O Grupo C da Copa América é o que chama menos atenção. Ainda assim, pode preparar um favorito ao título. O Uruguai permanece como um dos principais candidatos, dando sequência ao trabalho de Óscar Tabárez. Atual bicampeão, o Chile tem muitos problemas a resolver, enquanto o Equador não inspira tanta confiança. Olho também no Japão, que trouxe a base de sua seleção olímpica, mas com vários jogadores interessantes.

Esta é a terceira parte do Guia da Copa América, com análises da cada uma das seleções. Anteriormente, também foram publicados os textos sobre o Grupo A e sobre o Grupo B.

Uruguai

Talvez soe como exagero colocar o Uruguai como principal favorito ao título da Copa América, mas o time de Óscar Tabárez é o que chega de maneira mais estável na competição continental. Primeiro, pela boa campanha na Copa do Mundo, que deu impressão de que os charruas até poderiam mais. Depois, pela permanência do Maestro, sob riscos de virar uma novela, mas que acabou não gerando grandes problemas. Depois, pela renovação que já se forma no elenco. Mesmo que as opções sejam escassas, a Celeste encaminha os novos nomes de sua próxima geração. E promete ser um time competitivo, mesmo perdendo os seus protagonistas em breve.

A maior indagação sobre o Uruguai é mesmo sobre a fase de seus três principais jogadores. Diego Godín, Luis Suárez e Edinson Cavani vêm de temporadas não tão reluzentes quanto o costume no futebol europeu. O zagueiro deu sinais de sua queda no Atlético de Madrid, com erros que não costumava cometer, e também encarando sua despedida do clube. Luis Suárez, por sua vez, continua oscilando bastante no Barcelona, sem contribuir nas quedas finais de sua equipe. Já Cavani precisou lidar com as lesões e sentiu dificuldades no final de campanha horroroso do Paris Saint-Germain. Mas vem com moral pelo que fez na Rússia em 2018.

Por incrível que pareça, o Uruguai pode olhar ao redor e se sentir bastante confortável. As demais posições do time parecem bem resguardadas pelos novatos. A única exceção é mesmo o gol, que segue apostando nos velhos nomes e não tem muito para onde correr além de Fernando Muslera. Já na lateral direita, um pouco de reticências com Martín Cáceres, que deu conta do recado no que foi necessário. De resto, a Celeste é time para se manter firme por bons anos.

A zaga confia em José María Giménez, só atrapalhado pelas lesões um tanto quanto frequentes que o perseguem. Na lateral esquerda, Diego Laxalt fez uma boa Copa e tende a ser aqueles jogadores com muito mais moral na seleção do que no clube. O meio, que antes era um cemitério de ideias a Tabárez, agora se vê recheadíssimo de jogadores para brigar pela titularidade. Em maior ou menor medida, Rodrigo Bentancur, Lucas Torreira, Matías Vecino e Federico Valverde vêm de boas temporadas na Europa. Podem ter a companhia de Nahitan Nández, Nicolás Lodeiro e Giorgian De Arrascaeta por ali. Por fim, na frente, Maxi Gómez é um digníssimo herdeiro da dupla histórica. Gastón Pereiro agora aparece como uma versátil opção que já deveria ter ido para a Rússia e o próprio Christian Stuani passa por um momento interessante da carreira.

Com isso, Maestro Tabárez não deve variar muito sua formação além do 4-4-2 ou do 4-2-3-1 tradicionais. Continua contando com um sistema defensivo seguro e com homens para resolver lá na frente. E, cada vez mais, vê um meio-campo capaz de trabalhar a bola e impor o domínio da Celeste, o que já tinha sido notado durante a Copa do Mundo. Será este o novo eixo dos uruguaios durante o próximo ciclo e, provavelmente, também quando o professor passar o bastão ao seu sucessor. Seu processo já encaminhou os novos horizontes da equipe nacional. O momento, de qualquer maneira, ainda pode render mais. Os charruas perderam quatro jogos no segundo semestre de 2018, com muitas experimentações táticas. Neste início de ano, foram três vitórias contra adversários fracos. E há uma tranquilidade que pode ajudá-los a assumir o favoritismo na Copa América.

