Dois grandes projetos europeus estão à prova neste grupo. Apesar da supremacia inconteste na Ligue 1, o que o PSG (o Qatar, com todo seu investimento, mais especificamente) quer mesmo é a Champions League. Do outro lado, o Real Madrid passa por reformulação importante, uma transição de gerações, e Zidane precisa provar que pode dar conta do trabalho. Isto se traduz na promessa de dois grandes duelos em que o que está em jogo é a reafirmação. No meio do fogo cruzado, Brugge e Galatasaray podem ser alvos fáceis das potências francesa e espanhola. O que, ao mesmo tempo, abre caminho para grandes zebras.

Real Madrid: 13 (1956, 1957, 1958, 1959, 1960, 1966, 1998, 2000, 2002, 2014, 2016, 2017, 2018)

Club Brugge

2018/19 – fase de grupos
2017/18 – playoffs (eliminado pelo Istambul Basaksehir)
2016/17 – fase de grupos
2015/16 – playoffs (eliminado pelo Manchester United)
2014/15 – não participou

Galatasaray

2018/19 – fase de grupos
2017/18 – não participou
2016/17 – não participou
2015/16 – fase de grupos
2014/15 – fase de grupos

Paris Saint-Germain

2018/19 – oitavas de final (eliminado pelo Manchester United)
2017/18 – oitavas de final (eliminado pelo Real Madrid)
2016/17 – oitavas de final (eliminado pelo Barcelona)
2015/16 – quartas de final (eliminado pelo Manchester City)
2014/15 – quartas de final (eliminado pelo Barcelona)

Real Madrid

2018/19 – oitavas de final (eliminado pelo Ajax)
2017/18 – campeão
2016/17 – campeão
2015/16 – campeão
2014/15 – semifinais (eliminado pela Juventus)

Zidane, do Real Madrid (Foto: Getty Images)

Club Brugge

A campanha de finalista na temporada 1977/78 é mais distante do que a data sugere, e o Brugge sabe bem a prateleira que ocupa hoje no futebol europeu. Por isso, participar da fase de grupos já é uma conquista para a equipe. O objetivo aqui, portanto, é perder de menos possível. Com alguma sorte, vai que dê para beliscar uma vaguinha na Liga Europa em terceiro lugar?

Galatasaray

Para a torcida do Galatasaray, o clube é o maior do mundo, mas mesmo ela terá que concordar que não tem como bater de frente com os bilionários PSG e Real Madrid. Um terceiro lugar, somado a boas atuações nos confrontos contra as duas potências continentais, já estará de bom tamanho para o projeto turco.

PSG

O PSG passa por um momento de reformulação de identidade. Não quer mais ser o clube que serve a seus craques e expressou isso em sua janela de transferências. As contratações desta vez foram muito mais pés no chão e pontuais, e agora Thomas Tuchel tem o desafio de fazer esta equipe engrenar. O objetivo claro aqui é a classificação ao mata-mata, mas o serviço só estará completo mesmo se obtiver bons resultados contra o Real Madrid e se sobressair como líder da chave.

Real Madrid

O Real Madrid vive situação relativamente parecida com o PSG, mas a reformulação é mais aguda. Para um time que já tem 13 conquistas de Champions League, mais do que triunfos, é preciso jogar bem. Neste sentido, Zidane enfrenta um grande desafio, já que parece relutar em abrir mão dos homens de confiança e engrenar o projeto de troca de gerações na equipe. Mesmo em meio a tudo isso, o que a torcida e a crônica esperam de um time desta estatura e poderio financeiro é que lidere seu grupo na Liga dos Campeões – e jogando bem.

O ataque do Club Brugge foi bem no Belgão (Foto: Getty Images)

Club Brugge

Uma coisa é o Belgão, outra é a Champions League. Ainda assim, vale destacar que o Brugge teve o melhor ataque da última temporada de sua liga nacional, com 83 gols em 40 jogos, além de aplicar goleadas por 3 a 0 e 4 a 0 contra os tradicionais Gent e Standard Liège nos playoffs da competição. Será difícil isso se traduzir em bom desempenho ofensivo contra adversários como PSG e Real Madrid, ainda mais depois de perder Wesley para o Aston Villa, mas um outro ponto que pode ajudar é jogar sem pressão por ser o grande azarão do grupo.

