Veja também a primeira e a segunda parte do Guia da Ligue 1.
Lille

Nome: LOSC Lille Métropole
Fundação: 1944
Site oficial: www.losc.fr
Estádio: Grand Stade Lille Métropole (50.186 pessoas)
Técnico: Rudi Garcia
Colocação em 2011/12:
Competição europeia: Liga dos Campeões (entrou nos playoffs)
Destaque: Salomon Kalou
Principais reforços: Steeve Elana (Brest), Salomon Kalou (Chelsea/ING), Viktor Klonaridis (AEK/GRE), Marvin Martin (Sochaux), Djibril Sidibe (Troyes), Jerry Vandam (Caen), Omar Wade (Boluspor/TUR)
Objetivo na temporada: título francês e vaga na Liga dos Campeões

O Lille tem um estádio cheirando a novo e quer fazer da inauguração dele o marco de uma nova era para o clube. Os Dogues chegam com apetite voraz para a temporada, como se comprovou com sua movimentação na janela de transferências. Se por um lado perdeu Eden Hazard, o LOSC soube usar muito bem os € 40 milhões recebidos com a venda do belga. Para ajeitar seu meio-campo, o time contratou Marvin Martin, principal nome do Sochaux, por € 10 milhões. Para o ataque, Salomon Kalou chega para suprir a ausência de Hazard. O melhor: ele veio de graça do Chelsea. Após uma eliminação prematura na Liga dos Campeões passada, quando não passou em uma chave bastante acessível, o Lille tem logo pela frente um desafio decisivo para seus rumos em 2012-13. A derrota para o Kobenhavn no jogo de ida dos playoffs da LC já deixou a equipe em alerta pelo risco de naufrágio poucos instantes após seu barco zarpar.

Ir para um estádio com capacidade para 50 mil pessoas dá uma boa ideia de como o Lille pensa grande, mas dentro de uma realidade plausível. O técnico Rudi Garcia disse que o LOSC luta pelo segundo lugar da Ligue 1, já que o primeiro parece fadado ao PSG e seus reforços de outro mundo. Pouco utilizado no Chelsea, Kalou tenta repetir o bom desempenho de seu irmão Bonaventure (com passagens por Auxerre, PSG e Lens) e de Joe Cole (que trocou o futebol inglês pelo francês e já deixou o Lille) na Ligue 1 A seu favor, está o fato de atuar em qualquer posição no ataque, além de sua experiência. Terceiro colocado na última edição do Francês, o LOSC tem motivos de sobra para sonhar com o título.

Lyon

Nome: Olympique Lyonnais
Fundação: 1899/1950
Site oficial: www.olweb.fr
Estádio: Gerland (41.842 pessoas)
Técnico: Rémi Garde
Colocação em 2011/12: 4º
Competição europeia: Liga Europa (fase de grupos)
Destaque: Lisandro López
Principais reforços: Loïc Abenzoar (Vannes), Ishak Belfodil (Bologne), Milan Bisevac (Paris Saint-Germain), Mathieu Gorgelin (Red Star), Harry Novillo (Le Havre), Enzo Reale (Boulogne)
Objetivo na temporada: vaga em competições europeias

Os torcedores do Lyon devem esperar a continuação do filme visto na última temporada.  A equipe continua seu processo de reformulação e contenção de gastos e, por isso, não chama tanto a atenção como em um passado recente. Nada de contratações estrondosas nem loucuras financeiras; o trabalho será em cima da nova geração lionesa, com cada vez mais espaço dentro do time. Em sua primeira temporada no comando do OL, Rémi Garde foi bem com um elenco limitado. O treinador levou o time à conquista da Copa da França e ao quarto lugar da Ligue 1. Embora esta tenha sido a pior colocação dos lioneses no torneio nos últimos 14 anos, Garde realizou um trabalhou muito bom para quem tinha em mãos um time que tentava se adaptar à nova realidade.

As atenções da diretoria estão voltadas para a construção do Grand Stade, mas isso não quer dize que a cobrança em cima da equipe será menor. Michel Bastos, Lisandro López e Hugo Lloris sabem que precisam manter o time entre as principais forças do país durante este período de obras. A classificação para uma das copas continentais permanece como a principal meta, muito embora a Liga dos Campeões pareça bem distante. Yoann Gourcuff enfim teve a chance de fazer uma pré-temporada completa, algo extremamente valioso para quem está devendo e sofre com problemas físicos há um bom tempo. O meia tem mais uma chance de calar seus críticos e ser o comandante da nova geração lionesa. Com as saídas de Källström e Éderson, Gourcuff ganha ainda mais responsabilidade para exercer este papel de líder e cérebro de um time em fase embrionária. No entanto, o meia não tem a companhia da sorte e sofreu mais uma lesão, desta vez no joelho direito. Há até quem veja o jovem atacante Yassine Benzia como o novo Benzema, mas tudo a seu tempo.