A referência

São três referências, sempre. E o momento não permite que uma delas seja escolhida de maneira tão destacada assim. Talvez pelo que aprontou na Copa do Mundo, fazendo a grande competição de sua carreira, Edinson Cavani mereça dar um passo à frente. Jogou demais, resolveu partidas e demonstrou uma enorme raça. A quem já declarou que pensa em se aposentar cedo, esta Copa América oferece uma das últimas oportunidades de vestir a camisa celeste. Com o orgulho costumeiro, e agora com uma boa sequência de preparação, após passar os primeiros meses do ano no departamento médico.

Bom coadjuvante

Rodrigo Bentancur tende a ganhar o seu espaço no meio-campo da seleção uruguaia. Dentre as opções possíveis, Matías Vecino e Nahitan Nández parecem os nomes mais certos, por suas funções específicas. Resta uma disputa entre os prodígios de grandes clubes da Europa, e o juventino se sobressai neste momento, em relação a Lucas Torreira e Federico Valverde. O bianconero fez uma temporada positiva com seu clube, oferecendo muito dinamismo ao meio-campo e participando das construções. Se não é um jogador totalmente pronto, aos 21 anos indica que pode crescer demais. É um destaque especialmente pelo domínio que possui dos fundamentos do jogo. Veio para ficar por bons anos.

Fique de olho

Com os dois nomes de peso ao seu lado, Maxi Gómez acaba um tanto quanto eclipsado. Mas é um atacante para envergar a Celeste por um bom tempo. E, quanto mais, desde já. Caso Suárez ou Cavani tenham algum problema, Tabárez conta com um centroavante participativo, eficiente e em excelente forma. Aos 22 anos, o novato fez mais uma temporada destacável pelo Celta, mesmo que seu time tenha lutado contra o rebaixamento. Viveu algumas atuações maiúsculas em La Liga. Já pela seleção, começa a estabelecer seus números, com gols nos amistosos recentes. Mesmo que venha do banco em algumas partidas, pode ser um acréscimo e tanto.

Treinador

A Copa do Mundo parecia ser o compromisso final de Óscar Tabárez à frente da seleção uruguaia. Ledo engano. Mesmo com as debilidades de sua saúde, o Maestro resolveu seguir em frente e conduzir o sucesso da seleção uruguaia. A lista de predicados do comandante certamente renderia um livro, mas merece destaque neste momento pela relação de confiança que mantém com seus jogadores, mesmo que os 13 anos no cargo pudessem indicar desgastes. Também recebe os elogios pelas mudanças que vai realizando na Celeste, quando este não era exatamente seu forte em outros momentos. O professor absorve o novo e aponta ao futuro dos charruas. A reverência é perene.

O que a Copa América já ensinou

O Uruguai é uma seleção que gosta da Copa América, disso não há dúvidas. Mesmo quando não contava com grandes times, seguiu batendo cartão nas semifinais ao longo da década passada. E o título de 2011 serviu de coroação à grande geração que recuperou o máximo prestígio da Celeste. As duas últimas campanhas foram mornas. Além das eliminações relativamente precoces, os uruguaios não jogaram com muito brilho, até por entraves internos. O momento é favorável para se recuperarem e mirarem alto mais uma vez. É um time para bater de frente com o Brasil pela taça.

Chile

É impressionante como o sucesso do Chile na Copa América envelheceu rápido. A conquista de 2015 foi o ápice de uma geração fantástica, rendendo o merecido reconhecimento dentro do Estádio Nacional de Santiago. Um ano depois, nos Estados Unidos, Juan Antonio Pizzi manteve os patamares de Jorge Sampaoli e, mesmo com um time menos solto em campo, fez história com outra campanha impressionante. Em teoria, colocar a Roja entre os favoritos seria natural. Três anos, porém, se tornaram fatais ao declínio de seu elenco – e não apenas em termos técnicos ou físicos. Os chilenos passam abaixo do radar e terão que se superar para fazer uma campanha de destaque.

Dentre as seleções sul-americanas, o Chile é a que mais sofre para fazer a transição entre suas gerações. Os mais jovens simplesmente não aparecem no mesmo nível de substituir os veteranos ou mesmo fazer sombra a eles. Como resultado, ainda é um plantel envelhecido, em que a renovação se concentra em atletas sem tanto protagonismo nas grandes ligas e já na casa de seus 25 anos. Há também posições bastante carentes, com menção especial às laterais e à criação no meio. É preciso ter consciência de que o bicampeonato foi um ponto fora da curva. A Roja terá que se transformar no Brasil, o que não parece muito provável.

