Guia da Bundesliga 2020/21: Borussia Mönchengladbach

Cidade: Mönchengladbach, na Renânia do Norte-Vestfália (262 mil habitantes)
Estádio: Borussia-Park (54,1 mil espectadores)
Técnico: Marco Rose (desde julho de 2019)
Posição em 2019/20: 4°
Participações na Bundesliga: 53
Projeção: briga por Champions
Principais contratações: Hannes Wolf (A, RB Leipzig), Valentino Lazaro (M, Internazionale), Michael Lang (D, Werder Bremen), Andreas Poulsen (D, Austria Viena), Julio Villalba (A, Altach), Jordan Beyer (D, Hamburgo)
Principais saídas: Tobias Strobl (M, Augsburg), Fabian Johnson (A, sem clube), Raffael (A, sem clube)
Brasileiros no elenco: Nenhum
Time na estreia da Pokal: Sippel, Lainer, Elvedi, Ginter, Bensebaini; Neuhaus, Kramer; Wolf, Stindl, Hofmann; Hermann.

Quando o Borussia Mönchengladbach fechou a contratação de Marco Rose, ficava claro que o clube ganhava um dos melhores treinadores da Bundesliga. O trabalho do alemão à frente do Red Bull Salzburg foi excepcional e esperava-se mesmo que um clube de projeção na Alemanha usufruísse de seus serviços. Apesar disso, era natural dar tempo ao tempo. Rose implantaria uma filosofia de jogo diametralmente distinta àquela praticada por Dieter Hecking e talvez os jogadores demorassem a assimilar seus conceitos. Todavia, o impacto imediato do novo técnico foi gigantesco e, mesmo caindo na reta final da campanha, os Potros registraram seu melhor resultado em décadas – com uma sequência de rodadas na liderança que não se experimentava desde o esquadrão dos anos 1970.

Olhando friamente para a tabela final, nem parece que o Gladbach mudou tanto em relação a Hecking. Da quinta colocação em 2018/19, saltou ao quarto lugar em 2019/20. Mas quem acompanhou o time bem sabe que todos os elogios a Marco Rose foram merecidos. Primeiro, pela ideia coletiva que incutiu. Os Potros contaram com um time empolgante, com uma marcação por pressão sufocante e muita velocidade para buscar o gol. Assim, desmontaram defesas constantemente. Além disso, vários jogadores se valorizaram com o treinador. Quem chegou não demorou a se aclimatar e quem já estava recuperou uma aclamação perdida com o tempo. O resultado foi excelente.

Enquanto a Bundesliga estava equilibrada, o Gladbach sonhou com a Salva de Prata. O time sofreu apenas três derrotas nos primeiros 14 jogos e permaneceu na liderança por oito rodadas. Entretanto, justamente a vitória sobre o Bayern (já com Hansi Flick) anteciparia a queda ao final do primeiro turno. A segunda metade da campanha não foi tão boa, sobretudo pelas dificuldades na volta da pandemia e pelo excesso de lesões. Ainda assim, os Potros não mereciam ficar de fora da Champions e as três vitórias nos três últimos compromissos asseguraram um lugar no G-4.

Uma das virtudes do Gladbach em 2019/20 foi sua força dentro de casa. A equipe teve um aproveitamento de 75% dos pontos e garantiu 12 vitórias nos 17 compromissos. Melhorar o rendimento fora é um dos próximos objetivos à ascensão dos Potros. Outro entrave foram os confrontos diretos. Tirando a mencionada vitória sobre o Bayern, a equipe não ganhou nenhum outro embate contra os três primeiros colocados, empatando apenas um dos duelos com o RB Leipzig. Logicamente, isso atrapalhou a estadia dos alvinegros na liderança e sua própria ambição de lutar pelo título. De qualquer maneira, voltar à fase de grupos da Champions já possui enorme valia.

O torneio continental exigirá mais do Borussia Mönchengladbach, considerando que a falta de profundidade do elenco também gerou dificuldades aos Potros. Quando alguns protagonistas se lesionaram no segundo turno, faltaram alternativas a Marco Rose. E a maratona agora será maior, num mercado de transferências que é bem controlado pela diretoria, por todas as dificuldades econômicas do momento. Os alvinegros acertaram apenas os empréstimos de Hannes Wolf e Valentino Lazzaro, dois jogadores que trabalharam com Rose em Salzburg. Uma campanha modesta na Champions não deve ser olhada como fiasco, pensando que o objetivo principal é se estabilizar no pelotão de frente da Bundesliga durante as próximas temporadas.

Para isso, o Gladbach continua tão forte quanto já se viu em 2019/20. A diretoria também tem méritos por segurar os seus destaques, mesmo com alguns deles bem cotados no mercado de transferências. O clube só abriu mão de jogadores veteranos que não tinham mais tanto espaço entre os titulares – como Raffael, Tobias Strobl e Fabian Johnson. As lesões é que preocupam um pouco mais, com o departamento médico correndo contra o tempo para que alguns dos destaques estejam saudáveis o quanto antes.

