Os duelos entre Napoli e Liverpool serão a atração principal. Na edição passada, os italianos derrotaram os campeões europeus no San Paolo e ficaram a uma grande defesa de Alisson de eliminá-los na fase de grupos. Desta vez, a tendência é que ambos se classifiquem com mais tranquilidade, sem um Paris Saint-Germain para atrapalhar. Também vale a pena ficar de olho na estreia do Red Bull Salzburg na fase de grupos da Champions League, depois de tanto bater na trave e de ter feito bom papel em suas participações recentes na Liga Europa. Pode ser uma pedrinha no sapato dos favoritos, especialmente atuando em casa.

Liverpool: 6 (1976/77, 1977/78, 1980/81, 1983/84, 2004/05 e 2018/19)

Liverpool

2018/19 – campeão
2017/18 – vice-campeão (perdeu do Real Madrid)
2016/17 – não participou
2015/16 – não participou
2014/15 – fase de grupos

Napoli

2018/19 – fase de grupos
2017/18 – fase de grupos
2016/17 – oitavas de final (eliminado pelo Real Madrid)
2015/16 – não participou
2014/15 – playoffs (eliminado pelo Athletic Bilbao)

Red Bull Salzburg

2018/19 – playoffs (eliminado pelo Estrela Vermelha)
2017/18 – terceira fase preliminar (eliminado pelo Rijeka)
2016/17 – playoffs (eliminado pelo Dinamo Zagreb)
2015/16 – terceira fase preliminar (eliminado pelo Malmö)
2014/15 – playoffs (eliminado pelo Malmö)

Genk

2018/19 – não participou
2017/18 – não participou
2016/17 – não participou
2015/16 – não participou
2014/15 – não participou

Andreas Ulmer, pelo Salzburg, contra o Napoli, na Liga Europa (Foto: Getty Images)

Liverpool

Classificar-se com tranquilidade e, se der, ganhar o grupo. O atual campeão teve problemas fase de grupos da edição passada, derrotado duas vezes, inclusive pelo Estrela Vermelha, e precisou da força de Anfield para vencer o Napoli, igualar o confronto direto, o saldo e passar nos gols marcados. Não fosse uma defesa de Alisson nos minutos finais, provavelmente não haveria Madri na lista de cidade onde o Liverpool conquistou a Europa. A vaga nas oitavas deve ser mera formalidade contra Red Bull Salzburg e Genk, e a liderança dependerá dos novos confrontos diretos contra o Napoli.

Napoli

Apesar de ser um dos melhores times da Itália nesta década (sete temporadas entre o segundo e o terceiro lugar e duas em quinto), o Napoli chegou apenas duas vezes ao mata-mata e em ambas foi eliminado nas oitavas de final. Não perdeu nenhum dos seus principais jogadores, reforçou-se bem e entra na segunda temporada do trabalho de Carlo Ancelotti. Pela dinâmica do grupo, pelo menos a segunda vaga deve ser garantida e os duelos da temporada passada deixaram claro que a liderança à frente do Liverpool não pode ser encarada como mero sonho.

Red Bull Salzburg

Uma coisa positiva, pelo menos, o Red Bull Salzburg aprendeu: como lidar com a frustração. Nos últimos cinco anos, ficou quatro vezes a duas partidas de conseguir uma vaga na fase de grupos, mas falhou nos playoffs. Atual hexacampeão austríaco, o Salzburg passeia como poucos em sua liga nacional e começou a nova campanha com sete vitórias, 34 gols marcados e apenas seis sofridos, mas, estreando nos grupos, desfrutar da experiência e roubar uns pontinhos dos favoritos destacados devem ser o bastante.

Genk

Não ser um saco de pancada seria um bom começo, embora o histórico aponte para a improbabilidade desse anseio. Em duas participações na fase de grupos, nenhuma vitória. Na última, em 2011/12, conseguiu arrancar empates em casa, mas quando caiu na estrada levou 5 a 0 do Chelsea e 7 a 0 do Valencia. Contra os poderosos ataques de Napoli e Liverpool, o prognóstico ao campeão belga não é dos melhores.

