E começou! No último fim de semana, o Campeonato Inglês 2007/8 teve sua primeira rodada. É hora, então, de fechar nossa apresentação da temporada da Premier League, com os sete times que estavam faltando: Newcastle, Portsmouth, Reading, Sunderland, Tottenham, West Ham e Wigan.

E vale lembrar: como o mercado de transferências ainda está aberto, continuaremos atualizando as contratações nesta página, até o dia 31 de agosto.

Newcastle United Football Club

Estádio: St. James’ Park (52.400 pessoas)
Principal jogador: Alan Smith (meia)
Fique de olho: José Enrique (defensor)
Competição continental que disputa: nenhuma
Contratações: Mark Viduka (atacante, Middlesbrough, passe livre), Joey Barton (meia, Manchester City, € 8,5 milhões), David Rozehnal (meia, PSG-FRA, € 4,3 milhões), Geremi (meia, Chelsea, passe livre), Alan Smith (meia, Manchester United, € 8,8 milhões), Claudio Caçapa (defensor, Lyon-FRA, passe livre), José Enrique (defensor, Villarreal-ESP, € 9,3 milhões), Habib Beye (defensor, Olympique de Marselha-FRA, valor não divulgado), Abdoulaye Faye (meia, Bolton, valor não divulgado)
Deixaram o time: Titus Bramble (defensor, Wigan, passe livre), Antoine Sibierski (meia, Wigan, passe livre), Scott Parker (meia, West Ham, € 10,3 milhões), Alan O'Brien (meia, Hibernian-ESC, passe livre), Craig Moore (defensor, passe livre), Olivier Bernard (defensor, passe livre), Kieron Dyer (meia, West Ham, € 9 milhões), Nolberto Solano (meia, West Ham, passe livre), Paul Huntington (defensor, Leeds, valor não divulgado)
Técnico: Sam Allardyce
Objetivo na temporada: vaga na Copa Uefa

O técnico Sam Allardyce é o nome que traz esperança aos torcedores do Newcastle de que seu clube deixará de ser motivo de piada para finalmente causar impacto na Premier League. E os sinais, de fato, são bons: o ex-treinador do Bolton já arrumou um pouco o elenco e equilibrou bem o time.

Aliás, apesar do fracasso dos Magpies em temporadas recentes, deve-se lembrar que o time tem um elenco bom, que não deve em nada aos outros candidatos a vagas na Copa Uefa. Com Allardyce trazendo a respeitabilidade de volta ao clube, não há porque não acreditar que o Newcastle possa beliscar uma vaguinha no torneio.

Vale também uma menção à interessante campanha de contratações, que trouxe nomes de ‘segundo escalão’. Não que Viduka, Geremi, Smith ou Barton farão o Newcastle dar um salto de qualidade, mas eles contribuem para aumentar o número de opções de Allardyce, o que contribui para aumentar a briga por vagas e diminuir o impacto de eventuais confusões. Desde que a torcida não espere grandes milagres, 2007/8 promete ser uma boa temporada para a equipe do norte inglês.

Portsmouth Football Club

Estádio: Fratton Park (20.200 pessoas)
Principal jogador: David James (goleiro)
Fique de olho: Dave Nugent (atacante)
Competição continental que disputa: nenhuma
Contratações: David Nugent (atacante, Preston, € 8,9 milhões), Sylvain Distin (defensor, Manchester City, passe livre), Hermann Hreidarsson (defensor, Charlton, passe livre), Sulley Muntari (meia, Udinese-ITA, € 10,3 milhões), Martin Cranie (defensor, Southampton, passe livre), Callum Reynolds (atacante, Rushden & Diamonds, valor não divulgado), John Utaka (atacante, Rennes-FRA, € 10,3 milhões), Arnold Mvuemba (meia, Rennes-FRA, passe livre), Glen Johnson (defensor, Chelsea, € 5,9 milhões), Pape Bouba Diop (meia, Fulham, valor não divulgado)
Deixaram o time: Svetoslav Todorov (atacante, Charlton, passe livre), Andy Griffin (defensor, Derby, passe livre), Collins Mbesuma (atacante, Bursaspor-TUR, valor não divulgado), Daryl Fordyce (meia, passe livre), Lomana Lua-Lua (atacante, Olympiacos-GRE, € 3 milhões), Andy O’Brien (defensor, Bolton, valor não divulgado), Andy Cole (atacante, Sunderland, passe livre), Dejan Stefanovic (defensor, Fulham, € 1,5 milhão), Gary O'Neil (meia, Middlesbrough, valor não divulgado)
Técnico: Harry Redknapp
Objetivo na temporada: vaga na Copa Uefa

No papel, não há nenhuma dúvida de que o Portsmouth desta temporada é mais forte que o do campeonato anterior. Embora os valores pagos tenham sido meio altos demais, não há dúvidas que nomes como David Nugent, Sylvain Distin, Sulley Muntari e John Utaka têm muito a adicionar ao Pompey.

