Guia da Bundesliga 2020/21: Eintracht Frankfurt

Cidade: Frankfurt am Main, em Hesse (746 mil habitantes)
Estádio: Deutsche Bank Park (51,5 mil torcedores)
Técnico: Adi Hütter (desde julho de 2018)
Posição em 2019/20: 9°
Participações na Bundesliga: 52
Projeção: briga por Liga Europa
Principais contratações: André Silva (A, Milan), Steven Zuber (M, Hoffenheim), Ragnar Ache (A, Sparta Roterdã), Jetro Willems (D, Newcastle), Simon Falette (D, Fenerbahçe)
Principais saídas: Mijat Gacinovic (M, Hoffenheim), Gonçalo Paciência (A, Schalke), Lucas Torró (M, Osasuna), Sahverdi Cetin (M, Ankaragücü), Ante Rebic (A, Milan), Nils Stendera (Lokomotive Leipzig), Dejan Joveljic (A, Wolfsberger), Rodrigo Zalazar (M, St. Pauli), Jan Zimmermann (G, aposentado), Marco Russ (D, aposentado), Gelson Fernandes (M, aposentado), Jonathan de Guzmán (M, sem clube)
Brasileiros no elenco: Tuta (zagueiro)
Time na estreia da Pokal: Trapp, N’Dicka, Abraham, Hinteregger; Da Costa, Kohr, Rode, Zuber; Kamada; Dost, André Silva.

Depois de duas temporadas consecutivas fazendo história, não seria surpresa se o Eintracht Frankfurt caísse de nível. A venda das três principais referências ofensivas (Sebastien Haller, Luka Jovic e Ante Rebic) deixava uma óbvia lacuna difícil de se preencher. O clube até correu atrás de reforços, que não mantiveram a mesma regularidade. No geral, o desempenho das Águias nem foi tão ruim. Mas foi uma equipe muito mais inconstante, que desta vez não pareceu real candidata à vaga na Liga Europa.

Ofensivamente, não foi uma temporada ruim do Eintracht Frankfurt. Ninguém conseguiu reproduzir o nível dos antigos titulares, é verdade. Mas, que Bas Dost, Gonçalo Paciência ou André Silva tenham vivido de boas fases esporádicas, o time como um todo ajudou a produzir mais. Outros jogadores que estavam no elenco também se alavancaram. Só não foi suficiente quando a defesa se transformou em uma peneira e reduziu as perspectivas das Águias de brigarem na parte de cima da tabela.

O Eintracht Frankfurt voltou a ter campanhas relevantes nas copas, alcançando as semifinais da Pokal e as oitavas da Liga Europa. Foram as duas competições, afinal, que marcaram tanto o clube nos anos anteriores. Mas na própria Bundesliga houve uma queda de patamar. O time não engrenou em momento algum e viveu de oscilações no meio da tabela, especialmente depois de uma sequência de sete rodadas sem vitórias no final do primeiro turno. Esse momento, sobretudo, custou as ambições das Águias.

Olhando pelo lado positivo, não ter se classificado à Liga Europa ajuda o Eintracht Frankfurt. Nas duas últimas temporadas, o clube fez campanhas longas no torneio continental e isso claramente desgastou o elenco para os jogos na Bundesliga. Adi Hütter poderá se concentrar nos torneios nacionais e deixar um pouco mais expresso seu bom trabalho, com um futebol que explora muito a presença de área dos atacantes e ataca os corredores do campo. Além disso, a equipe se preserva razoavelmente para o próximo ano, mesmo sem fazer grandes contratações.

O principal negócio do Frankfurt foi a permanência de André Silva, que voltou iluminado após a pausa da Bundesliga. O centroavante parece recuperar parte de seu prestígio e terminou envolvido em uma troca em definitivo com Ante Rebic. Outro a chegar por meio de troca foi o meia Steven Zuber, um jogador versátil. Para tanto, Mijat Gacinovic rumou ao Hoffenheim. O meia teve seu brilho no ciclo recente, mas caiu de nível sem os velhos parceiros na temporada passada.

O Frankfurt também se desfez de alguns medalhões no elenco, o que permitiu ao clube enxugar sua folha de pagamentos. Marco Russ, simbólico capitão que se recuperou de um câncer há quatro anos, foi um dos que pendurou as chuteiras. Gelson Fernandes também encerrou a carreira, enquanto Jonathan de Guzmán terminou dispensado. Atletas renomados, mas que não contribuíam tanto. Quem pode fazer um pouco mais de falta é Gonçalo Paciência, que integrava a rotação no ataque, mas acabou emprestado ao Schalke 04. É um sinal da aposta em Ragnar Ache, garoto contratado junto ao Sparta Roterdã, após surgir bem na Eredivisie.