Galatasaray

O Galatasaray lutou duro pelo título do último Campeonato Turco e, diferentemente de seu concorrente local, o Basaksehir, não contou com a consistência defensiva para chegar até o fim do torneio na briga pela ponta. O time compensou sua defesa não brilhante com um ataque eficaz, fazendo 72 gols em 34 jogos. Se o time tem alguma chance de incomodar os grandes do grupo, é com seu poder de fogo, aliado à pressão de sua torcida na Türk Telekom Arena. Nomes conhecidos como Feghouli, Babel e Falcao, estes dois últimos recém-chegados, serão os responsáveis por fazer valer o bom ataque dos turcos.

PSG

Com um time ainda em formação devido à chegada de tantos nomes, sobretudo do meio pra frente, o PSG ainda busca equilíbrio e um modelo de jogo neste início de temporada. Inevitavelmente, tem como seus pontos fortes os talentos individuais – que tem aos montes. Neymar, Mbappé, Cavani e Icardi são todos jogadores capazes de decidir jogos, e parar os parisienses passará necessariamente por mitigar o impacto que estes nomes terão em campo.

Real Madrid

Ainda patinando no desempenho, o Real Madrid contará sobretudo com o peso de sua camisa e a experiência de Champions League de seu elenco como pontos fortes na disputa da fase de grupos. Contra adversários como Galatasaray e Brugge, os talentos individuais podem ser suficientes para o time alcançar as vitórias necessárias, e por enquanto é só isso, e o momento vivido pelo PSG que dão ao time essa “folga” para se reencontrar.

Gareth Bale, do Real Madrid (Foto: Getty Images)

Club Brugge: Hans Vanaken

O Brugge perdeu o brasileiro Wesley, mas seu poder de fogo não está acabado. O meia Hans Vanaken teve uma temporada passada de altíssimo nível pelo time, anotando 14 gols e dando 16 assistências na campanha de vice-campeão do clube. Sua área de influência é o flanco esquerdo, por onde sobe para acompanhar o lateral que ataca, oferecendo-se também como opção com as penetrações na área, além da boa conexão que costuma fazer com os atacantes do time. É o grande arquiteto dos ataques do Brugge.

Galatasaray: Sofiane Feghouli

Depois do recém-contratado Falcao, Sofiane Feghouli é a grande esperança ofensiva do Galatasaray. O ponta anotou 13 gols na temporada passada, a sua segunda pelo clube turco, depois de passagem apagada no West Ham. A campanha anterior foi de afirmação ao jogador, que conseguiu mostrar na Turquia suas principais qualidades, entre elas a habilidade para manter a bola, passes precisos para colocar companheiros em boas condições e, claro, a finalização.

PSG: Kylian Mbappé

Mesmo tão novo, Mbappé dispensa apresentações até para os mais casuais fãs de futebol. Escreveu seu nome rápido na história moderna do futebol com arrancadas fulminantes, precisão na frente do gol, dribles desconcertantes e uma personalidade de gente grande que não se intimidou nem em uma Copa do Mundo – a sua primeira, em que foi já um dos destaques individuais e levou a taça pra casa. Com Neymar caindo em desgraça com a torcida e Cavani já longe de ser um garoto, Mbappé, o menino de Bondy, toma nesta temporada o protagonismo para si, ainda que, tecnicamente, Neymar siga como o maior nome capaz de desequilibrar no time de Tuchel.

Real Madrid: Gareth Bale

Gareth Bale é um caso raro de jogador que chega a um clube, conquista diversos títulos, entre eles quatro Liga dos Campeões, marca em duas finais diferentes do torneio, com um dos gols sendo possivelmente o mais bonito de uma decisão da competição continental, e, ainda assim, se deixasse hoje o Real Madrid – como esteve próximo de acontecer – teria sua passagem considerada um fracasso por um bom número de pessoas. O galês foi muito atrapalhado por lesões, mas sempre que teve sequência foi decisivo ao clube, mesmo no mais importante dos torneios, como lembramos acima. Nesta temporada, Zidane não o queria no clube, mas o camisa 11 já acumula dois gols e uma assistência em três jogos neste início de temporada.

Keylor Navas, do Real Madrid (Foto: Getty Images)

Club Brugge: Éder Balanta

Se tem alguém que entende bem o que é ser o elo fraco de um grupo de Champions League, esse alguém é Éder Balanta. O volante/zagueiro colombiano, recém-chegado ao Brugge, disputou a fase de grupos da competição em duas das últimas três temporadas pelo Basel. Enfrentou clubes como Manchester United, Arsenal e o próprio PSG, que reencontra agora. Na temporada 2017/18, ajudou os suíços inclusive a se classificarem para as oitavas de final, mas, lesionado, não pôde enfrentar o Manchester City.

