta Redonda. Mas não é só isso que os Eléctricos têm. A equipe é boa, melhor até que a que enfrentou o Corinthians no ano passado. Zeballos chegou para ser a referência no ataque, mas tem decepcionado. No entanto, De Jesús e Caicedo se tornaram as principais figuras ofensivas da equipe. Também merece destaque a boa defesa, com Francis, Baguí, Nasuti e Achilier, que foi vazada apenas quatro vezes na competição (apenas Corinthians e Vélez sofreram menos gols). Se o quarteto estiver em noite inspirada, o Fluminense terá muito trabalho para construir seus resultados, mesmo se Fred e Deco estiverem em campo.

Destinos cruzados: A melhor campanha do Fluminense na Libertadores parou em um time equatoriano. Foi em 2008, quando a equipe perdeu a final para a LDU Quito. E a melhor campanha do Emelec na Libertadores parou em um time brasileiro. Em 1995, os Eléctricos chegaram às semifinais, quando foram eliminados pelo Grêmio de Felipão.