Um duelo que tem uma grande história. Bayern de Munique e Chelsea fizeram a grande final da Champions League de 2012, que foi realizada justamente em Munique. E foi o time, do então capitão Frank Lampard, que ganhou a disputa, nos pênaltis. Desta vez, Lampard está no banco de reservas como técnico do time de Londres e tenta eliminar o time de outro técnico novato, Hans Flick, que assumiu o comando no meio da temporada.

Bayern de Munique

Por Leandro Stein

Alphonso Davies, do Bayern (Reprodução)

Como foi a campanha na fase de grupos

O Bayern de Munique realizou simplesmente a melhor campanha na fase de grupos da história da Champions. Que a chave fosse acessível, o desempenho dos bávaros saiu muito melhor que a encomenda. Nem mesmo a troca no comando e as instabilidades no semestre atrapalharam. A equipe acumulou 18 pontos, com 24 gols marcados e apenas cinco sofridos. Robert Lewandowski, sozinho, anotou dez gols.

Ganhar as duas de Olympiacos e Estrela Vermelha não surpreende. A marca maior fica para a goleada por 7 a 2 imposta sobre o Tottenham. Tudo bem que o jogo se transformou para os bávaros, de um primeiro tempo difícil a uma etapa complementar impiedosa. Ainda assim, foi a melhor apresentação de um time na competição até o momento. Por fim, quando os classificados já estavam resolvidos, os bávaros também derrotaram os Spurs no reencontro dentro da Allianz Arena. Mantiveram o aproveitamento impecável.

Como vem desde então

Curiosamente, a vitória sobre o Tottenham na sexta rodada encerrou uma breve sequência de duas derrotas na Bundesliga. Foi praticamente o único momento ruim sob as ordens de Hansi Flick. Desde então, o Bayern não perdeu mais, com oito vitórias em nove rodadas da Bundesliga, além da classificação na Copa da Alemanha. Mais importante, o time voltou ainda mais consistente da pausa de inverno.

O maior mérito de Flick, até o momento, é recuperar a identidade do Bayern. O treinador resgatou um pouco daquela ideia de jogo que se via com Jupp Heynckes, de um time mais direto em suas ações e que não precisa rodar tanto a bola para finalizar. Mais incisivos, os bávaros redescobrem alguns jogadores importantes e valorizam certas características. Enquanto o meio-campo fica mais congestionado com homens de criação, os lados dão amplitude com a subida dos laterais. Os resultados reafirmam o que se nota em campo.

Nestas dez partidas desde o fim da fase de grupos, o Bayern anotou 34 gols. Passou em branco apenas contra o RB Leipzig, em empate que até surpreendeu, diante da maneira como os bávaros encurralaram os Touros Vermelhos durante o primeiro tempo. Só a defesa é que não parece totalmente confiável. Em seis desses jogos, o Bayern sofreu gols. Passou um aperto até desnecessário nos 4 a 3 sobre o Hoffenheim pela Copa da Alemanha, no qual os alvi azuis estiveram a ponto de forçar a prorrogação. E os riscos contra o Paderborn na última sexta ressaltam a preocupação.

Importante notar, ainda, como as lesões continuam atravancando o máximo potencial do Bayern. O problema recorrente nas últimas temporadas, sobretudo nas retas decisivas, se repete. A zaga se viu desguarnecida pela ausência de Niklas Süle e Lucas Hernández, embora o francês tenha retornado recentemente. Mais à frente, o que persiste é a fragilidade crônica dos pontas. Kingsley Coman e Serge Gnabry se revezaram no departamento médico durante os últimos tempos. Ivan Perisic também machucou o tornozelo e só deve voltar no meio de março.

As novidades do mercado de inverno

Diferentemente dos principais adversários na Alemanha, o Bayern passou silencioso pelo mercado de inverno. A única contratação foi o empréstimo de Álvaro Odriozola, encostado no Real Madrid. O lateral, todavia, chegou para ser uma opção no elenco e só disputou duas partidas até o momento. Benjamin Pavard continua como titular, enquanto Joshua Kimmich ocupa a faixa central.

O cara do time no momento

Pela sequência avassaladora, Thomas Müller merecia uma consideração maior aqui. No entanto, fica difícil apontar um cara no time do Bayern que não seja Robert Lewandowski. E, a bem da verdade, são raríssimos os jogos em que o centroavante passa em branco. Sua fome de gols se tornou até “normal”, diante de tamanha efetividade. Nem sempre o polonês vai balançar as redes em todos os chutes, mas seu peso para garantir as vitórias e também abrir espaços aos companheiros é inegável. Dos 32 jogos que o veterano disputou nesta temporada, ele só não contribuiu com gol ou assistência em quatro. São 39 tentos e três assistências.