As referências do time são as mesmas de sempre. Arturo Vidal é quem manda no meio-campo, Alexis Sánchez tenta ser um diferencial no ataque, Eduardo Vargas é o artilheiro que se transfigura com a camisa vermelha, Gary Medel capitaneia a partir do miolo de zaga. Mas a verdade é que o momento da carreira de todos eles aponta para baixo, com um pouco de consideração apenas a Vidal – que, se não foi titular absoluto no Barça, teve atuações de destaque. No mais, os conflitos internos e os egos inflados podaram a presença de alguns ídolos. Herói em 2015 e 2016, Claudio Bravo ficou de fora justamente pelos atritos, ainda que sua fase nem de longe o respalde. Já Marcelo Díaz vinha bem no Racing campeão argentino e também teve sua presença limitada.

Os olhares se voltam a jogadores que podem se tornar mais importantes, mesmo sem o lastro dos velhos medalhões. Charles Aránguiz é um deles, chegando embalado após um ótimo final de temporada com o Bayer Leverkusen. Consegue impor um bom ritmo ao meio-campo. Deve ter a companhia de Erick Pulgar, versátil volante que vem de um momento vistoso com o Bologna. Guillermo Maripán também brilhou com o Alavés no Campeonato Espanhol e tende a ser o novo dono da zaga, caso esteja recuperado de seus problemas físicos recentes. Protegendo a meta, Gabriel Arias é a escolha natural depois do sucesso com o Racing, mesmo que sem tanta experiência internacional aos 31 anos. Já como referência no ataque, Nicolás Castillo vem deixando sua marca na seleção, com moral no futebol mexicano.

É um Chile que se aproveita de alguns jogadores em alta, o que não parece ser suficiente para preencher suas lacunas de talento ou os entraves de sua postura. Quem deverá domar isso é Reinaldo Rueda, que não emplacou à frente da seleção. Após a campanha fraca nas Eliminatórias, a Roja oscila e não conquista resultados tão contundentes, com dificuldades para encontrar o time ideal. Deve ser escalada no 4-2-3-1, mas não pode ficar refém da vontade de seus astros – em especial Alexis Sánchez, que merece um banco pelo que não vem fazendo nos últimos meses. É difícil lidar com uma geração que elevou a história do país, mas desgastou seus créditos desde então.

A referência


Arturo Vidal sempre foi um diferencial no meio-campo do Chile. E será ainda mais neste momento de declínio da Roja, no qual é praticamente o único dos medalhões a preservar o seu moral. Já viveu temporadas melhores, é verdade, mas ainda se mostra capaz de conduzir o meio-campo e contribuir com suas chegadas mais à frente. Um desafio será mesmo manter a cabeça no lugar e escapar dos problemas causados por seu temperamento intempestivo. De qualquer maneira, compõe o setor mais qualificado da equipe, seja ao lado de Aránguiz ou de Pulgar.

Bom coadjuvante

Eduardo Vargas é o típico jogador que se transmuta na seleção. Contam-se nos dedos os trabalhos realmente destacados em clubes. Se não é um estrondo no Tigres, ao menos contribui ao atual campeão mexicano. De qualquer maneira, é sempre com a Roja que se esperará algo a mais do atacante. Artilheiro nas duas últimas edições da Copa América, acumula 36 gols pela equipe nacional e persegue Alexis Sánchez como maior artilheiro da equipe nacional. Pode entrar jogando pelos lados do campo, com Castillo centralizado, mas exibindo a estrela de sempre para os seus lampejos.

Fique de olho

Mesmo em seus melhores momentos, o Chile teve dificuldades em montar a sua defesa. Não havia jogadores tão confiáveis e o próprio recuo de Medel foi uma solução. O capitão permanece por ali, assim como Mauricio Isla e Jean Beausejour nas laterais. O sangue novo se injeta com Guillermo Maripán, um zagueiro que indica um nível superior aos seus antecessores no posto. Foi muito bem na temporada na qual o Alavés sonhou até com a Champions, seguro pelo alto e nas divididas. Aos 25 anos, tende a ser um nome constante nas convocações. As dúvidas ficam mesmo por suas condições físicas, ao não chegar 100% para a Copa América.

Treinador

Reinaldo Rueda desembarcou na seleção chilena como sinal de novos tempos, após momentos conturbados. A experiência em outras seleções e o trabalho fantástico à frente do Atlético Nacional, sobretudo, escoravam a sua imagem. Mas não traz os resultados que eram esperados, sem se notar uma identidade tão clara como nos tempos de Sampaoli e Pizzi. É difícil construir uma renovação com talentos escassos, diante do péssimo momento da liga local, e também encarar os senadores nos vestiários. A Copa América precisará ser um torneio para se firmar no cargo, por isso não pode nem pensar em um vexame, ainda que o título pareça distante. O grupo mais acessível o ajuda.

