Por que acompanhar o grupo

O Flamengo é o time a se olhar de perto na Libertadores, por sua força nos últimos tempos e pelas boas perspectivas de sonhar com o tricampeonato. No entanto, a força dos rubro-negros encontrará testes interessantes no Grupo A. O Independiente del Valle já deu trabalho aos flamenguistas na Recopa Sul-Americana e nem deve ser tratado como surpresa, pela forma como já desbancou outros adversários tradicionais nos últimos anos. Também vindo do Equador, o Barcelona de Guayaquil une muitos elementos que podem complicar – seja pela força como mandante, pelos talentos individuais ou mesmo pela fase recente. Já o Junior de Barranquilla corre um pouco mais por fora, mas com o direito de trazer jogadores renomados em seu elenco. Miguel Borja tenta recobrar seu protagonismo no Estádio Metropolitano.

Ambição na Libertadores

Flamengo

Depois de tudo o que os rubro-negros viveram em 2019, nada além do tricampeonato continental parece satisfazer o time de Jorge Jesus. Como conjunto, o Flamengo está mais forte do que na campanha passada, sobretudo pelas novas opções dentro da rotação. A experiência internacional também conta, superados todos os fantasmas que atravancavam a história recente na Libertadores. E, sem dúvidas, o elenco criou uma casca depois daquilo que se viveu em Lima. A própria decisão da Recopa, contra o Independiente del Valle, mostrou como o Fla se deu muito bem ante as dificuldades que pintaram pelo caminho.

Independiente del Valle

Campeão da Copa Sul-Americana, o Independiente del Valle tem uma equipe bastante competitiva. As partidas da Recopa demonstraram como o time é bem encaixado, diante das dificuldades que representou ao Flamengo. Neste momento, a equipe se mostra bastante pronta para buscar a classificação às oitavas de final. Individualmente, os outros concorrentes possuem melhores peças. Coletivamente, porém, o clube de Sangolquí parece um passo à frente de Junior e Barcelona.

Junior de Barranquilla

Ao longo das últimas temporadas, o Junior decepcionou na Libertadores. Esta será a quarta participação consecutiva dos Tiburones, mas a equipe não alcança as oitavas de final desde 2011. O investimento é uma constante e as boas campanhas no Campeonato Colombiano colocam o clube de Barranquilla no centro das atenções. Falta concretizar esse potencial na fase de grupos, o que não deve ser simples com a concorrência de 2020. Por mais que a vaga nos mata-matas seja um objetivo, a repescagem à Copa Sul-Americana não cairia mal.

Barcelona

O Barcelona de Guayaquil realizou uma campanha excepcional nas fases preliminares da Libertadores. Os equatorianos funcionaram muito bem ofensivamente e derrubaram outros clubes de camisa pesada, com destaque aos 4 a 0 para cima do Cerro Porteño em Assunção. Fidel Martínez está jogando o fino da bola e há outros jogadores tarimbados no elenco. E, considerando a maneira como encarar os Toreros no Estádio Monumental não é simples, pode arrancar pontos rumo às oitavas.

Como foram os últimos meses

Flamengo

Os últimos meses não poderiam ser melhores ao Flamengo. A Libertadores parecia um pesadelo ao clube e terminou com o maior dos sonhos, após a épica virada sobre o River Plate na decisão de 2019. Como se não bastasse, o Fla também faturou o Brasileirão com recorde de pontos. Seja em conjunto ou em forma, nenhum outro clube do continente hoje em dia parece forte o suficiente para bater de frente com os rubro-negros, mesmo o River Plate. Raras vezes um candidato ao título pareceu tão pronto ao bicampeonato consecutivo – o que não acontece desde o Boca Juniors de Carlos Bianchi. O troféu na Recopa revigora as credenciais.

Independiente del Valle

Poucos projetos de futebol na América do Sul se mostram tão consistentes. O Independiente del Valle tem como seu principal objetivo revelar jogadores, mas impressionou na Copa Sul-Americana pelo altíssimo nível competitivo, com um futebol agressivo e muito bem construído. A campanha no Campeonato Equatoriano não seria tão boa assim, com a queda para o Delfín nas quartas de final dos mata-matas, mas nada que diminuísse o ano histórico. E, neste início de 2020, a equipe esquenta os motores, mas segue com a mesma base que fez sucesso além das fronteiras.

Junior de Barranquilla

O Junior se garantiu na Libertadores pelo título do Apertura 2019, durante o primeiro semestre. Contando com uma defesa muito sólida, conseguiu chegar também à decisão do Finalización, mas perdeu para o América de Cali na final. Só na Libertadores é que as coisas não foram bem, com cinco derrotas na fase de grupos passada. No atual momento, os Tiburones tentam se firmar no reinício do Campeonato Colombiano, sem emendar uma grande sequência.

