De um lado uma Argentina favorita, pero no mucho. Do outro, uma Colômbia bastante rodada, mas com uma mudança profunda em seu comando técnico. Correndo por fora, um Paraguai de poucos resultados concretos e um Catar olhando a ocasião como teste. O Grupo B da Copa América tende a representar um termômetro ao momento de seus times. Abaixo, os destaques no Guia da Copa América.

Ao longo desta semana, publicaremos uma análise, time a time, da competição. O Grupo A foi a primeira parte, divulgada nesta sexta-feira. Já no domingo, o Grupo C fecha o guia especial.

Argentina

Desde a Copa América de 2001, quando se ausentou da disputa, a Argentina não chegava sob tantas desconfianças à competição continental. Há um desgaste natural, depois de tantas decepções consecutivas. Porém, este também é o time mais “cru” da Albiceleste que enfrenta o torneio neste século. Nunca se pode descartar uma equipe que possui Lionel Messi e outros jogadores de imenso calibre, sedentos por encerrar o jejum do país sem taças. Em contrapartida, é um claro momento de reestruturação do elenco. O próprio status do treinador Lionel Scaloni, com contrato firmado até o fim do ano, sinaliza que muito ainda pode acontecer com os argentinos nos próximos meses. Uma falta expectativas de certa forma benéfica, por reduzir as cobranças sobre a equipe nacional.

São raros os medalhões do elenco. Lionel Messi, Sergio Agüero e Ángel Di María são exceções, acompanhados um pouco mais de longe por Nicolás Otamendi. Tirando o quarteto, nenhum outro jogador possui mais de 25 partidas com a seleção principal e 13 não passaram das dez aparições com a camisa albiceleste. A liderança técnica do trio acontece justamente para absorver as pressões ao redor da Argentina. São os caras que podem bater no peito e resolver, embora isso não venha acontecendo de maneira tão frequente nas grandes decisões. Ainda assim, coletivamente, o time larga atrás de uma parte considerável de seus oponentes.

O sistema defensivo procura um caminho, sem jogadores de tanta projeção. Otamendi é o mais rodado. Há boas alternativas que podem se firmar no setor para os próximos anos, com destaque especial a Nicolás Tagliafico, Renzo Saravia e Juan Foyth. Contudo, a falta de experiência pesa contra, além de não serem necessariamente nomes incontestáveis. O meio-campo, de maneira parecida, também é um setor em reconstrução diante do muito que não funcionou nos últimos anos. Em contrapartida, possui um esqueleto melhor formatado, considerando os jogadores capacitados que vêm de uma sequência mais consistente em alto nível. Leandro Paredes e Giovanni Lo Celso são os principais candidatos a encabeçar a faixa central, prontos à Copa América.

Por fim, a montagem do ataque sempre gera dúvidas, entre os muitos jogadores de renome. Mauro Icardi foi deixado de lado, especialmente pelo semestre conturbado na Internazionale. Paulo Dybala é um candidato, mas a temporada pela Juventus não o beneficia. Ángel Di María vem bem do PSG, apesar da imagem desgastada ao seu redor. Quem deve ter um pouco mais de moral é Sergio Agüero, especialmente pelo que vem jogando no Manchester City. E também Lautaro Martínez, o mais aplaudido da nova geração, rendendo bem nas mãos de Scaloni. Mas o ponto nevrálgico é sempre como Messi poderá desequilibrar, num misto de dependência e esperança. A temporada do camisa 10 o respalda, não há dúvidas. Entre tantos momentos espetaculares na carreira, este foi um dos melhores. Mas sem a devida grandeza das taças, sobretudo após a marcação cerrada que sofreu contra o Liverpool em Anfield. É esse o tipo de desafio que o craque novamente vai encarar na Copa América.