Um dos méritos do Gladbach é contar com lideranças em todos os setores. A começar pelo goleiro, Yann Sommer, um dos melhores da Bundesliga nos últimos anos. O suíço chegou a dar sinais de declínio e por vezes sofre seus apagões, mas fez uma ótima temporada. A defesa vê Matthias Ginter chegando ao melhor momento da carreira, quando parecia que o jovem zagueiro não atingiria mais um nível tão alto. A firmeza e a segurança do selecionável fazem toda a diferença aos Potros. Nico Elvedi o acompanha com qualidade, enquanto as laterais possuem ótimos jogadores. Stefan Lainer chegou respaldado do Salzburg e cumpriu sua missão. Quem se sobressaiu mais foi Ramy Bensebaini, que por vezes se ausentou por lesão, mas foi muito produtivo ofensivamente.

A juventude do Gladbach segue no meio-campo. Denis Zakaria foi outro a fazer uma temporada estupenda, um volante de intensidade que talvez nem fique por tanto tempo na Bundesliga. Ao seu lado, Florian Neuhaus manteve sua ascensão como um dos meio-campistas mais promissores do futebol alemão e ganhou uma chance na seleção. E além do útil Lászlo Bénes, a faixa central contou com jogadores redescobertos, a exemplo de Christoph Kramer e Jonas Hofmann (este também na ponta), voltando a render mais.

Já na frente, as cartas na manga de Marco Rose permitiram ao Gladbach realizar variações táticas e ter encaixes diferentes. Marcus Thuram e Alassane Pléa formaram uma das duplas mais dinâmicas da Bundesliga, com explosão e faro de gol – especialmente com a participação do filho de Lilian Thuram pelo lado esquerdo. Os novatos ganharam mais destaque, mas Breel Embolo também gastou a bola, exatamente porque não ficou apenas restrito como homem de área, revelando até mesmo um lado mais armador – e mais eficiente. Patrick Herrmann via sua carreira estagnada, até ser redescoberto nesta campanha, tomando conta da ponta direita. E, aos 30 anos, Lars Stindl foi o exemplo que os companheiros esperavam, voltando de lesão e assumindo a braçadeira para facilitar a adaptação dos novos companheiros.

A chegada de Hannes Wolf, em especial, garante mais formas de montar esse ataque e manter a produtividade alta do Borussia Mönchengladbach. De novo, será um time a se acompanhar de perto – agora também na Champions. Manter todo mundo saudável é um obstáculo, tendo em vista o que aconteceu nos últimos meses. Mas se os jogadores se deram tão bem com o novo sistema em poucas semanas de treinamento, é de se imaginar que as ideias criem raízes e gerem mais frutos no segundo ano de Marco Rose. Não será fácil repetir as oito rodadas na liderança, mas dá para esperar jogos melhores dos Potros contra seus principais concorrentes na tabela.

O treinador

Nascido em Leipzig, Marco Rose jogou no Lokomotive, embora o momento realmente definitivo de sua carreira aconteceu no Mainz 05. O lateral foi um dos pupilos de Jürgen Klopp, contribuindo ao acesso inédito à Bundesliga. No final da trajetória, enquanto ainda jogava no Mainz II, Rose ganhou experiência com assistente de Thomas Tuchel e Martin Schmidt. Assumiu primeiro o Lok Leipzig e depois seria levado à base do Red Bull Salzburg, em grande trabalho que culminou na conquista da Uefa Youth League, a competição de juniores mais importante da Europa. Foi então que subiu ao time principal e, em duas temporadas, ficaria marcado por conduzir os Touros Vermelhos à semifinal da Liga Europa. A quem acompanhou seu trabalho na Áustria, o sucesso na Alemanha não é surpresa.

A referência

Alassane Pléa, Marcus Thuram, Denis Zakaria ou Florian Neuhaus são jogadores mais empolgantes. Mesmo assim, um dos esteios do Gladbach em sua excelente campanha na temporada passada foi Matthias Ginter. O zagueiro exibe um nível de maturidade enorme, a uma carreira já tarimbada a quem tem somente 26 anos. A passagem apagada pelo Borussia Dortmund ficou para trás, quando o defensor esteve entre os melhores do país por tudo o que jogou com os Potros na última Bundesliga. Além da imponência na marcação, é um beque que sabe trabalhar com a bola no chão. A relevância o ajuda até mesmo a se firmar como titular na seleção alemã.

O reforço

Hannes Wolf era um jogador-chave de Marco Rose no Red Bull Salzburg, como um ponta muito participativo, que garantia gols e assistências. Seria essencial nas boas campanhas europeias do clube e, até por isso, terminou promovido ao Leipzig na temporada passada. Um ano cheio de lesões atrapalhou sua progressão e só atuou por cinco vezes na Bundesliga. Por isso mesmo, a ida para o Borussia Park tende a ser ótima. Reencontra o treinador que o lançou no futebol e terá todas as condições de dar a volta por cima.