Por que acompanhar o grupo

Embora não haja, em teoria, promessa de grande futebol, vale sintonizar no Grupo C pelo aparente equilíbrio. Com tantos jogadores saindo, o Athletico Paranaense não é favorito como seria no fim do ano passado. Terá pela frente dois clubes de enorme tradição, mas que não vêm de momentos regulares: Peñarol e Colo-Colo. E, por fim, um franco-atirador que não tem nada a perder e vai buscar complicar os rivais: Jorge Wilstermann. Será um teste de fogo interessante para este novo CAP.

Ambição na Libertadores

Dorival Júnior, novo técnico do Athletico paranaense (Créditos: Gilvan de Souza/Flamengo)

Athletico Paranaense

Com o desmanche em relação ao ano passado, é difícil esperar que o Athletico chegue às quartas de final, mas as oitavas serão, sim, objetivo alcançável, contanto que o Furacão faça o serviço dentro de casa como em 2019. Para a sorte do CAP, ninguém em seu grupo está necessariamente em grande fase. Diante das circunstâncias, está entre os favoritos a avançar para a próxima fase.

Colo-Colo

O Colo-Colo acaba de demitir seu treinador e é uma incógnita para esta Libertadores. Ainda assim, conta com jogadores de experiência, como Blandi e Leo Valencia, e está na disputa para ir ao mata-mata, diante de adversários que tampouco destoam dos demais.

Jorge Wilstermann

Equipe mais fraca da chave, o Wilstermann deverá se dar por contente com um terceiro lugar e a consequente vaga na Sul-Americana. Em sua última participação, nem isso conseguiu, sendo lanterna da chave que tinha Athletico, Boca Juniors e Tolima. Vale apontar, no entanto, que, em 2017, foi vice-líder da chave do Palmeiras, que teve o Peñarol em último lugar.

Peñarol

A tradição exige que o Peñarol esteja entre os melhores times do continente, mas a realidade tem sido cruel aos uruguaios na última década. Nas últimas dez edições, a equipe só ficou de fora da Libertadores em 2015. Nas outras nove edições, só conseguiu passar da fase de grupos em 2011, quando chegou à final e foi derrotado pelo Santos. São muitos fracassos recentes acumulados, e a figura de Diego Forlán como técnico coloca pressão para um resultado melhor neste ano, o que é possível graças à disputa aberta do Grupo C.

Como foram os últimos meses

Athletico Paranaense

O Athletico Paranaense terminou bem 2019, mas isso pouco serve de parâmetro a uma equipe tão modificada. Os principais jogadores do time foram embora – Marco Ruben, Bruno Guimarães, Léo Pereira, Rony –, mudou-se também o técnico, e os reforços por enquanto foram escassos. Soma-se a isso a utilização agora já tradicional dos aspirantes no estadual, e não se tem tantos elementos para saber o que esperar deste novo Furacão. Dorival Júnior ao menos caiu em um grupo com equipes igualmente tentando se encontrar, o que lhe dá margem para crescer.

Colo-Colo

O Colo-Colo vive fase conturbada e de reformulação. O início de ano tem sido ruim, e o técnico Mario Salas foi demitido, depois de quatro derrotas em seus últimos cinco jogos. A defesa ainda tenta se encontrar no ano, enquanto o ataque está em desenvolvimento, com Nicolás Blandi se adaptando aos novos companheiros. A única boa notícia foi a conquista da Copa Chile, em cima da Universidad de Chile.

Jorge Wilstermann

O Jorge Wilstermann é o terceiro colocado do Apertura 2020 após dez rodadas, com três pontos a menos que o líder, Bolívar. Entretanto, a campanha é irregular, com cinco vitórias, um empate e quatro derrotas no caminho. No Clausura 2019, a equipe havia perdido apenas dois de seus 26 jogos. Luta, portanto, para encontrar aquela boa forma doméstica do segundo semestre do ano passado.