Por enquanto, Scaloni formou um time que atuou para frente e construiu placares confortáveis na maioria dos amistosos. Deve variar entre o 4-4-2 e o 4-2-3-1, com peças mais ofensivas. Só que o treinador também pegou muitos adversários insignificantes, enquanto a derrota para a Venezuela no retorno de Messi redescobriu os velhos fantasmas que rondam a Albiceleste. Apesar dos destaques, ainda foi uma convocação questionável, com um punhado de jogadores medianos que não indica ter tanto futuro na seleção. A Copa América, embora não seja mais um torneio para a Argentina ser cotada como favorita absoluta, permanece como uma obrigação. E uma obrigação sobretudo a Scaloni, que dependerá do resultado para dar continuidade ao seu trabalho. É uma equipe um tanto quanto imprevisível. Mas um imprevisível que tem Messi.

A referência

Lionel Messi participará de sua quinta edição da Copa América. Figurante em 2007, começou sua sina quatro anos depois, com a queda da Argentina em casa. Já nas duas últimas edições, o camisa 10 viveu o ápice de seu drama. Jogou bem e conduziu o time às finais, mas não foi capaz de garantir a vitória sobre o Chile nos dois encontros – com direito ao pênalti desperdiçado em 2016, que o levou à momentânea aposentadoria da equipe nacional. O fardo sempre vai estar em seus ombros, não há como mudar isso. Desta vez, junta sua fase excepcional com a falta de badalação ao redor da Albiceleste. Só o seu futebol poderá responder qual será o rendimento do time, mais uma vez dependente disso.

Bom coadjuvante

Giovani Lo Celso não se firmou no Paris Saint-Germain, ganhando pouco espaço na equipe. Baixou um degrau ao se transferir ao Betis e, em resposta, se tornou um dos melhores meio-campistas em atividade no Campeonato Espanhol. É um jogador versátil e extremamente técnico, que pode beneficiar a Argentina de diferentes maneiras. Já foi utilizado como meio-campista central, armador e ponta direita. Garante um bom passe à equipe, assim como chegada ao ataque. Há a chance de firmar uma interessante parceria com Leandro Paredes, mas, independentemente de sua posição, tende a ser um nome vital ao desenvolvimento da Albiceleste nos próximos anos.

Fique de olho

Lautaro Martínez foi o melhor jogador da Argentina neste ciclo inicial de Lionel Scaloni. O atacante não sentiu o peso de se tornar uma das referências no ataque, mesmo que os desafios não fossem tão grandes. Contribuiu com boas atuações, gols e jogadas de efeito. Após a discutida ausência no Mundial de 2018, a Copa América será sua primeira competição oficial. A presença de Sergio Agüero o deixa inicialmente no banco de reservas. Mas pode ser um cara útil para entrar no decorrer das partidas e mesmo dar opções táticas à Albiceleste. Aos 21 anos, tem muita bola para virar um craque futuro da seleção.

Treinador

Lionel Scaloni viu o emprego cair em seu colo após a Copa do Mundo de 2018. A Argentina não trouxe o nome de peso prometido para substituir Jorge Sampaoli e o novato ficou, antigo assistente de seu antecessor. Com um bom trânsito entre os jogadores, até por fazer parte da Albiceleste na Copa de 2006, ele empreendeu um amplo processo de renovação e realizou muitos testes. Agradou pela postura, mesmo que seu talento na casamata precise de provas mais concretas. O presidente da AFA, Chiqui Tapia, garantiu sua permanência até a Copa América e prometeu a renovação até 2020 com uma boa campanha. Mas ainda não parece ser o comandante para suportar a pressão de um país há quase três décadas sem um título. Não é só o desempenho dentro de campo que tende a valer para sua permanência.