Além disso, as oito contratações aumentam as opções no elenco e tornam o Portsmouth menos propensos às oscilações da temporada anterior.

O problema do time é o seguinte: qual é, exatamente, o objetivo do Portsmouth? O clube gastou quase € 30 milhões em contratações, mas mesmo assim é difícil imaginar que ele consiga muito mais que o nono lugar da temporada passada. Além disso, não dá para sentir firmeza no técnico Harry Redknapp. Se não houver grandes surpresas, Pompey deve ficar lá no meião da tabela mesmo.

Reading Football Club

Estádio: Madejski Stadium (24.200 pessoas)
Principal jogador: Nicky Shorey (defensor)
Fique de olho: Shane Long (atacante)
Competição continental que disputa: nenhuma
Contratações: Kalifa Cissé (meia, Boavista-POR, € 1,5 milhão), Emerse Faé (meia, Nantes-FRA, € 3,7 milhões), André Bikey (defensor, Lokomotiv Moscow-RUS, € 1,5 milhão)
Deixaram o time: Steve Sidwell (meia, Chelsea, passe livre), Greg Halford (defensor, Sunderland, € 3,7 milhões), Jonathan Hayes (meia, MK Dons, empréstimo)
Técnico: Steve Coppell
Objetivo na temporada: ficar tranqüilo no meio da tabela

Depois de uma surpreendente campanha em 2006/7, o Reading tenta evitar a temível ‘síndrome da segunda temporada’, que afetou recentemete times como Wigan e West Ham, entre outros.

A estratégia dos Latics para evitar uma queda acentuada de rendimento foi manter a base do campeonato passado, concentrando as forças em manter seus principais jogadores – o que foi conseguido, apesar das perdas de Sidwell e Halford –, em vez de trazer reforços.

O grande problema para a equipe é que, nesta temporada, a maioria dos times se reforçou bastante. Dessa forma, ficar parado equivale a andar para trás. Mesmo assim, o confortável oitavo lugar conseguido na temporada passada parece dar uma relativa segurança de que o rebaixamento não será problema. Um ano sem graça, perto da 15ª posição, parece ser o prognóstico mais provável para este time bem organizado, mas inegavelmente pobre em talento.

Sunderland Association Football Club

Estádio: Stadium of Light (48.300 pessoas)
Principal jogador: Michael Chopra (atacante)
Fique de olho: Roy O’Donovan (atacante)
Competição continental que disputa: nenhuma
Contratações: Paul McShane (defensor, West Brom, € 2,2 milhões), Dickson Etuhu (meia, Norwich, € 2,2 milhões), Kieran Richardson (meia, Manchester United, € 8,1 milhões), Michael Chopra (atacante, Cardiff, € 7,4 milhões), Russell Anderson (defensor, Aberdeen-ESC, € 1,5 milhão), Greg Halford (defensor, Reading, € 3,7 milhões), Craig Gordon (goleiro, Hearts-ESC, € 13,3 milhões), Roy O’Donovan (atacante, Cork-IRL, valor não divulgado), Andy Cole (atacante, Portsmouth, passe livre), Ian Harte (defensor, Levante-ESP, passe livre), Kenwyne Jones (atacante, Southampton, € 8,9 milhões), Danny Higginbotham (defensor, Stoke, € 3,7 milhões)
Deixaram o time: Stephen Wright (defensor, Stoke, empréstimo), Stephen Elliott (atacante, Wolverhampton, valor não divulgado), Arnau Riera (meia, Falkirk-ESC, empréstimo), Kenny Cunningham (defensor, passe livre), Tommy Miller (meia, Ipswich, passe livre), Stern John (atacante, Southampton, valor não divulgado)
Técnico: Roy Keane
Objetivo na temporada: escapar do rebaixamento

Quem diria… Roy Keane parece ser um bom técnico de futebol. Na temporada passada, em seu primeiro trabalho como treinador, o irlandês pegou um irregular Sunderland e o levou ao título da segunda divisão. Tão bom foi o desempenho do técnico que ele é apontado como um dos pontos fortes dos Black Cats para esta temporada.

