Cidade: Bremen, em Bremen (586 mil habitantes)
Estádio: Wohninvest Weserstadion (42,1 mil espectadores)
Técnico: Florian Kohfeldt (desde novembro de 2017)
Posição em 2019/20: 16° (salvo nos playoffs contra o Heidenheim)
Participações na Bundesliga: 56
Projeção: meio da tabela
Principais contratações: Leonardo Bittencourt (M, Hoffenheim), Ömer Toprak (D, Borussia Dortmund), Felix Agu (D, Osnabrück), John Mina (M, Emelec), Oscar Schönfelder (A, Mainz), Patrick Erras (M, Nuremberg), Tahith Chong (A, Manchester United)
Principais saídas: Nuri Sahin (M, Antalyaspor), Fin Bartels (A, Holstein Kiel), Jan-Niklas Beste (D, Jahn Regensburg), Benjamin Goller (A, Karlsruher), Felix Beijmo (D, Malmö), Luca Pogmann (G, Meppen), Thore Jacobsen (M, Magdeburgo), Claudio Pizarro (A, aposentado), Sebastian Langkamp (D, sem clube), Philipp Bargfrede (M, sem clube), Kevin Vogt (D, Hoffenheim)
Brasileiros no elenco: Eduardo dos Santos (goleiro, nascido em Duisburg), Leonardo Bittencourt (meia, nascido em Leipzig)
Time na estreia da Pokal: Pavlenka, Gebre Selassie, Toprak, Moisander, Augustinsson; Bittencourt, Eggestein, Erras, Osako; Sargent, Selke.

O Werder Bremen terminou a Bundesliga 2018/19 em clima positivo, ao conquistar a oitava colocação e não temer o rebaixamento. Até parecia que a temporada passada manteria a evolução sob as ordens de Florian Kohfeldt, quem sabe para dar uma despedida digna a Claudio Pizarro em sua aposentadoria do futebol. No fim das contas, a propensão em emular o rival Hamburgo falou mais alto e os Verdes voltaram à estaca zero, numa campanha claudicante. A venda de Max Kruse causou um impacto maior do que já se previa. Não cair à segundona foi lucro, considerando que o time passou quase todo o segundo turno no Z-2 e quase se deu mal nos playoffs contra o Heidenheim.

Um ponto fundamental ao Werder Bremen é ter consciência do que não deu certo na temporada passada (e foi muita coisa) para reconduzir o trabalho. Até surpreende a paciência que a diretoria demonstra com Kohfeldt, um treinador promissor que havia sido responsável pela guinada anterior dos Verdes. Os superiores parecem confiar no potencial do técnico de 37 anos e esperam que ele possa realmente tirar o máximo que o elenco à disposição oferece. Todavia, o alemão sabe que a pressão se tornará enorme se os resultados não vierem neste recomeço de Bundesliga.

E há motivos para cobranças, olhando para a temporada passada. O Bremen foi um arremedo de time em grande parte do campeonato, com uma defesa totalmente esburacada e um ataque que só não passou impressão pior porque conseguiu algumas goleadas na reta final. Os 6 a 1 sobre o Colônia na última rodada, que decretaram a salvação dos Verdes após 13 rodadas consecutivas em 17° e custaram a queda do Fortuna Düsseldorf, até pareciam um indicativo de virada – foi apenas a segunda vitória da equipe no Weserstadion em toda a Bundesliga. Mas o sofrimento contra o Heidenheim, superior em muitos momentos dos playoffs, mostra que a mudança não vem do dia para noite.

Dito isso, o Werder Bremen tem elenco para ficar em uma posição confortável no meio da tabela. O excesso de lesões pode ter atrapalhado na última Bundesliga, mas não é suficiente para explicar um desempenho tão ruim, com vários jogadores abaixo de seu rendimento. Kohfeldt precisará montar um coletivo realmente eficiente, a começar pela solidez defensiva, um passo essencial para evitar que o ranger de dentes tome conta do Weserstadion outra vez. E, pelos últimos anos, o Bremen anda mais propenso a lutar contra o descenso do que a criar boas expectativas.

O time não mudou tanto em relação à última temporada. Saíram jogadores emprestados e alguns veteranos que não eram mais imprescindíveis, a exemplo do próprio Pizarro. O Bremen também fez questão de assegurar a permanência de alguns jogadores que estavam cedidos por outros clubes e agradaram, a exemplo de Leonardo Bittencourt e Ömer Toprak. Considerando o momento de crise e a maneira como o plantel tem qualidade, os reforços são limitados até o momento. Patrick Erras chega de graça, após fazer hora extra no Nuremberg, e Tahith Chong vem emprestado do Manchester United, bem cotado por sua dose de talento.

