Das partidas que ainda restam nas oitavas da Champions, sem dúvidas é a que está mais próxima de uma definição. E nem é só o resultado do primeiro jogo, com um triunfo do Bayern de Munique em Stamford Bridge que não deixou margem às dúvidas. Os bávaros voltam mais inteiros fisicamente, ainda que sem o mesmo ritmo competitivo do Chelsea, e longe do peso dos desfalques que os Blues precisarão contornar. Será uma ocasião favorável para que os alemães voltem às atividades e possam provar seu favoritismo na reta final.

Depois das conquistas da Bundesliga e da Pokal, o Bayern poderá repetir a tríplice coroa de sete anos atrás. O retrospecto da equipe de Hansi Flick permite acreditar nisso, bem como a fase favorável de diversos jogadores. O Chelsea cumpriu seu objetivo ao se garantir no G-4 da Premier League, embora o vice na Copa da Inglaterra tenha deixado um gosto amargo no último final de semana. Mas, até pela idade dos atletas, fica claro que o projeto liderado por Frank Lampard é para o futuro.

Como foi o primeiro jogo

O fato de atuar em Stamford Bridge não intimidou o Bayern de Munique. A equipe de Hansi Flick ratificou sua excelente fase ao conquistar a vitória por 3 a 0, numa das melhores exibições do clube nesta temporada – e isso não é pouco, considerando o nível estabelecido desde a chegada do treinador. Além de dominar a posse de bola, os bávaros também marcaram alto e forçaram muitos erros dos londrinos. Faltou apenas o gol durante o primeiro tempo, entre algumas boas chances desperdiçadas, as defesas de Willy Caballero e também uma bola de Thomas Müller que estalou o travessão.

Contra um adversário inócuo, o Bayern fez valer sua superioridade durante o segundo tempo. Logo nos primeiros minutos, anotou dois gols. O primeiro veio em tabela entre Robert Lewandowski e Serge Gnabry, com o polonês servindo de garçom para o alemão marcar. Pois a combinação se repetiria em contra-ataque, com um passe de Lewa nas costas da defesa para Gnabry fazer mais um na sequência. Sem que os bávaros diminuíssem o ritmo, o jogo estaria morto aos 30. Alphonso Davies protagonizou grande jogada pela esquerda e cruzou rasteiro para Lewandowski concluir.

O Chelsea sequer esboçou reação e, para piorar, ainda teria problemas durante os minutos finais. Marcos Alonso foi expulso com o vermelho direto, ao pegar Lewandowski sem bola. Os Blues se mostraram uma equipe distante de estar pronta e que não pôde competir com um Bayern em afirmação. A próprias estatísticas dão conta da diferença entre os oponentes, com os bávaros finalizando 16 vezes contra 9 e com 63% de posse de bola.

O que aconteceu nos últimos meses

Bayern

Se o começo do ano parecia bom o suficiente ao Bayern, a retomada da Bundesliga conseguiu ser ainda melhor. O time de Hansi Flick não atuou em intensidade máxima durante todo o tempo, mas sobrou na reta final de uma Bundesliga que se prometia equilibrada. Foram 11 vitórias em 11 compromissos a partir de maio, com os títulos na liga e na copa, além de vitórias contra alguns dos principais oponentes na Alemanha. Os bávaros não sabem o que é perder um jogo oficial desde o início de dezembro, com 26 vitórias e um mísero empate desde então.

A máquina anda muito bem azeitada, especialmente pela maneira como vários jogadores têm chamado a responsabilidade. Diferentemente do que acontecia com Niko Kovac, não é só Robert Lewandowski que tem carregado o time. Hansi Flick pareceu fazer mágica ao recuperar o melhor de jogadores como Thomas Müller e Jérôme Boateng. Manuel Neuer é outro que voltou a inspirar mais confiança e, sobretudo, anda saudável. Dentre os mais rodados, ainda há o destaque a David Alaba, que precisou virar zagueiro e se deu muito bem na nova função.

Mais do que isso, nota-se outros tantos com fome de bola. Alphonso Davies, sem dúvidas, é a revelação da temporada. Existiam reticências sobre a utilização do canadense na lateral e ele virou um dos melhores da posição. No meio-campo, a regularidade impressionante de Joshua Kimmich encontra par com a aclimatação de Leon Goretzka, além da própria maestria de Thiago. Já na ponta, quem costuma desequilibrar é Serge Gnabry, e o alemão tem aparecido especialmente bem nos jogos grandes desta Champions – virando carrasco dos londrinos.

Chelsea

Não dá para dizer que o Chelsea se transformou desde aquela derrota para o Bayern, mas a equipe assimilou lições. Tanto é que os Blues iriam para a pausa da pandemia com alguns resultados expressivos, ao derrotarem o Liverpool pela FA Cup e golearem o Everton na Premier League. Já a retomada das atividades igualmente guardou boas atuações do time de Frank Lampard, mas não no nível de perfeição que se nota no Bayern. É um time com suas carências, afinal, e que já tem mostrado no próprio mercado de transferências como pretende se fortalecer.

Desde a retomada das atividades, o Chelsea conquistou algumas vitórias expressivas. A equipe bateu adversários como Manchester City, Leicester, Manchester United e Wolverhampton. As oscilações, porém, também renderam tropeços sentidos e que quase ameaçaram o posto no G-4 da Premier League. Além do mais, na maior ocasião desde a volta, o time não segurou Pierre-Emerick Aubameyang e tomou a virada do Arsenal na decisão da Copa da Inglaterra. Ganhar do Bayern não parece impossível, mas tirar a diferença na Allianz Arena é outra história.

