O duelo entre Napoli e Barcelona é o de dois clubes de Diego Maradona na Champions League. O Barcelona, do seu herdeiro na camisa 10 da Argentina, Lionel Messi, enfrenta o Napoli, que não usa mais o número desde que foi adotada a numeração fixa. É um duelo entre dois times que vivem instabilidades nas suas ligas locais, cada um à sua maneira. O Napoli aposta tudo na Champions, enquanto o Barcelona vive uma sede de conquistas no torneio, que venceu pea última vez em 2105, já que viu o rival Real Madrid levantar a taça três anos consecutivos antes do Liverpool vencer na temporada passada.

Barcelona

Por Leandro Stein

Frenkie de Jong, do Barcelona (Getty Images)

Como foi a campanha na fase de grupos

Considerando o peso do grupo e as instabilidades do clube, o Barcelona avançou com certa autoridade às oitavas de final. Os blaugranas encerraram a campanha de maneira invicta, somando 14 pontos. Os placares foram relativamente econômicos, mas não impediram que a classificação fosse conquistada com uma rodada de antecedência, permitindo a escalação de uma equipe mista na última partida.

Com grande ajuda de Marc-André ter Stegen, o Barcelona começou arrancando um empate na visita ao Borussia Dortmund. Depois, Luis Suárez encaminhou a virada sobre a Internazionale. E a vitória fora de casa contra o Slavia Praga deixou a vaga mais próxima. Apesar do empate sem gols com os tchecos no Camp Nou, o triunfo sobre o Dortmund na Catalunha assegurou a presença antecipada nas oitavas e ainda guardou a melhor apresentação dos blaugranas no torneio. Por fim, com a primeira colocação também garantida, o mistão melhorou a pontuação ao bater (e eliminar) a Internazionale.

Como vem desde então

O Barcelona é, ao lado do próprio Napoli, um dos únicos clubes vivos na Champions que demitiu o treinador após a fase de grupos. E a mudança dos blaugranas aconteceu há menos tempo. Ernesto Valverde não vinha tão prestigiado em seu cargo e a eliminação na Supercopa da Espanha se tornou pretexto para a diretoria buscar um novo comandante. A troca de técnico soou mais um escudo à inatividade no mercado de transferências e à própria insistência indevida da presidência com Valverde. Com todas as dificuldades, Quique Setién assumiu a bomba.

Eliminado na Copa do Rei pelo Athletic Bilbao, o Barcelona também não impressiona no Campeonato Espanhol. Valverde vinha de tropeços na virada do ano e Setién também não começou bem na Liga, sobretudo pela derrota incontestável na visita ao Valencia. Desde então, venceu os seus últimos quatro compromissos, mas quase sempre com placares apertados e sem apresentar um futebol convincente. Por sorte, os últimos pontos desperdiçados pelo Real Madrid fizeram a liderança cair no colo dos culés.

A impressão, de qualquer maneira, é de um time em construção. Setién ainda busca a melhor forma de atuar e usou diferentes esquemas. A utilização de três zagueiros parece já esquecida, após a referida derrota para o Valencia. Já nas partidas recentes, uma das novidades foi a aparição mais constante de Arturo Vidal entre os titulares. Pedido por parte da torcida desde os tempos de Valverde, o chileno oferece mais intensidade na ligação ao ataque. Contra o Eibar neste sábado, o camisa 22 atuou no apoio a Lionel Messi e Antoine Griezmann. Ansu Fati é uma alternativa por ali, para cair à ponta e compor uma linha de frente mais leve.

Falta um entendimento maior dentro de campo ao Barcelona. Por mais que Setién possua uma filosofia mais próxima do jogo de passes costumeiramente pregado pelo clube, os jogadores não parecem ter assimilado isso. O talento individual (leia-se “Messi”) continua sendo preponderante para garantir os resultados, sem um conjunto consolidado. Pode até ser que dê liga em breve. Mas, no momento, há pouca confiança sobre os blaugranas quando baterem de frente com os principais candidatos ao título continental.

As novidades do mercado de inverno

Com um elenco pequeno e lacunas por causa de lesões recentes, era bastante esperado que o Barcelona atacasse no mercado. A diretoria, porém, contrariou as expectativas e a única novidade seria a volta do pouco querido Arda Turan, devolvido pelo Istambul Basaksehir. E o principal reforço só chegou após o fechamento da janela, com a cláusula que permitiu a contestada compra de Martin Braithwaite junto ao Leganés. O centroavante não pôde ser inscrito na Champions, trazido após o prazo estipulado pela Uefa.

O cara do time no momento

O “cara do time no momento” é também o cara do time há mais de uma década: Lionel Messi. Impossível desconsiderar o camisa 10 como dono do Barcelona. Uma renovada prova de sua importância veio neste sábado, contra o Eibar. Nem foi uma boa atuação coletiva dos blaugranas, mas a tarde inspiradíssima do argentino rendeu a goleada por 5 a 0. Foram quatro gols apenas do artilheiro, apresentando seu tradicional repertório de dribles e finalizações perfeitas. Nos compromissos anteriores, nos quais passou em branco, compensou com qualidade na armação.