Barcelona

A campanha no último Campeonato Equatoriano não foi tão reluzente, com a eliminação nas quartas de final para o Aucas, mas a pontuação acumulada garantiu a vaga na Libertadores. O torneio continental serviu para o Barcelona se redimir. O clube não participava da fase de grupos desde 2017 e veio babando nas preliminares. Foram cinco vitórias em seis jogos, com 15 gols marcados e apenas três sofridos. Por embalo, chega em boa forma nesta fase de grupos.

Destaques individuais

Flamengo

Difícil escolher poucos nomes no Flamengo, diante da homogeneidade da equipe nestas últimas campanhas. Todavia, o protagonismo se concentra mesmo na linha de frente. Gabigol marcou seu nome na história da Libertadores, após tudo o que fez em 2019. Bruno Henrique não fica atrás, com seu poder de decisão, especialmente nas grandes partidas. Everton Ribeiro e Arrascaeta são dois maestros com características diferentes, enquanto Gerson foi uma das grandes razões à ascensão do Fla. E se tem um nome que merece ser mais comentado é o de Diego Alves. Além de uma liderança natural, o goleiro também salvou a equipe em certos momentos no 2019 histórico.

Independiente del Valle

Enquanto o argentino Richard Schunke aparece como referência na defesa, os principais talentos do Independiente del Valle estão do meio para frente. Alan Franco disputou o Pré-Olímpico de 2020 e se encarrega da armação, sabendo o momento certo de acelerar o jogo. Na ponta, Jhon Jairo Sánchez é o jogador que talvez possua a maior possibilidade de evolução em Sangolquí, muito incisivo. E, por mais que tantas vezes saia do banco de reservas, Alejandro Cabeza se firmou como uma das principais alternativas ofensivas durante a Sul-Americana. Vindo da LDU Quito, Jacob Murillo oferece uma nova concorrência na linha de frente.

Junior de Barranquilla

A lista de protagonistas do Junior de Barranquilla começa pelo gol, onde aparece o uruguaio Sebastián Viera, ainda intocável aos 36 anos. Marlon Pedrahita é outro nome constante na defesa dos Tiburones, servindo de válvula de escape na lateral direita e acumulando experiência internacional. No meio, Fredy Hinestroza sobe na hierarquia por seu papel no apoio. De qualquer maneira, as maiores expectativas se concentram na parceria entre Teo Gutiérrez e Miguel Borja, mantendo a tradição recente de ataques estrelados no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez.

Barcelona

O melhor do Barcelona está no ataque. Fidel Martínez é quem melhor combina velocidade e qualidade técnica. O ponta acumula impressionantes oito gols nesta Libertadores, já isolado na artilharia. Ainda tem a companhia de Jonathan Álvez, símbolo da equipe semifinalista de 2017, que não teve uma passagem tão feliz assim pelo Internacional. Na construção, Damián Díaz é um nome imprescindível, vestindo a camisa 10. Já na defesa, Mario Pineida é outro veteraníssimo dos Toreros.

Señor Libertadores

Flamengo

Diego merece tal respeito, diante do que viveu na Libertadores. Tarimbado no torneio desde os tempos de Santos, o camisa 10 chegou à Gávea para mudar a relação do clube com o certame. Pelo contrário, acabou se tornando um símbolo dos fracassos e da empáfia que tanto atrapalharam o Fla em sua sequência de frustrações. A final em Lima, no entanto, lavou a alma do veterano. Saiu do banco para mudar a história da partida contra o River Plate e até mesmo ganhar uma nova imagem junto à torcida. Até pelo elenco atual, seus minutos tendem a ser mais escassos. De qualquer forma, não deixa de ser uma referência aos flamenguistas.

Independiente del Valle

Ao 38 anos, Cristian Pellerano acumula participações em torneios continentais por vários clubes tradicionais. Já atuou na Libertadores por Arsenal de Sarandí, Colón, Independiente e Tijuana. A chegada ao Independiente del Valle aconteceu em 2018 e, desde então, o argentino se coloca como o grande termômetro do time no meio-campo. Com visão de jogo e solidez na marcação, seria fundamental à conquista da Copa Sul-Americana. Também fez seu gol na Recopa.

Junior de Barranquilla

Poucos jogadores do futebol colombiano são tão identificados com a Libertadores quanto Teo Gutiérrez. O centroavante viveu seu ápice com a camisa do River Plate, contribuindo com seus gols na conquista continental de 2015. Já nos últimos anos, de volta ao Junior, tornou-se uma figurinha carimbada nas aparições continentais dos Tiburones. Quando quer jogar, o centroavante tem bola. O problema é que quase sempre prefere arrumar confusão e ser mais lembrado pelos cartões acumulados.

Barcelona

O meia argentino Damián Díaz chegou a disputar Libertadores com Boca Juniors e Universidad Católica, mas não com o nível de importância atingido no Barcelona. O veterano dá qualidade à faixa central e acumula aparições na competição continental. Esteve os destaques, inclusive, na equipe que alcançou as semifinais da Libertadores de 2017 – ajudando a eliminar Palmeiras e Santos, antes do embate com o Grêmio nas semifinais protagonizadas por Marcelo Grohe.