O próprio desafio de Frank Lampard se torna maior com os muitos desfalques da equipe por lesão ou por contusão. Perder Christian Pulisic e possivelmente Willian, os dois jogadores que mais conseguiram garantir resultados nas últimas semanas, é um problema e tanto. Não seria surpreendente, pelas peças à disposição, que os Blues adotassem uma postura mais reativa em Munique – mesmo precisando tirar os três gols de diferença. Diante de todas as dificuldades para reverter o cenário, os londrinos voltam seus pensamentos bem mais em evitar os danos e se preparar ao próximo ano.

Os problemas que surgiram

Bayern

O maior entrave ao Bayern estará mesmo no ritmo de jogo da equipe. A final da Copa da Alemanha aconteceu há mais de um mês e os bávaros precisarão religar os motores para a reta final da Champions. Não é um problema tão grande assim, pensando no desgaste físico do Chelsea, mas é um ponto que se torna importante pensando em outros oponentes. Além do mais, Hansi Flick terá que se virar sem Benjamin Pavard na lateral, uma posição desguarnecida do elenco. A tendência é que Kimmich reapareça por ali, apesar da perda que representa ao meio-campo. Álvaro Odriozola, o eventual reserva, pouco atuou na temporada.

Chelsea

É até difícil imaginar como o Chelsea será escalado contra o Bayern. Afinal, são sete jogadores descartados e outros dois em dúvida. Desta maneira, mesmo as atuações desligadas de tempos recentes deixam de ser o foco. Marcos Alonso e Jorginho estão suspensos. Entre os lesionados, Christian Pulisic e César Azpilicueta representam as principais perdas. E ainda não há certeza se Willian ou N’Golo Kanté poderão atuar. O caminho a ser adotado por Frank Lampard deve se focar na proteção de uma defesa pouco confiável, que segue sem ter um goleiro titular totalmente definido, embora a tendência seja de que Willy Caballero siga jogando. Dá até para montar um time titular competitivo, mas a margem de manobra é mínima.

Um cara que vem em alta

Bayern

Que vários jogadores tenham rendido bem na reta final da temporada alemã, não dá para citar outro nome além de Robert Lewandowski. O polonês é candidatíssimo aos prêmios individuais que serão entregues neste ano, com a impressionante marca de 52 gols em 43 partidas pelo clube. Foi o artilheiro da Bundesliga, com 34 tentos em 31 aparições, e também da Copa da Alemanha. Além disso, ocupa o topo da lista de goleadores na Champions, com 11 gols até aqui. Não fosse a modificação no formato do torneio, dava para acreditar que ele poderia bater o recorde de 17 tentos em uma única edição, estabelecido por Cristiano Ronaldo.

Lewa costuma ser bastante cobrado por seu rendimento nos mata-matas da Champions, às vezes de maneira até exagerada. Não parece existir momento mais favorável para que o centroavante se prove, como o protagonista de uma equipe engrenada. Mesmo quando não esteve tão bem, a exemplo da final da Copa da Alemanha, ele ainda tratou de guardar um ou dois gols. Contando apenas as partidas nesta retomada, o polonês só passou em branco uma vez – contra o Dortmund. Foram 12 gols em 10 aparições. E vale lembrar que ele quase foi desfalque na sequência da Champions em março, ao se lesionar contra o próprio Chelsea, mas ganha uma nova chance de fazer valer seu talento.

Chelsea

As escolhas mais óbvias do Chelsea não estarão presentes no jogo ou seguem em dúvida. Olhando por quem terminou em alta a temporada e vai à batalha em Munique, o nome natural seria Olivier Giroud. De praticamente descartado por Lampard, o centroavante recuperou seu espaço entre os titulares e balançou as redes com uma regularidade impressionante nesta reta final de campanha. Foram seis tentos nos últimos oito jogos, além da assistência para Pulisic abrir o placar na Copa da Inglaterra. Mas para que a bola chegue até o francês, os outros homens da criação terão que assumir um fardo maior, com os desfalques. E, até pensando no futuro, vale observar Mason Mount.

O meia de 21 anos já vinha de uma temporada bastante positiva, pensando a parca experiência no nível profissional. Ainda assim, algumas das principais vitórias do Chelsea nas últimas semanas tiveram participação ativa de Mount. O armador saiu-se muito bem contra o Manchester United na semifinal da Copa da Inglaterra, deixando sua marca, e também protagonizou a vitória sobre o Wolverhampton na partida final da Premier League, confirmando a classificação à próxima Champions. Pode ter seus lampejos, tanto pela visão de jogo quanto pela maneira como abre a marcação.

As chances de sonhar com a Champions

Bayern

O favoritismo na Champions permanece com o Bayern, mesmo com a paralisação de cinco meses. Obviamente, não há qualquer garantia em uma competição de mata-matas e a ideia de jogo único abre margem às surpresas. Mas pelo futebol apresentado durante esta temporada e pelo elenco que tem à disposição, os alemães têm condições de buscar o hexa continental. E virão fortes para isso, com todas as alternativas de jogo presentes na equipe de Hansi Flick.

Chelsea

Por todas as circunstâncias, é muito difícil imaginar uma reviravolta que coloque o Chelsea nas quartas de final. Logicamente, os Blues não devem abrir mão da esperança. Mas também podem considerar a importância da experiência em pegar o Bayern na Allianz Arena e testar o jovem time a saltos maiores nas próximas campanhas – o que há totais condições de acontecer.

Onde assistir

Bayern de Munique x Chelsea
Sábado, 8 de agosto, 16h (horário de Brasília)
TNT, Facebook do Esporte Interativo, EI Plus

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