Pela Champions, todavia, Messi não vem de temporadas tão reluzentes. Em uma equipe extremamente dependente de seu talento, o atacante se viu ilhado nas últimas eliminações, sem ter com quem se associar. E essa falta de companheiros mais qualificados, ante o marasmo nas últimas janelas de transferências, gera rusgas do artilheiro com a diretoria. Ainda assim, difícil destacar um momento no qual o Barcelona tenha sido tão dependente do camisa 10 quanto o atual. Diante das crises recentes, inclusive institucionais, é na lenda que se concentra a fé dos torcedores.

Um nome para ficar de olho

O elenco do Barcelona deixa pouquíssimas opções disponíveis para escolher alguém em quem “ficar de olho”. Quem pode melhorar seu rendimento é Frenkie de Jong. O meio-campista fez algumas boas partidas desde que chegou ao Camp Nou, mas não o suficiente para justificar o preço pago em sua transferência. Deveria influenciar bem mais o jogo dos blaugranas, sobretudo por suas virtudes, com seu ritmo e a precisão nos passes.

A montagem de um novo Barcelona, em teoria, passa pelo talento de De Jong. No entanto, o processo de adaptação do neerlandês não gera impacto imediato – parecido com o que ocorre com Arthur. A participação nos mata-matas da Champions cobrará uma atitude mais marcante dos meio-campistas. Considerando aquilo que fez pelo Ajax na temporada passada, capacidade não falta ao camisa 21. Será um bom momento para provar o acerto dos culés em sua aposta.

Calcanhar de Aquiles

O elenco curto do Barcelona, sem dúvidas, atravanca bastante o rendimento da equipe. Faltam opções para Quique Setién desenvolver o seu trabalho. São apenas 19 jogadores no plantel regular dos blaugranas. E a situação piora diante das lesões. Luis Suárez deve retornar apenas em maio, enquanto Ousmane Dembélé está descartado até o fim da temporada. Como se não bastasse, Jordi Alba e Sergi Roberto também serão desfalques às próximas semanas. Enquanto isso, o aproveitamento das categorias de base é mínimo, o que não deixa margem a qualquer manobra.

O Barcelona acaba muito suscetível à fase de seus jogadores. Medalhões vêm em queda de desempenho, ao mesmo tempo que jogadores mais jovens não emplacaram na Catalunha. A maior responsabilidade recai sobre Antoine Griezmann, trazido por uma fábula, mas que demora bastante para encontrar o seu futebol. O francês precisa se impor, sobretudo com a ausência de Suárez. No fim das contas, o Barça segue dependente da genialidade de Messi e dos milagres de Stegen.

Avaliação atual sobre o treinador

Quique Setién acabou de completar o seu primeiro mês de trabalho no Barcelona. Fica difícil fazer uma avaliação mais incisiva sobre o treinador. Entretanto, em condições que não o favoreciam nem um pouco, o espanhol também não consegue se sobressair. Não foi o “fato novo” que gerou grandes mudanças aos blaugranas, após a saída de Ernesto Valverde. Neste ínterim, o aproveitamento no Campeonato Espanhol até melhorou, mas o comandante já lidou com a eliminação na Copa do Rei.

O maior trunfo de Setién em sua contratação pelo Barcelona é a ideia de jogo. O técnico não esconde sua admiração pelos ensinamentos de Johan Cruyff. Falta conseguir colocá-los em prática, sem achar uma maneira ideal de montar o seu time. Neste novo período, o Barça nem sempre criou o suficiente no ataque e também se expôs desnecessariamente contra alguns clubes menores. Falta um equilíbrio, e isso se torna mais urgente com o recomeço da Champions. Uma campanha ao menos digna no torneio continental terá muito peso na continuidade de Setién.

Napoli

Por Felipe Lobo

Gennaro Gattuso, técnico do Napoli (Divulgação)

Como foi a campanha na fase de grupos

O Napoli teve grandes momentos na fase de grupos da Champions League, a começar pelo primeiro jogo do time. No San Paolo, venceu o campeão Liverpool por 2 a 0 e já mostrou que não estava no torneio para brincadeira. O problema é que no segundo jogo, na Bélgica, o time de Carlo Ancelotti empatou com o Genk. E aí parece que a campanha que era ruim na Serie A começou a afetar o time. Venceu o Red Bull Salzburg fora de casa por 3 a 2, mas só empatou em casa por 1 a 1.

Os resultados do grupo deixaram as coisas bem aberta. Contra o Liverpool, em Anfield, o time tinha um momento decisivo da campanha. Em uma das melhores atuações dos Partenopei na temporada, o time ainda comandado por Carlo Ancelotti travou o Liverpool e arrancou um empate por 1 a 1. Com isso, foi para a última rodada precisando apenas ganhar do Genk, em casa, para se classificar. Goleou por 4 a 0 e avançou, mas em segundo lugar – o Liverpool venceu o Red Bull Salzburg para ficar com a primeira posição.