O que a Copa América já ensinou

A Copa América tem sido uma constante e dolorosa lição para a Argentina desde seu bicampeonato, em 1991 e 1993. Sobretudo neste século, o time falhou nos detalhes. São quatro vice-campeonatos nas últimas cinco edições, só se ausentando da final quando jogava em casa, em 2011. E o problema na hora de matar as partidas deixou traumas profundos, especialmente por 2004, 2015 e 2016. O clima é diferente ao redor da Argentina, seja por descrença, seja pelas mudanças. Mas, ao mesmo tempo em que a equipe sai do hall de grandes favoritos ao título, os jogadores ainda sofrem uma carga emocional pelo passado recente. Atingir este equilíbrio não será simples, mas é o que pode impulsionar a Albiceleste.

Colômbia

Das seleções sul-americanas que participaram da Copa de 2018, a Colômbia é a que vive a mudança mais profunda em sua direção. Afinal, mais do que trocar o seu treinador, ela também abraçou uma nova filosofia de jogo. José Pekerman sempre foi reconhecido pelo estilo de jogo mais ofensivo e baseado no bom trato com a bola. Carlos Queiroz, por sua vez, chega referendado por aquilo que realizou à frente do Irã, onde montou um time extremamente competitivo a partir de seu sistema defensivo. Há peças para buscar mais no ataque, mas o eixo dos Cafeteros tende a mudar sob as ordens do português. Algo visto na própria seleção durante a década passada, quando seu trunfo era a defesa.

Em peças, a Colômbia não muda muito em relação ao que se viu na Rússia. É talvez o time mais preparado e amadurecido, neste sentido. E os torcedores lamentam principalmente a ausência de Juan Fernando Quintero. O meia, que fez ótimas participações na Copa, vinha sobrando com a camisa do River Plate nos últimos meses. Uma lesão o privou de iniciar o torneio continental como um dos protagonistas dos Cafeteros. No mais, os holofotes recaem sobre Radamel Falcao García e James Rodríguez, como de praxe. A diferença, porém, é que ambos não vêm de uma boa temporada. Enquanto o centroavante precisou carregar o Monaco na luta contra o rebaixamento, mas com números abaixo de seu costume, o meia teve problemas físicos e foi bem menos efetivo no Bayern de Munique.

Cabe dizer, de qualquer maneira, que a Colômbia não se resume aos seus dois principais medalhões. E as opções são relativamente numerosas. Mais à frente, quem pede passagem é Duván Zapata, de temporada espetacular com a Atalanta. Combinando explosão e um faro de gols apurado, o centroavante é uma alternativa para atuar ao lado de Falcao na frente – ou mesmo substituí-lo, considerando as limitações físicas do veterano. Luis Muriel é outro em alta para contribuir. Além disso, há Juan Guillermo Cuadrado e Edwin Cardona para compor a rotação, o que dá alternativas para o comandante na montagem de sua equipe.

Durante os últimos amistosos, Queiroz utilizou um 4-3-3, depois de iniciar seu trabalho no 4-2-3-1. Fato é que, neste momento, a cabeça de área é a posição mais bem servida da Colômbia. Wilmar Barrios é um dos melhores volantes do futebol sul-americano e continuou brilhando após se transferir ao Zenit. Gustavo Cuéllar e Jefferson Lerma também passam por fases bem positivas. E ainda há a alternativa de Mateus Uribe, um jogador mais agudo, que quase sempre veste bem a camisa amarela. Talvez o maior desafio do novo treinador seja justamente acertar a zaga. David Ospina continua no gol e é resguardado por uma ótima dupla, formada por Yerry Mina e Davinson Sánchez. Problema maior são as oscilações de ambos, assim como as lesões recentes de Mina. Além disso, há certas dificuldades em definir as laterais.

Apesar de tudo, a Colômbia vem com resultados satisfatórios desde o término da Copa do Mundo. Durante os amistosos do segundo semestre de 2018, conquistou três vitórias e um empate, contra seleções de bom nível. Já neste início de ano, apesar de uma derrota para a Coreia do Sul, conseguiu vencer Japão, Peru e Panamá – estes dois últimos, por placares elásticos. Não é o momento mais reluzente dos Cafeteros na década. Ainda assim, em um cenário mais equilibrado do futebol continental, mirar as semifinais não seria nenhum exagero à equipe, mesmo com a chegada de Queiroz.