Montpellier

Nome: Montpellier Hérault Sport Club
Fundação: 1974
Site oficial: www.mhscfoot.com
Estádio: de la Mosson (32.900 pessoas)
Técnico: René Girard
Colocação em 2011/12: 1º
Competição europeia: Liga dos Campeões (fase de grupos)
Destaque: Mapou Yanga-Mbiwa
Principais reforços: Gaëtan Charbonnier (Angers), Daniel Congré (Toulouse), Adrien Coulomb (Vannes), Emmanuel Herrera (Union Española/CHI), Bengali Koïta (Lens), Guillaume Legras (Martigues), Jonas Martin (Amiens), Teddy Mezague (Martigues), Anthony Mounier (Nice)
Objetivo na temporada: vaga em competições europeias

No mundo da música, o segundo álbum de um cantor (a) ou banda que fez sucesso em sua estreia determina se o artista em questão terá sucesso duradouro ou será lembrado como “one hit wonder”. Após a inédita conquista do título francês, o Montpellier vive sua temporada de provação. O MHSC tem agora uma pressão que não estava sobre seus ombros em 2011/12, algo até então impensável para um time pequeno. Curiosamente, a conquista da taça pode representar uma queda das mais doloridas. Há exemplos de sobra para ilustrar o que acontece com equipes menores que disputam a fase de grupos da Liga dos Campeões. O risco de vexames na LC e desempenho irregular na Ligue 1 cresce se considerarmos que o Montpellier está no pote 4 do sorteio da Champions – ou seja, fatalmente terá pedreiras pela frente e uma classificação para os mata-matas se torna ainda mais improvável.

Claro que a LC traz uma bela injeção de dinheiro aos cofres do clube, mas ainda assim o Montpellier deve encarar o torneio como um aprendizado, e não como uma disputa para valer. O time perdeu seu grande nome ao ver Olivier Giroud (artilheiro da Ligue 1 passada com 21 gols) ser negociado com o Arsenal por € 12 milhões. Esta quantia foi bem utilizada para reforçar o elenco e garantiu a chegada de Gaëtan Charbonnier (promissor atacante vindo do Angers), Daniel Congré, Anthony Mounier e Emmanuel Herrera. Este último, aliás, já mostrou seu cartão de visitas durante a pré-temporada ao marcar cinco gols. Embora tenha mantido grande parte de seu elenco e aposte novamente na força de um grupo de operários, o MHSC está consciente de que repetir sua surpreendente campanha do título será algo quase impossível. Já é um excelente passo para escapar das garras do ostracismo.

Olympique de Marselha

Nome: Olympique de Marseille
Fundação: 1899
Site oficial: www.om.net
Estádio: Vélodrome (42 mil pessoas)
Técnico: Elie Baup
Colocação em 2011/12: 10º
Competição europeia: Liga Europa (entrou na 3ª fase preliminar)
Destaque: André-Pierre Gignac
Principais reforços: Pape M’Bow (AEC Mons/BEL), Leyti N’Diaye (Ajaccio), Alexander Ndoumbou (Orléans), Kévin Osei (Bayonne), Florian Raspentino (Nantes)
Objetivo na temporada: vaga em competições europeias

O fim da era Didier Deschamps no Olympique de Marselha sugeriria mudanças profundas na equipe, mas pouca coisa mudou de fato. A não ser pela chegada do técnico Elie Baup e de seu inconfundível boné, o OM tem praticamente a mesma face exibida na última temporada. O decepcionante 10º lugar na Ligue 1 foi compensado com o título da Copa da Liga Francesa, mas esta taça mal serviu para apagar a frustração pela campanha pouco empolgante. Agora sem o desafeto DD por perto, o diretor esportivo José Anigo dá as cartas sem se incomodar e faz planos para o Olympique ficar entre os cinco primeiros colocados. O discurso otimista, porém, fica comprometido quando se analisa a preparação do OM para 2012/13.

Com as finanças no vermelho, os marselheses estão com o cinto apertado até o último furo. Não dá para considerar a contratação de Florian Raspentino como uma transação que abalou o mercado de transferências. Por outro lado, forma-se uma fila considerável na porta de saída, até como forma de aliviar a folha salarial do elenco. Nomes como os de Azpilicueta, Mbia, André Ayew e Rémy fazem parte de uma liquidação daquelas arrasa-quarteirão. Com um ambiente pouco animador, resta confiar na esperança quase sebastianista de que André-Pierre Gignac voltará a apresentar aquele faro artilheiro que fez sua fama no Toulouse. Assim como Gourcuff no Lyon, ele teve a rara oportunidade de fazer uma pré-temporada completa e que lhe permite esperar um melhor desempenho físico e sem as lesões que tanto o atrapalharam. O estilo de Baup, voltado para a conversa, contrasta com o de Deschamps, enérgico e disciplinador. Vejamos qual será a mágica que sairá de seu boné.