A base do Eintracht Frankfurt, de qualquer forma, permite imaginar uma campanha ao menos no meio da tabela. Kevin Trapp voltou a ser um dos melhores goleiros do futebol alemão. A zaga é liderada pelo capitão David Abraham e por Martin Hinteregger, que anotou espantosos oito gols na última campanha. Evan N’Dicka é a grande revelação do setor, mas está machucado e só voltará ao time em agosto.

Enquanto Danny da Costa e Timothy Chandler são boas opções na ala direita, Filip Kostic foi o melhor jogador do time jogando na esquerda. Sobrou com seus dribles, sua velocidade e o perigo nas bolas paradas. E há também bons volantes, especialmente com a parceira firmada entre Sebastian Rode e o promissor Djibril Sow, ótimo em sua temporada de estreia. Na armação, Daichi Kamada não foi tão bem na Bundesliga, mas destruiu partidas na Liga Europa. E enquanto André Silva ganha moral no ataque, Bas Dost toma conta da área com sua experiência e sua boa estatura.

Adi Hütter precisa, com esses jogadores, montar uma equipe mais funcional. Foi impressionante a maneira como o Frankfurt se alternou de vitórias excelentes a derrotas dolorosas. Vale lembrar que os 5 a 1 sobre o Bayern de Munique mudaram a história do campeonato, resultando na demissão de Niko Kovac e na promoção de Hansi Flick. Mas foi este mesmo time das Águias que, em seis ocasiões diferentes, tomou ao menos três gols em uma mesma partida.

Em sua terceira temporada em Frankfurt, Hütter já passou o período probatório. Por mais que Niko Kovac tenha deixado uma boa base após conquistar a Copa da Alemanha, o austríaco proporcionou uma evolução tática e uma equipe com mais alternativas. Só não é ainda o ideal, quando as partidas das Águias são imprevisíveis. Precisando promover menos rotações no time, sem o calendário dividido com a Liga Europa, dá para esperar menos trepidações. Quem sabe, para a Europa voltar ao horizonte em breve.

O treinador

Mais um treinador proveniente da escola da Red Bull, Adi Hütter passou pela base do Salzburg e rodou por outros clubes menores da Áustria, até assumir a equipe principal dos Touros Vermelhos em 2014/15. Conquistou o Campeonato Austríaco, mas resolveu sair por discordar das vendas realizadas pela diretoria. Assumiu então o Young Boys e marcou seu nome na Suíça, ao quebrar a hegemonia do Basel e romper um jejum de mais de três décadas dos aurinegros. O currículo era riquíssimo e, até por isso, parecia uma ótima escolha do Frankfurt após o sucesso de Niko Kovac. Os resultados são favoráveis, apesar da pouca margem a descanso nas duas temporadas anteriores.

A referência

Filip Kostic já tinha sido um jogador muito importante em sua primeira temporada no Eintracht Frankfurt, emprestado pelo Hamburgo após o rebaixamento dos Dinossauros. Agradou tanto que ficou em definitivo e, com a venda do trio de ataque, o talento do camisa 10 se evidenciou. Haller ou Jovic marcavam muitos gols pelos serviços do meia esquerda, que se tornou mais decisivo nas últimas campanhas, com a equipe mais dependente de seu futebol. É um dos maiores garçons em atividade no futebol alemão e potencializa os contragolpes. Aos 27 anos, tem bola para seguir crescendo em importância.

O reforço

Como André Silva já estava no elenco, vale destacar o que Steven Zuber pode produzir no Eintracht Frankfurt. O meio-campista da seleção suíça chegou à Bundesliga em 2014, através do Hoffenheim, após temporadas no Grasshoppers e no CSKA Moscou. Nunca foi titular absoluto nos alviazuis, mas podia ser encaixado de diferentes maneiras. Chegou a ser emprestado ao Stuttgart antes do rebaixamento e a mudança de ares parecia necessária nesta temporada. Desta maneira, as Águias aparecem em seu caminho. Pode entrar em diferentes posições no meio-campo e será importante para ajudar Kostic, ora ocupando a ala esquerda, ora até trocando de posição para dar liberdade ao sérvio. É um operário.