Ancelotti conhece muito bem a Champions League (Foto: Getty Images)

Liverpool

O equilíbrio que Jürgen Klopp conseguiu encontrar para a sua equipe, com reforços importantes para o setor defensivo e também uma alteração na maneira de jogar, foi essencial para o título da última temporada. Embora falte uma peça aqui ou ali, o Liverpool tem qualidades em todos os setores do gramado e a combinação entre um bom time e a extraordinária atmosfera de Anfield é arrebatadora. Basta perguntar ao Barcelona. O diferencial talvez esteja nas laterais. Trent Alexander-Arnold e Andrew Robertson são fontes de criatividade e energia nos lados do campo, e a diferença é clara quando eles não estão jogando.

Napoli

Uma rara continuidade, em termos de elenco, é a fundação para a possibilidade de sucesso do Napoli nesta temporada. Dos principais jogadores, a saída mais relevante foi a de Raúl Albiol, muito bem reposto por Manolas, e, no geral, houve um fortalecimento com reforços pontuais. Carlo Ancelotti modificou o estilo da equipe da posse de bola de Sarri para um jogo um pouco mais direto. E o técnico italiano é o principal trunfo dos napolitanos. Se tem alguém que sabe como chegar longe na Champions League, é o tricampeão europeu.

Red Bull Salzburg

Diante do que o Campeonato Austríaco pode ser usado como parâmetro, o Red Bull Salzburg tem um ataque avassalador (vem de quatro goleadas seguidas neste começo de temporada) e sua última derrota como mandante foi em novembro de 2016, o que significa invencibilidade de três anos e 69 jogos oficiais como mandante. Então, acho que dá para dizer que o time é forte dentro de casa.

Genk

O começo de temporada extraordinário foi essencial para o Genk conquistar seu primeiro título desde 2011. Liderou a temporada regular e seis vitórias no hexagonal do título foram suficientes para garantir o título, sofrendo apenas oito gols nas dez partidas decisivas. Com um total de 82 gols em 40 rodadas, o ataque também foi bem interessante e passa sinais de uma equipe equilibrada. Treinado por Felice Mazzù, ex-treinador do Charleroi, o Genk gosta de pressionar muito a saída de bola e se reagrupa em um bloco baixo e bem compacto quando o adversário está tentando criar alguma coisa.

Virgil Van Dijk, do Liverpool (Getty Images)

Liverpool: Virgil Van Dijk

Embora outros fatores tenham influenciado, a chegada de Virgil Van Dijk foi o divisor de águas para o projeto de Klopp em Anfield, especialmente pela solidez defensiva que ela representou. A imposição física, a técnica, a qualidade pelo alto e a segurança que o holandês passa aos companheiros foram essenciais para transformar uma retaguarda esburacada em uma das mais competentes da Europa. Não foi à toa que acabou escolhido como o melhor jogador europeu da última temporada, à frente de uns caras chamados Cristiano Ronaldo e Lionel Messi.

Napoli: Lorenzo Insigne

Os gols são bem divididos no ataque do Napoli, mas quem coloca a bola debaixo do braço e chama a responsabilidade quando a ocasião exige é Lorenzo Insigne. Ele fez 14 na última temporada, apesar de a mudança de formação tática tê-lo deixado um pouco deslocado. No 4-3-3 de Sarri, era um ponta esquerda que cortava para dentro constantemente e buscava chutes colocados. No 4-4-2 de Ancelotti, atuar pelos lados significa fechar a linha do meio-campo. A alternativa foi usá-lo mais como segundo atacante, ao lado de Milik ou Mertens.

Red Bull Salzburg: Takumi Minamino

O Salzburg segue a filosofia da Red Bull de montar equipes com promessas, o que significa que seus destaques são jovens e, também, que ao fim da temporada alguns deles irão embora. Foi o que aconteceu com Xaver Schlager, atualmente no Wolfsburg, Hannes Wolf, que trocou de franquia de bebida energética e agora defende o Leipzig, e com Munas Dabbur, que anotou 37 gols em 48 partidas. Abre espaço para novas pratas da casa brilharem, como Amadou Haidara, de apenas 21 anos, mas jogadores mais tarimbados precisam assumir a responsabilidade. Um deles pode ser o ponta-direita Takumi Minamino, que está no Salzburg desde 2015 e soma 59 tentos em 183 partidas.