O que a Copa América já ensinou

O Chile aprendeu a disputar a Copa América. Ganhou grandes jogos nas últimas duas edições, mesmo quando se desconfiava das possibilidades ou quando o time foi inferior. É essa tarimba que pode ser valiosa, bem como as responsabilidades menores, neste momento em que está claro que os bicampeões não figuram entre os favoritos à taça. Não deve ser um time tão ofensivo quanto em outros anos, mas, se contornar as suas carências, sobretudo atrás, pode encontrar novamente os atalhos.

Equador

O Equador flertou com um sucesso retumbante nas últimas Eliminatórias e terminou a campanha num sentimento amargo, diante do declínio incontornável. Quando já ficou claro que não daria para estar presente na Copa do Mundo, a direção de La Tri já ensaiou um processo de renovação, com a demissão do técnico Gustavo Quinteros. E isso tende a continuar também durante a Copa América. Os equatorianos parecem empenhados em pensar no futuro da seleção, lançando as bases para o que acontecerá nos próximos anos. O torneio será um teste contundente para ver quais as ambições para a sequência do trabalho.

Um passo importante da federação esteve em buscar um treinador renomado para o cargo. Hernán Darío Gómez foi o responsável por levar o Equador à sua primeira Copa do Mundo, em 2002. Naqueles tempos, contava com a melhor geração da história do país e soube tirar o melhor de suas possibilidades. A realidade agora é um bocado diferente, considerando que La Tri não possui um time tão equilibrado quanto naqueles tempos e ainda tateia o quanto pode confiar em seus protagonistas. De qualquer maneira, o currículo referenda o colombiano como o homem certo para determinar os rumos da seleção, especialmente depois do fortalecimento que também provocou na seleção do Panamá rumo à Copa do Mundo de 2018, colocando outro país no mapa dos Mundiais.

A base principal do Equador mescla jogadores que fazem sucesso na liga local e outros que ganham espaço principalmente em clubes do restante da América. O capitão Antonio Valencia é uma raríssima exceção com trajetória na Europa, ainda importante por sua liderança e por seu exemplo dentro de campo. No mais, as maiores confianças se depositam naqueles que vêm do México. Ángel Mena, em especial, vem de um semestre espetacular pelo León. O camisa 10 foi o artilheiro do Clausura e o artífice no ótimo futebol exibido por seu time. Lesionou-se na decisão do campeonato, mas veio para o Brasil. Seu time perdeu a taça para o Tigres de Enner Valencia, que recuperou sua bola com os felinos e teve bons momentos na Concachampions. Renato Ibarra é outro relevante, no América.

Falta, de qualquer forma, um pouco mais de consistência para o Equador almejar algo além de uma campanha satisfatória na fase de grupos. E isso inclui as oscilações de muitos jogadores, em especial no sistema defensivo, em que Gabriel Achilier e Robert Arboleda nem sempre correspondem às expectativas. Outro ponto é ver como Bolillo aproveitará a alta recente da LDU Quito. Foram quatro convocados, mas a lesão inicial de Jefferson Orejuela diminui esta presença. A Copa América valerá justamente para que La Tri tome forma às Eliminatórias.

Além do mais, os resultados recentes não animam muito. O Equador terminou 2018 bem, dando sinais positivos com as vitórias sobre Peru e Panamá. Só que a preparação à Copa América foi tortuosa, com quatro partidas em jejum, apesar dos placares apertados contra adversários relativamente competitivos. O cenário aberto no Grupo C pode ajudar, especialmente pelas fragilidades que podem ser notadas no Japão pré-olímpico. Ainda assim, a classificação aos mata-matas já seria mais do que satisfatória.

A referência

Antonio Valencia sustenta uma relação de particular com a torcida do Manchester United. Apesar dos maus momentos, o veterano leva dez anos de clube e merece respeito por aquilo que ajudou a construir em Old Trafford. Seu contrato se encerra ao final de junho e não será renovado. Assim, a Copa América vale ainda mais ao capitão do Equador. Na seleção, não há o que esbarre em seu moral e o medalhão continua oferecendo todo o seu empenho com a camisa amarela. Mesmo em um momento de mudanças, Bolillo Gómez confia no veterano como um norte dentro do elenco. E, jogando na sua, como ponta direita, tem feito mais do que na temporada em que só esquentou banco dos Red Devils. Aos 33 anos, sabe que os momentos para aproveitar serão cada vez mais escassos.