Dá para o Werder Bremen fazer muito mais, mesmo sem mexer as peças. Jiri Pavlenka é um bom goleiro e até evitou um desastre maior em 2019/20. A defesa possui bons jogadores que não tiveram sequência pelas diferentes lesões, como Ludwig Augustinsson e Toprak. Ainda há a experiência de Theodor Gebre Selassie e Niklas Moisander no setor. No meio, Davy Klaassen é a grande referência técnica e permanece por lá, um dos melhores do time ao lado de Leonardo Bittencourt neste papel de armação. Também aparece Maximilian Eggestein, que apesar dos altos e baixos, é um volante com enorme potencial. Chong e Erras podem completar o quarteto ideal.

Por fim, no ataque, há um dilema entre o que o Werder Bremen pode ter e o que realmente terá. Milot Rashica é um dos melhores jogadores da equipe e carregou os Verdes nas costas em diversos momentos. Além de estar lesionado, não sabe se continuará no norte da Alemanha. Caso fique, é um óbvio protagonista. Yuya Osako foi o outro titular na linha de frente na campanha anterior e brilhou nos jogos que garantiram a sobrevida na Bundesliga, mas é um coadjuvante. Entre as demais alternativas, há Davie Selke, Niclas Füllkrug e Johannes Eggestein – que, por diferentes motivos, pouco renderam. Fullkrüg é quem deve ganhar mais espaço, recuperado de lesão. Ainda assim, a aposta mesmo é Josh Sargent, americano de 19 anos que viveu de lampejos, mas deve evoluir com o tempo e com tranquilidade – o que não se tinha na temporada passada.

A calma para trabalhar se restabeleceu na pré-temporada. O Werder Bremen venceu todos os seus jogos e também garantiu a classificação na Copa da Alemanha em cima do Carl Zeiss Jena. Bom presságio sobre as promessas à disposição, Sargent e Chong balançaram as redes para os Verdes. Fabian Kohfeldt até deixava expressa uma ideia de jogo em 2019/20 para jogar nos contragolpes, o que rendeu uma longa campanha na própria Pokal, mas que não significava fazer o time funcionar coletivamente em cima disso. O encaixe é necessário, porque bons jogadores para fazer o Bremen render muito mais estão presentes.

O treinador

Florian Kohfeldt costuma ser comparado com Julian Nagelsmann, e não sem motivos. Ambos são muito jovens para a carreira de treinador e chegaram à equipe principal pinçados de bons trabalhos na base, para tentar evitar um desastre. Kohfeldt negou o descenso em 2017/18, até com uma boa gordura, e quase levou o Bremen à Liga Europa em sua primeira temporada completa. Mas não soube manter o fio da meada e perdeu seu time durante a última campanha. Redescobrir as aptidões, suas e dos jogadores, é a exigência para 2020/21. Gosta de armar equipes explosivas.

A referência

Se a permanência de Milot Rashica não é certa, o posto de principal nome do Werder Bremen fica com Davy Klaassen. Aos 27 anos, o holandês possui uma experiência maior que sua idade sugere. É o termômetro do meio-campo e a principal fonte de criatividade dos Verdes. Não à toa, a diretoria se esforçou para assegurar sua permanência, quando o Ajax tentava seduzi-lo de volta a Amsterdã. Apesar do pouco tempo no Weserstadion, o maestro se identificou com o Bremen, especialmente por recuperar seu prestígio após a frustração no Everton. Mas o clube precisa brigar por mais se quiser mantê-lo.

O reforço

A cabeleira e a boa estatura fazem de Tahith Chong uma figura facilmente identificável em campo. E os gols também, considerando seu sucesso nas categorias de base do Manchester United. O garoto de 20 anos até ganhou algumas chances com Ole Gunnar Solskjaer durante as últimas temporadas, mas não pareceu totalmente pronto para fazer o mesmo barulho em Old Trafford e o empréstimo parece uma boa saída. Ganhará sequência em alto nível na Bundesliga, para mostrar um futebol que mistura velocidade e habilidade. O bom começo do holandês, com gol na Pokal, mostra que ele está disposto a aproveitar o ano que passará em Bremen.