Peñarol

Como você verá nos pontos abaixo, a reformulação vivida pelo Peñarol é grande, e deverá levar um tempo para que tudo se assente com o novo técnico, Diego Forlán. Encerrou o ano de 2019 perdendo o título uruguaio para o rival Nacional, depois de uma campanha em que deixou pontos bobos pelo caminho – situação que por fim levou à troca de técnicos. Em 2020, apenas dois jogos oficiais foram disputados, e o saldo foi de uma vitória e uma derrota, ambos por 2 a 1.

Destaques individuais

Athletico Paranaense

O desmanche foi grande e levou as melhores peças do Athletico Paranaense em 2019: Lodi na metade da temporada passada, Bruno Guimarães, Rony e Ruben para esta… Dos que sobraram, o goleiro Santos poderia ser destacado, mas, como lembra o jornalista Lucas Filus, o arqueiro perderá parte significativa da fase de grupos por lesão. Neste cenário, o destaque recai sobre Nikão, que, apesar de estar na mira do Corinthians, dificilmente sai. Com Marco Ruben e Rony saindo, virou a referência técnica do Furacão no ataque.

Colo-Colo

Nicolás Blandi é o grande nome do Colo-Colo para esta Libertadores. Centroavante forte, de referência, daqueles que briga com a marcação, será o grande incômodo às defesas adversárias, mas precisará encontrar rápido a melhor forma de causar impacto positivo ao time. Chegou neste começo de ano ao Chile e tem demonstrado isso, apesar dos resultados ruins coletivos: são quatro jogos, três deles como titular, e dois gols marcados.

Jorge Wilstermann

O centroavante Gilbert Álvarez, de 27 anos e passagem apagada pelo Cruzeiro, é um dos grandes atacantes do futebol boliviano há anos. Com passagens por Real Potosí, Guabirá e The Strongest, segue sendo o nome do gol no Wilstermann. O início no Apertura 2020 não é lá tão bom, com apenas um tento em oito jogos, mas a campanha mais recente exceto essa, o Clausura 2019, foi especial ao ponta de lança, autor de 18 gols em 22 jogos.

Peñarol

No Peñarol, a esperança está na juventude, que responde por Facundo Pellistri. O ponta tem apenas 18 anos e estreou como profissional no ano passado, ainda com 17 anos. É um jogador arisco, de velocidade e drible, que pode atuar em ambos os flancos, mas é melhor utilizado quando está na direita. Nos dois jogos feitos nesta temporada uruguaia, já deu uma assistência.

Señor Libertadores

Athletico Paranaense

Aos 34 anos, Jonathan acumula larga experiência no futebol – e na Libertadores, especificamente, não é diferente. Já participou de seis edições: duas pelo Athletico, em 2017 e 2019, três pelo Cruzeiro, entre 2008 e 2010, incluindo a campanha finalista em 2009, e, por fim, uma com o Santos, com o qual se sagrou campeão em 2011. São, ao todo, 53 jogos no torneio sul-americano.

Colo-Colo

Em 2019, Esteban Paredes se tornou o maior artilheiro da história do Campeonato Chileno. O centroavante é um nome constante no Colo-Colo ao longo da década e participou de sete edições da Libertadores pelo clube desde 2010, com 20 gols marcados. Até havia discussão se renovaria o seu contrato, mas segue no Estádio Monumental, aos 39 anos. No entanto, permanece mais tempo no banco durante este início de temporada.

Peñarol

No elenco atual, o atleta com mais jogos na competição fez todos eles pelo próprio Peñarol. Fabián Estoyanoff participou de seis edições, de 2011 a 2014 e então em 2018 e 2019. Fez parte da equipe finalista em 2011, embora tenha entrado apenas como substituto nas finais com o Santos. São 28 partidas ao todo no torneio.

Jorge Wilstermann

Cristian Chávez vai para sua quarta Libertadores seguida pelo Jorge Wilstermann, mas tem também histórico significativo antes de defender o clube boliviano. Jogou três edições pelo Boca Juniors, fazendo parte do elenco finalista contra o Corinthians em 2012, e ainda defendeu a Unión Española, do Chile, em 2014. O veterano soma 39 partidas ao longo de sete participações.