Bom coadjuvante

Ángel Mena é um armador que prometeu mais do que realizou em seus tempos de Emelec. Parecia pronto a alçar voos maiores na carreira e, apesar da história vitoriosa com os Eléctricos, nunca foi muito para frente. Deixou Guayaquil relativamente tarde e, depois de uma passagem pelo Cruz Azul, virou o melhor jogador do Campeonato Mexicano com a camisa do León. Sua fase recente é impressionante, entre a qualidade na armação e as chegadas para definir. Chega abaixo do radar, mas como um camisa 10 que pode render bastante no Brasil. Se estiver totalmente recuperado dos problemas físicos, tem tudo para conduzir uma campanha digna de La Tri.

Fique de olho

Jefferson Intriago é um dos nomes que encabeçaram o sucesso recente da LDU Quito, campeã do Campeonato Equatoriano após quase uma década e classificada aos mata-matas da Copa Libertadores. O meio-campista de 23 anos forma uma boa parceira com Jefferson Orejuela, dando sustentação na cabeça de área e também sabendo como sair para o jogo. Tende a ser titular de La Tri na Copa América e servir de esteio ao futuro da seleção. Começou a ser introduzido no time durante a reta final das Eliminatórias e ganhou confiança desde a chegada de Bolillo. O problema será a exigência maior na marcação, especialmente diante da lesão de Orejuela, que fica mais preso.

Treinador

Hernán Darío Gómez possui uma carreira em alto nível desde a década de 1980, quando auxiliava Francisco Maturana nos sucesso da Colômbia e do Atlético Nacional. Não demorou a alçar seus próprios voos, primeiro comandando os Verdolagas, antes de assumir a direção dos Cafeteros após o conturbado Mundial de 1994. Desde então, virou nome certo às seleções latinas e disputou três Copas do Mundo na casamata. Sua escolha pelos equatorianos tem muito a ver com a história que construiu, pela revolução conduzida no início do século, com a vaga inédita na Copa de 2002. O momento é bem diferente, mas o veterano continua em alta após sua passagem relevante pelo Panamá.

O que a Copa América já ensinou

O Equador possui um histórico irrisório na Copa América ao longo dos últimos anos. As semifinais de 1993 surgem como uma exceção, impulsionada por jogarem em casa. Desde então, a equipe se classificou aos mata-matas apenas em duas ocasiões, 1997 e 2016. Sem a altitude de Quito para ajudar ou um time já formado, este não parece muito o caso para os equatorianos ambicionarem algo maior. Se surgir uma brecha, será bem-vinda, mas o objetivo no momento é moldar o elenco de Bolillo Gómez para as Eliminatórias.

Japão

Se o Catar olha para a Copa América pensando na Copa do Mundo de 2022, ao Japão o interesse se concentra nos Jogos Olímpicos de 2020. Isso é claríssimo ao se notar o elenco convocado por Hajime Moriyasu, após a força máxima já ter sido direcionada à Copa da Ásia no começo do ano. Apenas cinco jogadores possuem idade acima dos 23 anos estipulados pelo torneio olímpico e os anfitriões querem formatar esta geração rumo a Tóquio – quem sabe, até definindo os três jogadores acima da idade. A Copa América será um grande teste aos garotos japoneses, não apenas pelo nível elevado de competição, como também pelo contato com diferentes estilos de futebol.

O grande nome a se observar nesta equipe é o de Shoya Nakajima. Camisa 10 muito habilidoso, deveria ser o craque do time durante a Copa da Ásia, mas uma lesão o privou do torneio continental. Aos 24 anos, aparece como referência neste novo momento dos Samurais Azuis e tem bola para se estabelecer como um nome histórico na seleção nipônica. Gaku Shibasaki, de ótima Copa do Mundo, é outro nome importante nesta convocação. No mais, as menções principais ficam aos medalhões Eiji Kawashima e Shinji Okazaki, que não foram à Copa da Ásia e podem fazer suas despedidas da equipe nacional durante a visita ao Brasil.

