Por que acompanhar o grupo

Duas camisas fortes, frequentes na Libertadores nos últimos anos, e que desejam enfim fazer uma campanha mais longa. Racing e Nacional partem como principais candidatos às vagas nas oitavas de final. Fica tudo um pouco em aberto porque ambos trocaram de técnicos na virada do ano. O Alianza Lima também tem sido figurinha carimbada, mas precisaria reverter um histórico recente ruim demais para passar, mesmo que o grupo não inspire tanto medo. O Estudiantes de Mérida foi surpresa no Campeonato Venezuelano, que em si não é o mais norte do continente, e volta ao torneio após um longo inverno. Seu treinador, porém, prometeu jogar para a frente, o que pode ser divertido.

Ambição na Libertadores

Racing

Depois de um longo tempo ausente, o Racing prepara-se para disputar a Libertadores pela quarta vez em seis temporadas. E gostaria de chegar um pouco mais longe. Passou da fase de grupos em todas essas participações recentes, mas duas vezes parou nas oitavas de final, contra Atlético Mineiro (2016) e River Plate (2018). A melhor campanha foi assim que retornou, em 2015, quando perdeu para o Guaraní nas quartas de final.

Nacional

Superou o regulamento maluco do Campeonato Uruguaio – basta dizer que foi campeão na semifinal anual porque não poderia enfrentar a si mesmo na decisão geral – e evitou o tricampeonato do Peñarol, mas anda devendo uma boa campanha na Libertadores. Nos últimos dez anos, passou cinco vezes ao mata-mata e chegou às quartas de final apenas uma vez, 2016, quando perdeu do Boca Juniors.

Alianza Lima

O clube peruano disputou a Libertadores cinco vezes desde que chegou às oitavas de final em 2010 e venceu apenas uma de suas 22 partidas, contra o Nacional, em 2012. Foi lanterna de seu grupo nas últimas duas participações com o incrível retrospecto de dois empates e dez derrotas, com três gols marcados e 25 sofridos. Então ganhar um jogo já seria legal.

Estudiantes de Mérida

Principalmente desfrutar do seu retorno à Libertadores. Participou em 1999, com uma boa campanha até as quartas de final, e caiu na fase preliminar em 2002. Todas essas classificações recentes vieram como vice-campeão venezuelano.

Como foram os últimos meses

Racing

Peculiaridades do futebol sul-americano, o Racing classificou-se por um título que conquistou em abril do ano passado. Eduardo Coudet terminou o ano antes de ir ao Internacional. Ainda é um time difícil de ser batido, tem apenas duas derrotas na Superliga Argentina 2019/20, mas tomou um perigoso gosto pelo empate: são 12 em 22 rodadas. Em 2020, sob nova direção, são quatro igualdades, todas por 1 a 1, e duas vitórias por 1 a 0. Tem economizado nos gols.

Nacional

Superado pelo Fénix no Apertura, o Nacional se recuperou e terminou o ano vencendo duas vezes o Peñarol, primeiro para conquistar o Clausura e depois na semifinal anual, para selar o título sem a necessidade de uma grande decisão. Começou a nova temporada devagar, com derrota para o Rentistas e empate contra o Cerro Largo.

Alianza Lima

Foi apenas o quinto colocado no Apertura, mas conseguiu se recuperar no segundo semestre para faturar o Clausura, e tudo teria sido muito legal se o ano não tivesse terminado com goleada para o Binacional, por 4 a 1, no jogo de ida da decisão do Peruano. Acabou custando o título, apesar de ter vencido a volta por 2 a 0. Em 2020, tem duas vitórias, um empate e duas derrotas em sete rodadas.

Estudiantes de Mérida

Na temporada passada, ganhou o Apertura, nos pênaltis, e se arrastou no Clausura, em que foi apenas o 15º colocado – teve três pontos descontados por uma dívida não paga com o colombiano Andrés Angulo, mas ainda seria décimo. Empatou as duas finais contra o Caracas e perdeu o título nos pênaltis. Em 2020, ainda está na média. Ganhou dois jogos, perdeu dois e empatou um.