A referência

Radamel Falcao García é fundamental à seleção colombiana não apenas por seu faro de gol. O Tigre de Santa Marta também possui um valor ao espírito dos Cafeteros, por sua liderança e por seu exemplo de nunca desistir. Não é o melhor momento de sua carreira, mas é um jogador que sempre entrega o seu máximo pela seleção. E a Copa América oferece mais uma chance de ampliar a sua reputação com a camisa amarela. Será a sua terceira aparição no torneio, no qual ainda está devendo. Precisará se garantir, já que Zapata pede passagem, embora os dois possam atuar juntos na frente. Olho também, obviamente, em James Rodríguez. Será um torneio importante à própria carreira do meia, de saída do Bayern de Munique. Boas aparições devem influenciar em seu futuro.

Bom coadjuvante

Wilmar Barrios é um jogador subestimado. Melhor atleta do Boca Juniors bicampeão argentino, além de monstruoso em algumas partidas da Libertadores, levou uma culpa que não era sua na decisão contra o River Plate – vítima, inclusive, de racismo. Saiu para o Zenit e continuou jogando em altíssimo nível. Não é um jogador refinado do ponto de vista técnico, mas faz um trabalho incansável para limpar os trilhos na cabeça de área. Por isso mesmo, apesar da forte concorrência de Cuéllar em sua função, costuma manter o prestígio pelos Cafeteros. Vem de uma boa Copa do Mundo.

Fique de olho

A Colômbia não passa por uma renovação em seu elenco. Mesmo os jogadores mais jovens já possuem alguma rodagem internacional. Uma das exceções é Luis Díaz. O ponta de 22 anos é uma das gratas revelações do Junior de Barranquilla e jogou o fino em 2018, apesar da queda de produção recente. De qualquer maneira, ganhou espaço na seleção e vai à Copa América. É um jogador incisivo, com talento inegável e poder de definição. Apesar dos medalhões ao seu lado, pode ganhar minutos. O mais legal é que esta não será sua primeira Copa América. Em 2015, após a edição “oficial” do torneio, foi organizada no Chile a Copa América dos Povos indígenas. Descolou seu contrato com o Junior após se destacar pelos Wayuu, povo do qual é originário.

Treinador

Carlos Queiroz é um treinador de reputação internacional inegável, ainda que nem sempre provoque suspiros por seus trabalhos. Sua passagem pela seleção de Portugal, em particular, foi um tanto quanto opaca. O belíssimo projeto à frente do Irã, transformado na melhor seleção asiática em suas mãos, devolveu o brilho ao seu nome. Os desafios na Colômbia, apesar disso, são diferentes ao lusitano. O que geralmente aplica em seus times não é necessariamente o que tem em mãos, e não será surpreendente se ele criar um time mais ofensivo que seu costume. As condições são favoráveis, até pelo ciclo positivo com Pekerman. Respeito e experiência não faltam.

O que a Copa América já ensinou

A Colômbia é uma seleção que geralmente faz boas campanhas na Copa América. Desde a geração de ouro que se formou no final dos anos 1980, o país ronda as semifinais. O título de 2001, contudo, soa como um ponto fora da curva pelas condições excepcionais em que foi conquistado, considerando o esvaziado torneio que o próprio país recebeu. Desde então, são duas semifinais, a última delas em 2016. Por mais que o chaveamento tenha influência, é importante a maneira como os Cafeteros encaram os grandes jogos, quando nem sempre as coisas acontecem bem. As principais eliminações recentes se deram por detalhes. O salto depende destes centímetros a mais.

Paraguai

No papel, o Paraguai possui uma seleção interessante. Não é o que se nota em campo. Faz tempo que a Albirroja não inspira confiança e os resultados recentes apenas reforçam isso. Quando o país esboçou conquistar uma vaguinha na Copa do Mundo de 2018, sucumbiu tragicamente diante de sua torcida. E mesmo os resultados nos amistosos pouco escoram os guaranis. As derrotas são mais frequentes e o triunfo sobre a Guatemala no último jogo preparatório não parece ser grande indicativo. É uma equipe que chega para correr por fora.