De qualquer maneira, a importância do torneio ao Japão será mesmo para se observar os mais jovens e dar consistência ao time olímpico. Os nipônicos podem fazer um bom papel, com ótimos trabalhos nas categorias de base. A promessa mais reluzente é Takefusa Kubo, de 18 anos. Cria da base do Barcelona, vinha em ótimo momento no FC Tokyo. Podendo ser utilizado em diferentes posições no meio-campo, possui uma qualidade técnica acima do comum. Além dele, Hiroki Abe (Kashima Antlers) e Taishi Matsumoto (Sanfrecce Hiroshima) são outros meio-campistas experimentados na liga local. O goleiro Keisuke Osako, despontando no Sanfrecce aos 19 anos, também merece atenção, referendado como possível dono da posição nos próximos anos.

Vale ressaltar ainda que este time olímpico do Japão possui uma parte considerável de seus convocados atuando na Europa, sobretudo a defesa. Há alguns talentos florescendo na Holanda, na Bélgica e na Alemanha. A menção principal fica ao zagueiro Takehiro Tomiyasu, que é destaque do Sint-Truiden. Dono de um ótimo porte físico, o defensor de 20 anos foi titular na Copa da Ásia e marcou o gol da classificação contra a Arábia Saudita nas oitavas de final. Dá segurança atrás e pode ajudar os Samurais Azuis a não serem uma presa tão fácil no Brasil. Ainda há dúvidas sobre a forma como Moriyasu montará o time, entre o 3-4-3 e o 4-4-2, e existem posições mais carentes. Todavia, os nipônicos podem sair do Brasil com um saldo interessante aos seus objetivos.

A referência

Shoya Nakajima vai para à sua segunda competição internacional com a seleção japonesa, após as Olimpíadas de 2016, mas já com o rótulo de craque. Sua ausência na Copa do Mundo de 2018 foi contestada, mas ganhou confiança a partir da nomeação de Hajime Moriyasu e virou o grande destaque japonês nos últimos amistosos. Poderia ter feito a diferença na Copa da Ásia, mas uma lesão o atrapalhou. Agora, tem a Copa América para confirmar as expectativas em alto nível, liderando uma equipe jovem. Aos 24 anos, estourou no Portimonense, mas no início do ano mudou-se ao Al-Duhail, do Catar.

Bom coadjuvante

Gaku Shibasaki já tinha sido o melhor jogador da seleção japonesa durante a Copa do Mundo. O volante deu ótima cadência ao time, ditando o ritmo na saída de bola e conduzindo a campanha destacada na fase de grupos. Sua sequência na temporada não foi tão boa, apesar do sucesso do Getafe. Enfrentando lesões e sem emendar uma grande sequência, pouco atuou no Campeonato Espanhol. Mas, presente na Copa da Ásia, tentará recuperar sua melhor forma no Brasil. É um nome importante até mesmo para as Olimpíadas, como um dos atletas acima dos 23 anos, pensando nas ambições dos japoneses.

Fique de olho

Takefusa Kubo possui uma trajetória particular no futebol. O meio-campista era tratado como uma joia pelas categorias de base do Barcelona desde cedo, mas não pôde permanecer no clube, diante das violações dos blaugranas na contratação de estrangeiros. Rumou ao FC Tokyo e virou a grande sensação da J-League, em especial nesta temporada. Com muita qualidade nos passes e habilidade para abrir espaços com seus dribles, o garoto já era protagonista dos líderes da competição. Não à toa, o Real Madrid acertou sua contratação nesta semana. A Copa América será um belo cartão de visitas.

Treinador

Hajime Moriyasu chegou à seleção após a boa campanha do país na Copa do Mundo. Seu sucesso à frente do Sanfrecce Hiroshima o tornava uma escolha natural para o cargo, também por conduzir a seleção olímpica desde 2017. Diante do ocaso de muitos veteranos dos Samurais Azuis, realiza a renovação de maneira satisfatória. O bom desempenho na Copa da Ásia foi uma prova disso, mesmo sem o seu principal jogador e com a dispensa de veteranos renomados. A Copa América pode auxiliá-lo nesse processo, principalmente preparando às Olimpíadas, na qual os anfitriões têm condições de realizar um bom papel.

O que a Copa América já ensinou

Já faz tempo que o Japão não participa da Copa América. O convite anterior havia acontecido em 1999, com o time parando na fase de grupos. Não gera nenhuma influência ao que ocorrerá agora. E os aprendizados, de qualquer maneira, servirão ao futuro, pensando na renovação do time e na participação olímpica em Tóquio 2020.