Keane à parte, não pode-se deixar de notar que o Sunderland gastou quase € 40 milhões em contratações – o que é uma fortuna, para um time recém-promovido. Melhor ainda é o fato de que o dinheiro foi bem gasto, com contratações que dão solidez ao time, como Richardson e Chopra, e nomes que aumentam o leque de opções do elenco – problema muito comum em equipes ‘pequenas’.

Destaque também para a contratação do goleiro Craig Gordon – a mais cara de um jogador da posição no Reino Unido. Mais do que um bom reforço, ela mostra como o Sunderland de Keane está com moral. Mesmo com o bom elenco e o otimismo, a equipe começa a temporada com o simples objetivo de escapar do rebaixamento – mas tem boas chances de conseguir muito mais do que isso e fazer uma boa campanha na Premier League.

Tottenham Hotspur Football Club

Estádio: White Hart Lane (36.200 pessoas)
Principal jogador: Dimitar Berbatov (atacante)
Fique de olho: Younes Kaboul (defensor)
Competição continental que disputa: Copa Uefa
Contratações: Gareth Bale (defensor, Southampton, € 7,4 milhões), Darren Bent (atacante, Charlton, € 24,4 milhões), Younes Kaboul (defensor, Auxerre-FRA, € 11,1 milhões), Adel Taarabt (meia, Lens-FRA, valor não divulgado), Kevin-Prince Boateng (meia, Hertha Berlin-ALE, valor não divulgado), Yuri Berchiche (defensor, Athletic Bilbao-ESP, valor não divulgado), Danny Rose (meia, Lens-FRA, valor não divulgado)
Deixaram o time: Reto Ziegler (meia, Sampdoria-ITA, valor não divulgado), Mark Yeates (atacante, Colchester, valor não divulgado), Emil Hallfredsson (meia, Lyn-NOR, valor não divulgado), Charlie Daniels (meia, Leyton Orient, empréstimo), Mido (atacante, Middlesbrough, valor não divulgado)
Técnico: Martin Jol
Objetivo na temporada: vaga na Liga dos Campeões

Agora é a hora da verdade para o Tottenham. Nas últimas duas temporadas, o time de Martin Jol estabeleceu-se com relativa segurança como o quinto melhor da Premier League. Mas isso não é suficiente: em 2007/8, para se dar por satisfeito, os Spurs precisam conseguir uma vaga na Liga dos Campeões.

Com o dinheiro que o time gastou em reforços (€ 43 milhões), isso não é pedir demais. A defesa, que era o ponto fraco do time, recebeu a adição dos promissores Kaboul e Bale e tem recebido mais atenção do técnico. No ataque, chegou o caríssimo Darren Bent, para aumentar ainda mais o poder de fogo de um setor que já tem Berbatov, Robbie Keane e Defoe. Some-se a isso um bom número de atletas de nível de seleção e dá para concluir que o time dos Spurs é forte em todas as áreas, apesar de bastante jovem.

Mas será ele forte o suficiente para dar o grande passo e entrar no ‘top 4’? Isso ainda parece difícil. Falta ao Tottenham um craque ‘world class’, daqueles que carregam o time nas costas, nos momentos difíceis. Além disso, a pressão por resultados deve começar a atrapalhar. Para poder chegar à Liga dos Campeões, o time terá que contar com uma queda de produção do arqui-rival Arsenal. Se não, pode esperar uma reformulação no próximo verão.

West Ham United Football Club

Estádio: Boleyn Ground (35.500 pessoas)
Principal jogador: Kieron Dyer (meia)
Fique de olho: Mark Noble (meia)
Competição continental que disputa: nenhuma
Contratações: Scott Parker (meia, Newcastle, € 10,3 milhões), Craig Bellamy (atacante, Liverpool, € 11 milhões), Freddie Ljungberg (meia, Arsenal, € 4,5 milhões), Julien Faubert (meia, Bordeaux-FRA, € 9 milhões), Richard Wright (goleiro, Everton, passe livre), Kieron Dyer (meia, Newcastle, € 9 milhões), Nolberto Solano (meia, Newcastle, passe livre)
Deixaram o time: Yossi Benayoun (meia, Liverpool, € 7,4 milhões), Paul Konchesky (defensor, Fulham, € 4,8 milhões), Marlon Harewood (atacante, Aston Villa, € 5,9 milhões), Nigel Reo-Coker (meia, Aston Villa, € 12,6 milhões), Tyrone Mears (defensor, Derby, € 1,5 milhão), Shaun Newton (meia, Leicester, passe livre), Roy Carroll (goleiro, Rangers-ESC, passe livre), Teddy Sheringham (atacante, Colchester, passe livre), Carlos Tevez (atacante, Manchester United, valor não divulgado)
Técnico: Alan Curbishley
Objetivo na temporada: vaga na Copa Uefa

O verão foi bem agitado no West Ham. Não bastasse o processo movido pelo Sheffield United, que ainda não se conforma por ter sido rebaixado, e a briga com a MSI pelos direitos sobre Tevez, os Hammers ainda se envolveram em 15 transações nas férias.