Um trunfo do Paraguai está no banco de reservas. Após todo o imbróglio envolvendo a contratação de Juan Carlos Osorio, que deixou a Albirroja no vácuo após cinco meses no cargo, Eduardo Berizzo é uma aposta interessante. Sua carreira ainda não tem resultados tão uniformes, até por lidar com sérios problemas de saúde quando parecia pronto a horizontes maiores. De qualquer maneira, pode tentar praticar um futebol mais solto, apesar das necessidades de formar uma equipe coesa.

A pedra angular do Paraguai precisa ser a sua dupla de zaga. Afinal, poucas seleções desta Copa América podem contar com uma parceria tão boa quanto a guarani. A preferência inicial deve incluir Bruno Valdez, titular absoluto no América do México. Mas há a possibilidade de juntar Fabián Balbuena e Gustavo Gómez, velhos conhecidos dos estádios brasileiros, que combinam firmeza e capacidade principalmente no jogo aéreo. Garantir a segurança atrás é fundamental, especialmente depois de algumas derrotas elásticas em amistosos recentes. No gol, outro que brilha no Brasil e pode ter sua chance é Gatito Fernández, apesar da concorrência de Antony Silva, titular nos últimos anos.

O problema geral está em outras posições mais atrás. Há uma carência de laterais e volantes que realmente ofereçam uma sustentação ao time. Por isso, as ideias de Berizzo para criar um sistema mais funcional serão fundamentais. Muitos jogadores do Paraguai parecem convocados mais por nome do que por momento. E, ainda que o desempenho dos clubes do país salte aos olhos na Libertadores, isso não foi tão bem aproveitado. Ou pior, rendeu críticas desmedidas, como no caso de Óscar Cardozo. Apesar dos 36 anos de idade, o centroavante vem jogando uma bola condizente para estar na seleção. Não é um caso tão diferente de Paolo Guerrero, guardadas as devidas proporções.

Até pelos últimos amistosos, Cardozo deve encabeçar o ataque na Copa América. Ao menos, deve ser bem municiado pelos homens possíveis no apoio. Entre seus meias e seus pontas, a Albirroja possui uma vasta lista de opções. Se não são jogadores intocáveis, ao menos podem mudar os rumos da equipe nacional. Nessa se incluem Miguel Almirón, Derlis González, Cecílio Domínguez, Juan Iturbe, Hernán Pérez e Óscar Romero. Diante do mostruário, é bem possível que Berizzo valorize mais o setor ofensivo, trocando um volante por um meia no seu 4-3-3. Só que, entre seus desequilíbrios, o Paraguai oferece pouca margem de manobra.

A referência

Miguel Almirón é cotado como o jogador mais talentoso desse Paraguai. O meia possui uma experiência considerável, apesar dos 25 anos, respeitado principalmente pelas campanhas vitoriosas com Lanús e Atlanta United. A mudança ao Newcastle foi benéfica ao armador, por moldá-lo ao nível da Premier League. E os primeiros meses já deixaram impressões positivas. Se pode compartilhar suas responsabilidades na criação, o jovem tende a encontrar mais dificuldades por suas condições físicas. Além da falta de férias por sair da MLS rumo à Inglaterra, teve uma lesão que custou sua participação na reta final da temporada. Uma boa Copa América seria um grand finale justo à sua sequência.

Bom coadjuvante

Cecílio Domínguez dificilmente figurará em uma lista de principais jogadores da seleção paraguaia. O ponta de 24 anos, entretanto, é um atleta que pode render bastante na equipe nacional. Imparável em seus tempos de Cerro Porteño, mudou-se para o América do México e não teve tanto espaço por lá. Já nos últimos meses, recuperou o seu futebol no Independiente e vem embalado à Albirroja. A concorrência é seu setor é enorme, correndo riscos até mesmo de não figurar entre os titulares. Mas pelo futebol vertical e pela participação nos lances de definição, tende a ser útil.