E, naquela que tem motivos para ser apontada como a melhor temporada da carreira de Lewandowski, a Champions representa um diferencial. O centroavante costuma receber severas críticas por não ter resolvido tantos jogos de mata-mata com o clube. Nas cinco edições anteriores do torneio, de fato, seu rendimento esteve abaixo da média. Anotou 11 gols em 23 partidas eliminatórias no certame continental. A cobrança existe e a fase parece ideal para dar uma resposta contundente. Numa edição aberta como esta da Champions, o polonês tem capacidade para fazer a diferença e levar os bávaros longe.

Um nome para ficar de olho

Alphonso Davies chegou ao Bayern como uma aposta para o futuro, mas não demorou a ganhar seu espaço como titular. A princípio, o canadense deveria ser mais uma opção às pontas. Contudo, a falta de alternativas na defesa o firmou na lateral esquerda. Mesmo sem ser um marcador exímio, o garoto tem emendado bons jogos pelo clube e pinta como uma grata surpresa. A Champions irá testar o seu real nível, mas pode servir como uma válvula de escape nos jogos, combinando-se com Kingsley Coman pela esquerda.

Segundo a tradicional pontuação da revista Kicker, Davies está entre os dez melhores jogadores de defesa da temporada. Veloz e incisivo, soma cinco assistências, além de um gol. A capacidade no um contra um faz a diferença ao novato. Além disso, mesmo sua média de desarmes é respeitável – 2,6 por jogo. Enquanto isso, deslocado ao miolo de zaga por emergência, David Alaba tem rendido bem, sobretudo por sua qualidade em armar o jogo de trás. Até o momento, o improviso não se sai mal aos bávaros.

Calcanhar de Aquiles

Mesmo com bons jogadores à disposição, a defesa não inspira uma confiança total ao Bayern de Munique. Os seguidos problemas de lesão impediram a prometida renovação no setor e as trocas de peças se tornaram bastante comuns. Falta uma sequência e uma consistência. Por sorte, o ataque compensa lá na frente e diminui um pouco as críticas pela falta de solidez na marcação. Todavia, os jogos mais pesados na Champions League podem descompensar a balança.

Até o momento, o Bayern tomou 26 gols na Bundesliga. A marca já é pior que a registrada em seis das últimas oito edições do Campeonato Alemão, mesmo ainda faltando 11 rodadas para o final desta campanha. O meio-campo nem sempre providencia a proteção necessária, com a presença de jogadores mais leves. Ante a exposição, Manuel Neuer também trabalha bastante. Ao menos o goleiro recupera o seu melhor nível, após as recorrentes lesões, e pode marcar a diferença nesta Champions. Nem todos os medalhões, porém, fazem valer seu nome. A lentidão de Jérôme Boateng é um entrave um tanto quanto recorrente no sistema.

Avaliação atual sobre o treinador

Hansi Flick é bem menos midiático que os seus antecessores no comando do Bayern de Munique. Possui uma história como jogador do clube nos anos 1980, mas isso não foi tão determinante à sua escolha como treinador. Seu principal trabalho aconteceu na seleção. Permaneceu como assistente de Joachim Löw por oito anos, até a conquista da Copa do Mundo de 2014, e também assumiu o cargo de diretor esportivo na federação. Teria uma breve passagem como chefe-executivo no Hoffenheim, até ser chamado para ser o assistente de Niko Kovac nesta temporada.

Flick, no fim das contas, era o homem certo no lugar certo – tanto a ele quanto ao Bayern. A experiência e o próprio trânsito na seleção permitiram que ele estabelecesse uma boa relação com os jogadores, o que não acontecia com Kovac. Além disso, possui uma leitura de jogo privilegiada e era apontado como alguém importante às táticas da seleção. Isso se nota pela maneira como os bávaros ganharam um padrão desde sua chegada. Não é o técnico renomado que servirá de escudo. Em compensação, a não ser que aconteça uma hecatombe, tem ótimas condições para seguir em frente no clube. A prova de confiança veio na efetivação do então interino, que rendeu um contrato até 2021.