Como vem desde então

O Napoli vinha cambaleante, tanto que o técnico Carlo Ancelotti não resistiu e deixou o clube. Ele deixou o cargo no dia 10 de dezembro, data do último jogo da fase de grupos. Naquele momento, o Napoli estava em sétimo, a oito pontos do quarto colocado, zona de classificação à próxima Champions League. O time jogava um futebol pouco convincente e o caos entre jogadores e diretoria reinava – o que acabou sendo crucial também para a queda de Ancelotti.

A chegada de Gennaro Gattuso foi surpreendente. Só que as coisas, de fato, melhoraram. Só não foi de início. Os primeiros cinco jogos foram terríveis, com quatro derrotas. Parecia que o time continuaria sem rumo, com um técnico menos experiente. Aos poucos, porém, Gattuso achou o caminho. A posição na tabela mudou pouco – o time subiu para sexto na tabela e a distância para os quatro primeiros ainda é enorme, de nove pontos. Só que o time parece mais consistente e seguro, especialmente no sistema defensivo. Na Copa da Itália, eliminou a Lazio e já venceu a Inter no primeiro jogo da semifinal. Mostrou força nos jogos grandes. E o que é a Champions nas oitavas de final se não uma compilação de jogos grandes?

As novidades no mercado de inverno

Com Gattuso no comando, o Napoli fez algumas mudanças significativas no elenco. Não houve saídas, como se imaginou pelo motim que houve contra a diretoria, mas tivemos chegadas relevantes. Stanislav Lobotka veio do Celta por € 20 milhões; Matteo Politano chegou da Inter por empréstimo e compra vinculada; e Diego Demme veio do RB Leipzig por € 12 milhões. Todos são jogadores que já entraram no time e tem jogado com alguma constância, mudando parte do estilo do time.

Demme e Lobotka são jogadores mais pesados de meio-campo, capazes de melhorar a fisicalidade do time e o poder de marcação, algo que parecia estar fazendo falta para o estilo de jogo que Gattuso costuma gostar. Politano dá opção pelo lado do campo, com um bom chute e habilidade. Estava sem jogar na Inter e não contava com a simpatia de Antonio Conte, então sua ida ao Napoli foi facilitada.

O cara do time no momento

Lorenzo Insigne é o capitão e segue como principal destaque do Napoli. O ponta é habilidoso, rápido e inteligente. Tem um bom chute a gol, um bom passe e costuma ser um jogador perigoso em todos os aspectos do jogo. Ainda que seu rendimento não seja constante nesta temporada, como de todo o Napoli, ele deve ser um jogador para ficar de olho.

Um nome para ficar de olho

Fabián Ruiz é um meio-campista bastante técnico, que tem boa presença física, é alto – 1,89 metro – e chuta muito bem de fora da área. Joga pelo centro do meio-campo ou aberto pelo lado esquerdo. Canhoto, ele é um jogador criativo que já é visado por muitos clubes por seu potencial, já que tem 23 anos. Ex-jogador do Betis e Elche, se tornou jogador da seleção espanhola em 2019, com o técnico Roberto Moreno. Foi, inclusive, titular do time. Ainda não se sabe se será mantido com a volta de Luis Enrique ao comando. Seja como for, é um jogador para ficar de olho, porque pode fazer a diferença.

Calcanhar de Aquiles

O Napoli tem tido muitos problemas para defender. O time sofre na bola aérea, em passes em profundidade e também em contra-ataques. Falta ao time uma melhor capacidade de interromper as jogadas e isso faz com que os adversários criem muitas chances. Além de problemas táticos, o time ainda pode ter problemas com Kalidou Koulibaly, que ainda é dúvida por uma lesão. Gattuso tem melhorado a defesa do Napoli, mas não a ponto de estar na ponta dos cascos para enfrentar um time perigoso como o Barcelona.

A avaliação atual sobre o treinador

Gattuso recebeu uma chance inesperada com a sua ida para o Napoli em dezembro. Sua chegada foi vista com desconfiança, mas é fato que o time melhorou o seu desempenho. Gattuso tem ganhado confiança especialmente porque nos jogos grandes o time tem estado à altura. Ainda falta consistência e esse é um problema para o time na Serie A, especialmente para brigar por uma vaga na próxima Champions League, o que está difícil. Em jogos eliminatórios, porém, o Napoli tem sido capaz de incomodar muito os grandes times. Não por acaso bateu Lazio, Juventus e Inter recentemente. Gattuso tem a chance no Napoli de mostrar que pode, sim, ser um grande técnico. E ir bem na Europa seria certamente uma grande forma de mostrar isso.

NA TV

Napoli x Barcelona
Terça, 25/02 – TNT, Facebook EI, EI Plus (Clique aqui, assine e ganhe 7 dias grátis)

Barcelona x Napoli
Quarta, 18/03 – Facebook EI, EI Plus (Clique aqui, assine e ganhe 7 dias grátis)