Fique de olho

Do que se nota na Libertadores, um dos acertos de Berizzo é confiar a lateral esquerda a Santiago Arzamendia. Se a posição não possui um verdadeiro dono, o garoto de 21 anos parece ser uma ótima opção ao futuro. Disputou dois amistosos preparatórios neste início de ano e deve ser uma novidade no 11 inicial para a Copa América. Jogador do Cerro Porteño, contribui bastante ao jogo ofensivo de seu time. Nesta fase de grupos, teve atuações decisivas contra Atlético Mineiro e Nacional do Uruguai. De qualquer forma, o torneio com a seleção será seu maior teste em alto nível. Vale mencionar ainda Matías Rojas, que vem em alta com o Defensa y Justicia e, aos 23 anos, pode encorpar o meio.

Treinador

Berizzo possui uma carreira de altos e baixos como treinador. Campeão chileno com o O’Higgins, passou três bons anos à frente do Celta, com direito a campanhas destacadas no Campeonato Espanhol e na Liga Europa. Mudou-se ao Sevilla para substituir Jorge Sampaoli, sem que o time apresentasse o rendimento exigido, ao mesmo tempo em que precisou lutar contra um câncer de próstata. Recuperado, teve uma péssima sequência no Athletic Bilbao no início da temporada e durou meses no cargo. O Paraguai é uma chance também de reconquistar a consideração por seu trabalho. É um comandante de visão mais ofensiva, seguindo a cartilha de Marcelo Bielsa, seu antigo professor nos tempos de Newell’s Old Boys. Só não dá para saber se isso será suficiente, diante das carências dos guaranis.

O que a Copa América já ensinou

O Paraguai foi um dos piores times da Copa América de 2016, mas isso surge como uma exceção. Desde os anos 1970, são várias campanhas de destaque da Albirroja no torneio continental. Mesmo quando não possuíam times tão exuberantes, os paraguaios foram competitivos, a exemplo do que aconteceu em 2011 e 2015. Encarar o certame de maneira mais séria que os concorrentes pode ser um diferencial. O Catar pode ser o trampolim para os guaranis descolarem uma vaguinha nas quartas de final. Apesar disso, a oportunidade no Brasil será para traçar as bases ao futuro rumo às Eliminatórias.

Catar

Um grande teste. É assim que o Catar deve tratar a Copa América neste seu convite. O time surpreendeu na Copa da Ásia e conquistou um título de maneira contundente, mesmo passando longe da lista de favoritos. Foi um bom sinal ao pensar na Copa de 2022, sobretudo pelo elenco jovem à sua disposição. No entanto, também é valioso se testar com outras escolas de futebol e adversários mais fortes. A fase de grupos da competição sul-americana providenciará estes desafios em nível competitivo. Se não têm tanta gana pelo título, os catarianos também não possuem pressão sobre si.

O treinador Félix Sánchez, que trabalhou com os processos formativos no país desde a base, teve papel central ao preparar a atual geração na Academia Aspire – o projeto do governo local para a revelação de jogadores. Conseguiu arredondar um time seguro na defesa e veloz no ataque, ao menos para os padrões regionais. Durante a Copa da Ásia, o Catar anotou 19 gols e sofreu apenas um, derrubando algumas das potências locais. Todavia, o amistoso contra o Brasil não foi dos mais promissores, com um time contido demais. É ver como será o equilíbrio entre este ímpeto e o temor de goleadas durante a Copa América.