Galatasaray: Ryan Babel

Ryan Babel parecia um nome distante que ficou lá atrás, no seu PES de PlayStation 2, mas ele surgiu mais triunfante do que nunca na temporada passada, com seu cabelo afrontosamente vermelho, nos finais de semana de Premier League pelo Fulham, consolidando um improvável retorno à seleção holandesa que começara em 2017, depois de seis anos longe da Oranje. Em campo, não traz lá muita contribuição técnica, mas sua experiência em Champions League pode ser importante ao Galatasaray. O ponta acumula 43 jogos na competição (sem contar playoffs), defendendo três clubes ao longo de 15 anos: Ajax, Liverpool e Besiktas.

PSG: Keylor Navas

Keylor Navas nunca teve o reconhecimento que merecia no Real Madrid, talvez por não ser espanhol, talvez por não ser europeu, talvez por não ser midiático. Duas coisas, no entanto, ele foi: líder e consistente. Contratado pelos madridistas após grande Copa do Mundo em 2014 pela Costa Rica, Navas colocou seu nome na história do Real, conquistando três Champions Leagues em três anos, entre as temporadas 2015/16 e 2017/18, mas nem mesmo isso foi suficiente para desviar os olhares que o clube lançava a goleiros badalados. Agora no PSG, tem a chance de receber o amor que sempre mereceu e de levar a experiência necessária para que o clube alcance seu sonho de vencer a Liga dos Campeões. O caminho das pedras ele conhece bem.

Real Madrid: Sergio Ramos

A verdade é que o elenco do Real Madrid poderia ter um bocado de Mister Champions, mas se temos que destacar um, Sergio Ramos é um bom representante. Tetracampeão da competição, o zagueiro acumula atuações decisivas e com gols na Liga dos Campeões, a principal delas sendo justamente a final que abriu a contagem de títulos do clube nos últimos anos, em 2013/14, contra o Atlético de Madrid. Seu tento nos acréscimos levou o jogo para a prorrogação, onde então o Real amassou seu rival para sair com a taça e uma goleada por 4 a 1. Em diversas realidades alternativas, dizem, a ausência do gol de Ramos impossibilitou a sequência de quatro títulos de Champions League em cinco anos.

Falcao, do Galatasaray (Foto: Getty Images)

Club Brugge: Simon Mignolet

Por muitos anos, Simon Mignolet acumulou experiência importante de seus duelos de top 6 na Inglaterra. Jürgen Klopp, no entanto, enxergou que precisaria de um goleiro melhor para levar seu projeto à frente, tentando primeiro Karius antes de encontrar Alisson. Mignolet ficou para trás, mas deixou os Reds tendo o carinho da torcida e chega ao Brugge, em seu país natal, como nome de peso. A experiência do arqueiro pode servir bem ao time.

Galatasaray: Radamel Falcao García

Os anos de brilho por Atlético de Madrid e Monaco, em sua primeira passagem no futebol francês, foram tão intensos que mesmo o fracasso na Inglaterra, por Manchester United e Chelsea, não apagou seu status de ícone. Falcao García iniciou recentemente um novo capítulo, desta vez pelo Galatasaray, e as cenas iniciais dão conta de que deverá ser uma relação bastante apaixonada. Embora esteja longe daquele Falcao que um dia conhecemos, ainda tem bola suficiente para se destacar por cores novas nesta reta final de carreira.

PSG: Mauro Icardi

Se tem uma coisa que Mauro Icardi atrai tanto quanto confusão são gols, e é por isso mesmo que o PSG faz essa aposta, ainda que esteja em um momento em que a última coisa que deseja é mais um jogador com atitude de diva no vestiário. Sem espaço na Inter por causa do extracampo, Icardi pode ver neste empréstimo ao PSG uma oportunidade de consertar sua imagem e garantir em breve um grande contrato. Cavani e Mbappé podem estar bem estabelecidos, mas, com eles lesionados neste começo de temporada, a oportunidade caiu nos colos do argentino, que bola já mostrou ter, falta só a cabeça no lugar.

Real Madrid: Eden Hazard

Depois de uma temporada com Mariano, a camisa 7 do Real Madrid vestida por tantos anos por Cristiano Ronaldo tem um dono à altura. No auge de sua carreira, após ótima Copa do Mundo pela Bélgica em 2018 e seguidas temporadas como um dos melhores jogadores da Premier League, Eden Hazard chegou ao Real Madrid para ser o líder técnico de uma equipe conhecida por contar com diversos craques. Neste início de temporada, ainda luta para se colocar em forma, mas é questão de tempo para começar a fazer pelos madridistas o que tanto fez em Londres: desequilibrar.

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