Paris Saint-Germain

Nome: Paris Saint-Germain Football Club
Fundação: 1970
Site oficial: www.psg.fr
Estádio: Parc des Princes (48.712 pessoas)
Técnico: Carlo Ancelotti
Colocação em 2011/12: 2º
Competição europeia: Liga dos Campeões (fase de grupos)
Destaque: Zlatan Ibrahimovic
Principais reforços: Zlatan Ibrahimovic (Milan/ITA), Loïck Landre (Clermont), Ezequiel Lavezzi (Napoli/ITA), Jean-Eudes Maurice (Lens), Thiago Silva (Milan/ITA), Marco Verratti (Pescara/ITA)
Objetivo na temporada: título francês e bom desempenho na LC

O Paris Saint-Germain realizou o sonho de muitos fãs do Tio Patinhas de mergulhar na grana. O Qatar Sports Investments parece despejar seus quaquilhões na caixa-forte do Parc des Princes sem cessar. Dinheiro está longe de ser um problema para o PSG, mas seria a solução para os problemas do clube da capital? O Montpellier já provou que um Fusquinha 66 bem ajeitado pode andar mais do que uma Ferrari último tipo, mas fica difícil acreditar que o raio caia de novo no mesmo lugar. As contratações de Zlatan Ibrahimovic e Thiago Silva repercutiram mundo afora e trouxeram um status jamais visto antes à Ligue 1. Isso sem contar a chegada de Lucas no começo do próximo ano. Maior comprador do futebol mundial, o PSG se prepara para fazer de 2012/13 sua temporada avassaladora e passar seu rolo compressor por cima de quem se colocar à sua frente.

Os números impressionam (mais de € 100 milhões gastos em contratações), mas o PSG tem inúmeros exemplos recentes de que isso não significa coisa alguma. Levou um certo tempo para Chelsea e Manchester City conquistarem seus objetivos e ambos precisaram de muita força para superar a frustração causada por tanta expectativa e seguidos fracassos, naturais para um elenco em formação e em fase de amadurecimento. Este Paris Saint-Germain ainda apresenta fraquezas – talvez a maior delas seja nas laterais. Além disso, Carlo Ancelotti precisará de pulso firme para lidar com jogadores que eram estrelas há muito pouco tempo e agora ficarão no banco para a chegada dos novos astros. A paciência será a maior virtude buscada por todas as partes dentro do time da capital. O primeiro sinal mais forte de desarmonia será suficiente para adiar qualquer pretensão da equipe tanto naLigue 1 como na Liga dos Campeões, sua principal vitrine.

Valenciennes

Nome: Valenciennes Football Club
Fundação: 1913
Site oficial: www.va-fc.com
Estádio: Hainaut (25 mil pessoas)
Técnico: Daniel Sanchez
Colocação em 2011/12: 12º
Competição europeia: não disputa
Destaque: Grégory Pujol
Principais reforços: Francis Massampu (Bayonne), Loris Néry (Saint-Étienne)
Objetivo na temporada: evitar o rebaixamento

Para 2012/13, o Valenciennes procura encontrar sua identidade. O clube perdeu muito de sua força com a saída de Renaud Cohade, um de seus principais jogadores, para o Saint-Étienne e está um busca da confiança perdida. Acostumado a figurar no meio da tabela e sem correr grandes riscos, mas também sem protagonizar grandes campanhas. O medo de que este panorama mude aumentou. O VA viu vários outros atletas se despedindo do clube e não conseguiu encontrar substitutos. A necessidade de fazer algum dinheiro deixa a diretoria de mãos atadas e os próprios jogadores reconhecem a limitação do elenco, ainda mais sem aquele que era o grande responsável por pensar seu jogo.

Sem Cohade e sem alguém com a capacidade de exercer sua função com um mínimo de qualidade, o Valenciennes está órfão de criatividade em seu meio-campo. A qualidade no passe e aquela referência necessária no setor ofensivo também desapareceram. Os amistosos de pré-temporada deixaram a torcida bastante preocupada. Foram cinco partidas contra equipes pequenas e o VA teve um saldo desastroso: dois empates e três derrotas. Resta depositar as esperanças no retorno de Grégory Pujol, recuperado após sofrer uma grave lesão e ficara cerca de oito meses afastado dos gramados. O atacante deve desempenhar papel ainda mais importante para o time. Ele pode atuar mais recuado, ocupando a lacuna deixada por Cohade. Mesmo assim, o Valenciennes perderia força em um ataque que já ressentia de um goleador. O clube usa um cobertor curto e corre grande risco de não sobreviver ao rigoroso inverno que vem pela frente.