Destaques individuais

Racing

Ídolo, cria da casa, capitão e artilheiro. Embora os gols tenham ficado mais escassos nesta temporada da Superliga Argentina, faz menos de um ano que Lisandro López terminou o campeonato que o Racing conquistou como o maior goleador, com 17 tentos. Continua atuando bastante, titular em cinco das seis partidas que o clube disputou em 2020 – mas constantemente substituído antes do fim para administrar o físico do seu medalhão de 37 anos. Vale a menção também ao jovem talentoso Matías Zaracho, de apenas 21 anos, que esteve com a Argentina no último Pré-Olímpico.

Nacional

Um dos grandes trunfos do Nacional no título uruguaio foram as pratas da casa e, nessa categoria, Santiago Rodríguez se destaca. Antes de completar 20 anos, somou seis gols e dez assistências em 22 partidas pela liga nacional em 2019. O desempenho no Apertura foi especial, com três bolas nas redes e seis passes decisivos em apenas nove partidas, antes de se apresentar à seleção sub-20 para o Mundial da categoria. No começo desta temporada, foi o camisa 10 do Uruguai no Pré-Olímpico.

Alianza Lima

Luis Aguiar, do Alianza Lima

Luís Aguiar rodou bastante. O meia de 34 anos jogou pelo Braga e foi vice-campeão sul-americano com a camisa do Peñarol, em 2011. Defendeu o Alianza Lima pela primeira vez em 2017. Passou por Nacional e Plaza Colônia, do Uruguai, e pelo San Martín de Tucumán, antes de retornar, no começo deste ano.

Estudiantes de Mérida

O grande mérito do Estudiantes de Mérida no título do Apertura foi sua defesa, que levou apenas 12 gols em 19 rodadas, melhor retaguarda da fase de classificação às quartas de final. Debaixo das traves, estava Alejandro Araque, de 24 anos, o grande herói da disputa de pênaltis contra o Mineros de Guayana, na decisão do certame. Três dos quatro chutes perdidos pelos adversários pararam em suas mãos. Meses depois, na final do Venezuelano contra o Caracas, voltou a defender uma cobrança, mas, crueldades do destino, foi o responsável pelo erro decisivo com um chute cruzado – e muito telegrafado – de perna esquerda.

Señor Libertadores

Racing

O lateral direito Iván Pillud tem vasta história pelo Racing. Chegou em 2010, após tentar a sorte no Espanyol e teve outra passagem pela Europa, rapidamente cedido ao Verona. Retornou a tempo de conquistar o título argentino de 2014 e está no Cilindro desde então. Fez 21 partidas na Libertadores, todas pela Academia, em três participações.

Nacional

Sebastián Fernández, do Nacional

O Nacional disputa a Libertadores quase todos os anos. Como Sebastián Fernández está no clube desde meados de 2014, após defender Málaga e Rayo Vallecano, acumulou muita experiência de Libertadores nas últimas cinco temporadas. Contando as primeiras experiências por Defensor e Banfield, tem um total de 44 aparições no torneio sul-americano.

Alianza Lima

Formado no clube, Rinaldo Cruzado, 35 anos, rodou bastante. Passou por Suíça, Irã, México, Argentina, Uruguai até voltar ao Peru para defender o César Vallejo. Em 2017, retornou também ao Alianza Lima e está em sua sexta participação na Libertadores. Quatro pelo clube peruano, uma com o Newell’s Old Boys e outra pelo Nacional. São 29 jogos na competição, 20 desde o início.

Estudiantes de Mérida

O mais experiente é o atacante Jaime Moreno. Embora tenha apenas 24 anos, o jogador que nasceu na Venezuela e defende a Nicarágua no futebol internacional participou de duas campanhas. Foram cinco jogos Deportivo Anzoátegui em 2014 e quatro pelo Deportivo Lara, ano passado. Ainda não fez um golzinho.