A base que vem ao Brasil é praticamente a mesma que atuou na Copa da Ásia: um elenco com baixa média de idade, o que indica parca experiência internacional de muitos desses jogadores. Já em campo, o 5-3-2 utilizado contra o Brasil havia sido aprimorado na reta final da Copa da Ásia, quando aconteceram os resultados mais acachapantes. É um sistema mais resguardado, embora utilize a qualidade no apoio pelas laterais e também a velocidade nos contragolpes, algo que determinou o caminho dos catarianos em sua façanha asiática. Foi um time entrosado e com um padrão de jogo bem definido, que também impulsionou as qualidades individuais.

Almoez Ali é o nome a se observar, depois de se tornar um fenômeno na Copa da Ásia. O atacante de 22 anos precisa provar que não será sucesso de apenas um hit, até porque nele se depositam esperanças rumo à Copa de 2022. Akram Afif é outro a ser destacado neste sentido, de longe a principal fonte criativa do Catar. Foram impressionantes 11 assistências na Copa da Ásia. Além disso, vale mencionar jogadores mais experimentados, como o camisa 10 Hasan Al-Haydos e o versátil Boualem Khoukhi, além do lateral Abdelkarim Hassan, constante no apoio pela esquerda. Dono de uma força física impressionante, conduz o setor mais forte do time, ao lado de Afif.

A referência

Logo em sua primeira Copa da Ásia, Almoez Ali já se tornou recordista em gols em uma única edição do torneio. Foram nove bolas nas redes, número inflacionado pelos cinco tentos contra a Coreia do Norte, mas que também contou com várias atuações decisivas durante os mata-matas – e um tento de bicicleta na decisão contra o Japão. O atacante nascido no Sudão e criado no Catar possui boa presença física, mas também destreza. Em 2018, provou seu potencial contra os sul-americanos ao comandar a vitória por 4 a 3 diante do Equador.

Bom coadjuvante

Fica até difícil de chamar Akram Afif de “coadjuvante”. Fato é que o camisa 11 se tornou nome imprescindível ao sucesso do Catar – sem o cartaz de Almoez Ali, mas com uma importância tão grande quanto. Jogando como ponta esquerda ou como segundo atacante, distribuiu presentes aos seus companheiros na Copa da Ásia. Dos nove gols que o time marcou nos mata-matas, ele deu assistências para seis e ainda balançou as redes uma vez, cobrando pênalti justo na decisão contra o Japão. Pega muito bem na bola e abre espaços com seus dribles. Tem contrato com o Villarreal, mas passou a última temporada emprestado ao Al-Sadd, onde registrou números absurdos: foram 26 gols e 13 assistências em apenas 22 partidas pelo Campeonato Catariano.

Fique de olho

Em um time no qual os próprios protagonistas têm pouquíssima idade, até mesmo o mais jovem ocupa um papel central. O zagueiro Bassam Al-Rawi foi um dos melhores de sua posição na Copa da Ásia, aos 21 anos. O zagueiro não possui um porte físico avantajado, mas compensa com sua técnica e também marca os seus gols. Formado pelo Aspire, ele nasceu em Bagdá e se mudou ao Catar durante a juventude. Curiosamente, anotou o gol da classificação contra o iraquianos no torneio continental.

Treinador

Nascido na Catalunha, Félix Sánchez trabalhou por dez anos nas categorias de base do Barcelona. Isso o credenciou à Academia Aspire e, por lá, levou os conceitos dos blaugranas à formação de jogadores. Foram sete anos lidando diretamente com adolescentes, quando assumiu a seleção sub-19 em 2013. A partir de então, começou a moldar a atuar geração de jogadores e subiu com ela a cada categoria, até substituir Jorge Fossatti na equipe principal. A relação próxima com os atletas é um diferencial, sabendo muito bem como tirar o melhor de seus comandados. A Copa da Ásia foi a prova cabal.

O que a Copa América já ensinou

Estreante, o Catar ainda não aprendeu nada com a Copa América, mas quer tirar os seus ensinamentos para fazer uma boa campanha na Copa do Mundo. Será esta a grande valia da experiência nos gramados brasileiros.