A questão não é tanto a quantidade, mas sim a qualidade das mudanças no time. Tanto nas contratações quanto nas saídas, houve vários jogadores importantes envolvidos. Parker, Bellamy, Ljungberg, Faubert e Dyer são contratações invejáveis, para um time de porte médio para pequeno, como o West Ham. Por outro lado, a equipe perdeu Benayoun, Reo-Coker e Tevez, três de seus mais talentosos nomes.

Tudo isso torna os Hammers uma grande incógnita. O excesso de mudanças pode tornar o ambiente instável e fazer o time ‘implodir’. Por outro lado, além das boas contratações, os londrinos contam com a volta de Ashton e Upson, dois excelentes nomes que quase não jogaram na última temporada, por contusão. Não seria impossível o West Ham conseguir até uma vaga na Copa Uefa. Entre o céu e o inferno, o mais provável acaba sendo uma temporada tranqüila no meio da tabela.

Wigan Athletic Football Club

Estádio: JJB Stadium (25.000 pessoas)
Principal jogador: Antoine Sibierski (meia)
Fique de olho: Ryan Taylor (defensor)
Competição continental que disputa: nenhuma
Contratações: Titus Bramble (defensor, Newcastle, passe livre), Antoine Sibierski (meia, Newcastle, passe livre), Mario Melchiot (defensor, Rennes-FRA, passe livre), Andreas Granqvist (defensor, Helsingborgs-SUE, valor não divulgado), Jason Koumas (meia, West Brom, € 7,8 milhões), Michael Brown (meia, Fulham, valor não divulgado), Antonio Valencia (meia, Villarreal-ESP, empréstimo), Carlo Nash (goleiro, Preston, € 450 mil), Salomon Olembé (defensor, Olympique de Marselha-FRA, passe livre)
Deixaram o time: Matt Jackson (defensor, Watford, passe livre), Arjan de Zeeuw (defensor, Coventry, passe livre), Lee McCulloch (atacante, Rangers-ESC, € 3,3 milhões), Leighton Baines (defensor, Everton, € 8,8 milhões), David Unsworth (defensor, Burnley, passe livre), Andreas Johansson (meia, Aalborg-DIN, passe livre)
Técnico: Chris Hutchings
Objetivo na temporada: escapar do rebaixamento

Os sinais são preocupantes para o Wigan. Depois de sofrer com a ‘síndrome da segunda temporada’ e só escapar do rebaixamento na última rodada, o time não fez uma grande campanha de reforços no verão e tem à frente uma temporada lutando para não cair.

Entre perdas e reforços, dá para dizer que o time ficou na mesma. A defesa é um setor que deverá sofrer bastante, com as saídas de De Zeeuw e Baines. Para seus lugares, foram trazidos Bramble e Melchiot, que não inspiram a menor confiança. Por outro lado, os meias Sibierski, Koumas e Brown dão um acréscimo significativo de qualidade no meio-campo.

Mas a maior perda parece estar no banco de reservas. O técnico Paul Jewell deixou o clube no fim da temporada passada e em seu lugar entrou Chris Hutchings, mais lembrado pela desastrosa passagem pelo Bradford, onde substituiu justamente Paul Jewell. A não ser que o treinador tenha melhorado muito desde então, o Wigan terá uma temporada bem difícil pela frente.

CURTAS

– O começo do Campeonato Inglês foi bem interessante.

– Embora Chelsea, Liverpool e Arsenal tenham vencido suas partidas, nenhum deles o fez com facilidade.

– As partidas, em geral, tiveram bom nível técnico, e os times pequenos e médios parecem ter conseguido uma razoável melhora de qualidade.

– Uma das decepções das duas primeiras rodadas é o Manchester United.

– O time de Alex Ferguson empatou seus dois jogos, contra os limitados Reading e Portsmouth – e já está quatro pontos atrás do Chelsea…

– Por falar nos Blues, eles completaram 64 jogos invictos em casa, em jogos do Campeonato Inglês.

– Esse número é um recorde, na história da primeira divião inglesa.