Novos reforços

Racing

Benjamin Garré foi um daqueles jovens que o Manchester City contrata por via das dúvidas e nunca coloca para jogar. Foi da base do Vélez à Inglaterra em 2016 e atuou apenas pelas equipes de base do bicampeão inglês. O Racing apostou US$ 2,5 milhões no futebol do neto de Oscar Garré, campeão do mundo pela Argentina. Beccacece também fechou com o atacante Héctor Fértoli, ex-San Lorenzo, e o meia Leonel Miranda, que foi seu jogador no Defensa y Justicia.

Nacional

Contratou o volante argentino de 32 anos, Claudio Yacob, que jogou 175 vezes pelo West Bom e estava encostado no Nottingham Forest. Reforçou a defesa com Miguel Jacquet, ex-Godoy Cruz, e, com a saída de Matías Viña ao Palmeiras, trouxe dois laterais: Ayrton Cougo, ex-Libertad, que joga na esquerda, e Mathías Suárez, que atua nas duas, e foi emprestado pelo Montpellier, da França. Suárez tem 11 partidas de Ligue 1 no currículo e três pela seleção uruguaia, inclusive contra o Brasil, em novembro de 2018.

Alianza Lima

Reforço não faltou. Depois de duas temporadas no Orlando City, Carlos Ascues retornou ao Alianza Lima, assim como o experiente Luís Aguilar. Robert Quijada foi trazido para reforçar a defesa, após se destacar pelo Caracas. Também contratou Jean Deza, ex-Cajamarca, Alexi Gómez e Alberto Rodríguez, do Universitario, e Steven Rivadeneyra, do Municipal. Anunciou Beto da Silva, que estava no Tigres, transferência que chegou a ficar em xeque por problemas burocráticos.

Estudiantes de Mérida

Messidoro, quando estava no Cruzeiro

Trouxe alguns reforços internos, como José Marrufo, do Mineros de Guayana, e atacou o mercado da América Central, com Jaime Moreno, do Real Estelí, da Nicarágua, e Matías Draghi, do Deportivo Mixco, da Guatemala. O nome mais famoso é o de Alexis Messidoro, que fez um punhadinho de jogos pelo Cruzeiro. Seu verbete na Wikipedia explica que ele é “conhecido por Messi de oro por seu destaque em campo”, embora não entre com frequência em campo desde o Sport Boys, da Bolívia, em 2017.

O técnico

Racing

Pupilo de Jorge Sampaoli, Sebastián Beccacece foi uma escolha lógica para substituir Eduardo Coudet, mas precisa se provar. Não teve boa passagem na Universidad de Chile, mas ganhou notoriedade com o pequeno Defensa y Justicia, em duas passagens entre o pesadelo da Argentina na Copa do Mundo de 2018, novamente como braço direito de Sampaoli. Na segunda, chegou a brigar pelo título com o próprio Racing e terminou em uma história segunda posição. Depois, não teve tanta sorte no Independente, justamente maior rival da Academia.

Alianza Lima

Pablo Bengoechea foi o último treinador campeão peruano pelo Alianza Lima, em 2017. Foi embora ao fim do ano seguinte, substituído por Miguel Ángel Russo. A troca durou muito pouco. No fim de abril de 2019, Russo deixou o comando do clube e abriu as portas para o retorno de Bengoechea. Levou o clube a mais uma final do Campeonato Nacional, derrotado pelo Deportivo Binacional, por 4 a 3 no agregado. Pelo menos, foi melhor do que o 7 a 1 que havia levado do Sporting Cristal, no ano anterior.

Nacional

Gustavo Munúa foi convocado para voltar ao Nacional, com a saída do treinador campeão uruguaio Álvaro Gutiérrez. O ex-goleiro do clube estava no Cartagena, da terceira divisão espanhola, e começa sua segunda passagem pelos tricolores. Era o treinador que eliminou o Corinthians nas oitavas de final da Libertadores de 2016.

Estudiantes de Mérida

O ex-camisa 10, Martín Brignani, comandou o Estudiantes de Mérida às quartas de final da Libertadores, em 1999, e tentará fazer história novamente, agora no banco de reservas. Está desde 2018 no clube venezuelano.