Novos reforços

Athletico Paranaense

O Furacão passou por reformulação importante. Antes do fim da temporada passada, o técnico Tiago Nunes deixou o clube. Foram 14 jogadores a também saírem da equipe, com destaque para Bruno Guimarães, vendido ao Lyon, Rony, ao Palmeiras, e Marco Ruben, cujo empréstimo se encerrou. Os reforços, por fim, foram menos numerosos: Jandrei, Fernando Canesín, Marquinhos Gabriel e Carlos Eduardo, estes dois como principais destaques.

Colo-Colo

A principal contratação foi Nicolás Blandi, que veio do San Lorenzo, mas chegaram outros nomes, como o veterano goleiro Miguel Pinto, o meia César Fuentes, da Universidad Católica, e Leo Valencia, que passou os últimos anos no Botafogo. Destaque também a Matías Fernández, eleito Rey da América em sua primeira passagem pelo Cacique. Aos 33 anos, vem sendo mais utilizado a partir do segundo tempo.

Jorge Wilstermann

O mercado do Wilstermann foi quase todo doméstico, com quatro jogadores chegando de clubes conterrâneos: Marcos Rosales, Torrico, William Álvarez e Jaime Arrascaita. Humberto Osorio, ponta de lança colombiano que estava sem clube depois de deixar o argentino San Martin, foi outro reforço, e Marco Torsiglieri, experiente zagueiro argentino, veio do Gimnasia La Plata.

Peñarol

Além do técnico Diego Forlán, substituindo Diego López, chegou uma baciada de atletas ao Peñarol, e boa sorte ao ex-atacante da seleção para montar o time. A principal contratação, Jonathan Urretaviscaya, que estava no Monterrey, se machucou na pré-temporada e será desfalque até agosto. A chegada mais curiosa, por sua vez, foi a do húngaro Krisztián Vadócz, que estava no Honvéd. Chegaram ainda: Joaquín Piquerez, Gary Kagelmacher, Juan Acosta, Robert Herrera, Matías Britos, Christian Bravo, Denis Olivera, David Terans e Washington Aguerre.

O técnico

Athletico Paranaense

Com a saída do novato Tiago Nunes para o Corinthians, o Athletico Paranaense foi buscar o veterano Dorival Júnior para assumir o comando da equipe em 2020. No Furacão, o técnico tem algo a provar, tentando mostrar que não está ultrapassado justamente em uma equipe que vem de grande sucesso com um nome da nova safra. Em seu currículo, conta com títulos estaduais de Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Ceará e Pernambuco, além de uma Copa do Brasil, em 2010, pelo Santos. Internacionalmente, só esteve em duas campanhas : 2012, pelo Internacional, e 2017, também pelo Santos.

Colo-Colo

Depois do péssimo início no Campeonato Chileno, Mario Salas caiu, e o paraguaio Gualberto Jara assume como interino, fazendo a estreia justo na Libertadores. Jara construiu maior parte de sua carreira como assistente técnico de Gustavo Benítez, passando por Cerro Corá, Olimpia, Racing de Santander e Rayo Vallecano, na Espanha, e pelo próprio Colo-Colo, entre 1995 e 1998. Conhece bem o clube, mas tem poucas experiências como técnico principal. Seu último trabalho efetivo foi em 2013, pelo Sol de América, no seu país-natal.

Jorge Wilstermann

O argentino Cristian Díaz está no comando do Wilstermann desde junho de 2019. Tem carreira relativamente curta. Estreou no ofício em 2011, pelo Independiente, da Argentina, e acumula passagens por Iquique, do Chile, Quilmes, da Argentina, e, entre 2018 e 2019, Santa Tecla, de El Salvador. No currículo, duas conquistas: Apertura de El Salvador em 2018 e Clausura na Bolívia em 2019, pelo Wilstermann.

Peñarol

O jogador Diego Forlán nós sequer precisamos apresentar, mas o técnico, sim. E, bom, ainda não se tem muito o que falar, na verdade. O melhor jogador da Copa do Mundo de 2010 começa agora sua trajetória como treinador. Comandou o Peñarol em apenas duas partidas: vitória por 2 a 1 sobre o Cerro na estreia e derrota por 2 1 para o Defensor na segunda partida.