Genk: Sébastien Dewaest

A boa defesa do campeão belga foi frequentemente liderada pelo capitão do time, o zagueiro belga Sébastien Dewaest. Está no clube desde 2015, quando foi adquirido do Charleroi, que na época era treinado por Felice Mazzù. Esteve em campo todos os minutos do hexagonal final, com exceção de um (mais acréscimos), e ainda tem uma boa contribuição ofensiva. Marcou sete gols em 50 partidas. No total, tem 13 em 141 jogos, média próxima a um a cada dez vezes que entra em campo, o que é bem interessante para um zagueiro.

Manolas foi contratado para fazer dupla com Koulibaly (Foto: Getty Images)

Liverpool: James Milner

Como praticamente não houve reforços, e todo mundo ganhou mais experiência de Champions League junto na última temporada, o jogador que mais conhece a competição no elenco do Liverpool segue sendo James Milner. O trunfo foi a passagem pelo Manchester City, quando disputou quatro vezes seguidas a competição. Na campanha do vice-campeonato de 2017/18, assinou oito assistências pelos Reds, recorde em um único torneio.

Napoli: Kostas Manolas

Um zagueiro com experiência de Champions League foi embora (Albiol), e outro chegou. A passagem pela Roma rendeu 32 partidas da fase de grupos em diante para Manolas, com direito a um gol contra o Barcelona e uma semifinal diante do Liverpool. Ele ainda soma 13 jogos em duas temporadas pelo Olympiacos.

Red Bull Salzburg: Maximilian Wöber

É um desafio encontrar experiência de Champions League em um time que estreia na fase de grupos e coloca praticamente apenas a garotada para jogar. O único que tem uma boa passagem é Maximilian Wöber, zagueiro de 21 anos que estava no Ajax na temporada passada e atuou quatro vezes, duas contra o Bayern de Munique. Como o capitão Andreas Ulmer, 33 anos, está no Salzburg desde 2009, participou de várias das tentativas frustradas de passar pelas preliminares e somou 31 partidas no processo.

Genk: Patrick Hrosovsky

Ninguém seria a resposta mais precisa, mas, para não deixá-los de mãos abanando, temos o meia Patrik Hrosovsky, que pelo menos já sentiu o gostinho da fase de grupos pelo vitória Plzen na última temporada, titular nos seis jogos contra Real Madrid, Roma e CSKA Moscou. Ele ainda tem oito partidas nas preliminares, também pelo clube tcheco.

Ianis Hagi, pelo Genk (Foto: Getty Images)

Liverpool: Adrián 

Apenas um adulto foi contratado, então tem que ser ele. Até porque a lesão de Alisson na primeira rodada da Premier League deu a Adrián a oportunidade de mostrar que o Liverpool tem, além de um grande goleiro titular, um reserva confiável. O espanhol foi muito bem quando exigido e brilhou particularmente na conquista da Supercopa da Europa, com defesas importantes com a bola rolando e um pênalti defendido.

Napoli: Hirving Lozano

O poder de fogo excelente do Napoli foi reforçado um pouco mais com a chegada de Hirving Lozano. Capaz de atuar pelas pontas ou como segundo atacante, o mexicano mostrou faro de gol pelo PSV, com 40 tentos em 79 partidas. Tem uma fase de grupos de experiência, contra equipes como Barcelona, Tottenham e Internazionale. O clube italiano quebrou seu recorde de transferências para trazê-lo, um sinal claro de ambição de quem está afim de alçar voos mais altos nesta temporada.

Red Bull Salzburg: Kristensen e Wöber

O Salzburg trouxe apenas uma nova leva de adolescentes para lapidar e dois jogadores que passaram sem deixar muita impressão pelo Ajax. O lateral direito Rasmus Kristensen saiu do Midtjylland para ser reserva. O zagueiro Max Wöber chegou novinho do Rapid Viena e teve apenas 39 jogos para impressionar. Como não impressionou muito, foi emprestado em janeiro e posteriormente vendido ao Sevilla, que o repassou pelo mesmo valor ao Salzburg.

Genk: Ianis Hagi

Ianis Hagi, filho do homem, foi um dos destaques da última Eurocopa sub-21, com direito a gol contra a Inglaterra. Desde o começo do ano, atua com frequência também pela seleção principal e decidiu sair debaixo da asa do pai, dono do Viitorul Constanta, para tentar desenvolver o seu futebol em uma liga mais forte do que a romena.

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