Chelsea

Por Bruno Bonsanti

Frank Lampard, técnico do Chelsea (Reprodução)

Como foi a campanha na fase de grupos

O equilíbrio que se previa antes do começo da fase de grupos comprovou-se em campo com uma das disputas mais emocionantes desta edição da Champions League. A campanha para o Chelsea começou com derrota no Stamford Bridge para o Valencia, mas vitórias consecutivas diante de Lille e Ajax na estrada recolocaram o time de Frank Lampard na briga. E aí veio aquela loucura contra os holandeses, que chegaram a abrir 4 a 1, tiveram dois expulsos ao mesmo tempo e levaram o empate por 4 a 4. Houve certo azar no empate contra o Valencia, com um gol quase sem querer de Daniel Wass. Ainda assim, bastava ao Chelsea uma vitória contra o eliminado Lille em Londres para passar às oitavas de final. Apesar de alguns sustos, ela foi alcançada, por 2 a 1.

Como vem desde então

 Terrível. A equipe londrina já vinha patinando na Premier League quando garantiu vaga no mata-mata da Champions League e ainda não conseguiu se encontrar. Teve boas vitórias contra Tottenham e Arsenal, fora de casa, mas foram as únicas pela liga inglesa, junto com outra diante do Burnley. Com quatro derrotas e três empates nas outras rodadas, a quarta vaga na próxima Champions, que parecia nas mãos do Chelsea, ficou totalmente em aberto. Os Blues também se mantiveram na Copa da Inglaterra, batendo Nottingham Forest e Hull City,

As novidades no mercado de inverno

Curiosamente, nenhuma. Era esperado que o Chelsea se reforçasse bastante no mercado de inverno porque não pode fazê-lo no começo da temporada, sob embargo da Fifa. Mas ninguém foi contratado, fruto de insatisfação para Frank Lampard. O jovem treinador chegou a dizer que seu time virou zebra pelo quarto lugar da Premier League porque, segundo ele, seus principais rivais ficaram mais fortes. A principal busca foi um por um centroavante para diminuir o fardo sobre Tammy Abraham.

O cara do time no momento

No duro mesmo, ninguém, mas nas raras vezes em que o Chelsea foi bem recentemente houve o dedo de Willian, como nas vitórias contra Tottenham, Arsenal e Burnley. O contrato do brasileiro de 31 anos está chegando ao fim e ainda não foi renovado. Enquanto isso, ele é um bastião de experiência em meio a um time muito jovem, alguém para quem tocar a bola quando as coisas ficam difíceis. E, no geral, ele corresponde.

Um nome para ficar de olho 

Tammy Abraham começou com tudo sua primeira temporada como jogador do time principal do Chelsea. Fez 10 gols nas 12 primeiras rodadas da Premier League e abriu o placar das duas vitórias por 2 a 1 sobre o Lille na fase de grupos da Champions League. Junto com o rendimento coletivo do time, o seu caiu nos últimos meses. Está voltando de lesão e foi relacionado para enfrentar o Tottenham. Se ganhar algum ritmo de jogo e reencontrar o caminho do gol, pode ser muito importante.

Calcanhar de Aquiles

Há alguns, como não ser confiável dentro de casa e ter trocado o goleiro mais caro do mundo por um veterano de 38 anos que nunca foi grande coisa, mas o principal está no ataque. Lampard não cansa de reclamar que seu time cria chances, mas não consegue concretizá-las – e também por isso queria tanto um atacante na janela de inverno. Poderia minimizar o problema se desse mais oportunidades para Giroud que, em pouco minutos contra o Manchester United, mostrou-se uma alternativa melhor a Abraham do que Batshuayi.

A avaliação atual sobre o treinador

De certa forma, Lampard é vítima de seu próprio sucesso no começo da temporada. Esperava-se muito pouco do trabalho de um treinador novato, sem a possibilidade de recorrer ao mercado de transferências e tendo acabado de perder o melhor jogador do time para o Real Madrid. A ideia era iniciar um projeto de médio prazo explorando o talento jovem que existe no clube. Isso ele o fez. Além de Abraham, Fikayo Tomori, Mason Mount e Reece James foram lançados pela lenda azul. Os resultados iniciais foram surpreendentes e pareciam ter cimentado o Chelsea na zona de classificação à próxima Champions League, o que tornaria lucro qualquer feito adicional. No entanto, o derretimento do time desde outubro pode levar a primeira campanha de Lampard no mais alto nível da prancheta a terminar em frustração e atiçar a liberal caneta de Roman Abramovich que adora assinar rescisões de contrato. 

NA TV

Chelsea x Bayern de Munique
Terça, 25/02, 17h – Facebook EI, EI Plus (Clique aqui, assine e ganhe 7 dias grátis)

Bayern de Munique x Chelsea
Quarta, 18/03 – Facebook EI, EI Plus (Clique aqui, assine e ganhe 7 dias grátis)