Novos reforços

Flamengo

O Flamengo realizou um dos melhores mercados da história do futebol sul-americano. Reinier rendeu um bom dinheiro e Pablo Marí agarrou a oportunidade no Arsenal. Enquanto isso, Jorge Jesus ganhou um elenco muito mais encorpado. Todos os setores se reforçaram, com ótimas alternativas ao banco. Léo Pereira e Gustavo Henrique são os mais necessários entre os titulares. Além deles, também chegaram Thiago Maia, Michael, Pedro Rocha e Pedro. Todos em busca de seu espaço e que podem se aproveitar também da visibilidade na Libertadores para ganhar a torcida. Não menos importantes foram as renovações de Gabigol e Bruno Henrique.

Independiente del Valle

Uma das referências do Independiente del Valle ao longo da década, Luis Fernando León saiu ao futebol mexicano. Ainda assim, a equipe trouxe algumas peças interessantes para deixar o elenco mais competitivo rumo à Libertadores. Os argentinos Lorenzo Favarelli e Pablo Alvarado são boas alternativas dentro da rotação. A diretoria também apostou em jogadores de outros clubes grandes do Equador – como Beder Caicedo (Barcelona), Jacob Murillo (LDU Quito) e Fernando Guerrero (Emelec).

Junior de Barranquilla

O grande reforço do Junior de Barranquilla para a Libertadores é Miguel Borja, que ainda precisa se redescobrir após a decepção no Palmeiras. O centroavante já anotou três gols em sete aparições pelo Campeonato Colombiano, mas a cobrança natural será para que consiga se impor durante a Libertadores. O armador Sherman Cárdenas é mais um ex-Atlético Nacional em busca de sua melhor forma. Jeison Angulo e Larry Vázquez, ambos negociados do futebol mexicano, são outros nomes relevantes, assim como Cristian Higuita, ex-Orlando City. Enquanto isso, entre os que saíram, sem dúvidas Victor Cantillo representa a maior perda.

Barcelona

O Barcelona fez um mercado bastante intenso, raspando destaques nas equipes menores do Equador. O goleiro Javier Burrai (Macará), o meio-campista Bruno Piñatares (Delfín) e o ponta Leandro Martínez (Deportivo Cuenca) são alguns que se firmaram de imediato no Estádio Monumental e tiveram papéis de destaque durante as preliminares da Libertadores. Entre os que saíram, o nome mais relevante é o do prodígio Leonardo Campaña, vendido ao Wolverhampton.

O técnico

Flamengo

Até existia dúvida se Jorge Jesus continuaria à frente do Flamengo, diante das discussões sobre sua renovação de contrato. Neste momento, o casamento segue doce. O “Mister” possui um conjunto ainda mais competitivo e renovar a gana por mais taças não parece um problema aos rubro-negros. O que se nota é uma equipe com o mesmo grau competitivo, que não abdica de seu jogo ofensivo (até apresentando alternativas) e que tem na Libertadores um elemento fundamental para se marcar mais na história. Jorge Jesus desfruta.

Independiente del Valle

Miguel Ángel Ramírez chegou ao Independiente del Valle para trabalhar com as categorias de base e, mesmo sem experiência, assumiu a equipe principal emergencialmente. A solução paliativa, todavia, virou certeza. O jovem espanhol põe seu time para praticar um futebol de encher os olhos, com muita qualidade no toque de bola e velocidade nas transições. Ramírez já manifestou seu desejo de voltar a trabalhar com a base. Entretanto, por aquilo que constrói em Sangolquí, não tem como menosprezar sua capacidade de também dirigir os adultos.

Junior de Barranquilla

Julio Comesaña é uma verdadeira lenda de Barranquilla. O uruguaio foi campeão com o clube nos tempos de jogador e se tornou o grande treinador da história do Junior. O ápice veio no início dos anos 1990, quando liderou o timaço de Carlos Valderrama às semifinais da Libertadores. Ainda assim, voltaria a conquistar títulos nos últimos anos, mesmo com passagens intermitentes. Desde 2019 no Metropolitano, tenta cumprir a dívida de registrar um bom desempenho no torneio continental.

Barcelona

A grande contratação do Barcelona para 2020 veio ao banco de reservas – o técnico Fabián Bustos. O argentino rodou por diferentes clubes menores do Equador, mas viveu seu ápice à frente do Delfín, com o qual conquistou o título em 2019. Os golfinhos cresceram no momento decisivo e bateram vários adversários mais badalados para se impor nos contra-ataques. É o que Bustos espera fazer também em Guayaquil. Nestas preliminares da Libertadores, notou-se um time muito rápido, que explorou bastante a velocidade de seu quarteto ofensivo para fazer estrago.