Guia da Champions League 2020/21 – Grupo B: Real Madrid, Inter, Gladbach e Shakhtar Donetsk

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POR QUE ACOMPANHAR

O grupo tem uma boa dose de equilíbrio, ao menos em tese. Mais do que isso, o grupo não tem nenhum time tão fraco para perder quase todos os jogos. Embora tenhamos favoritos, os quatro times tem história na competição e podem causar impacto. O Real Madrid é o principal favorito do grupo, com  a Inter a maior candidata a passar aos mata-matas. Borussia Mönchengladbach e Shakhtar Donetsk prometem boa disputa e tentarão causar problemas e têm potencial para isso.

Há outras atrações que prometem ser interessantes, como os confrontos entre Real Madrid e Inter. Os dois times não se enfrentam desde 1998, quando duelaram também na Champions League daquela temporada 1998/99. Foram dois duelos, com vitória do Real Madrid em casa por 2 a 0 e vitória da Inter na Itália por 3 a 1. Os dois times decidiram a antiga Copa dos Campeões em 1964, quando a Inter conquistou seu primeiro título do principal torneio europeu.

O Borussia Mönchengladbach fez uma ótima campanha na Bundesliga da temporada passada, quando ficou em quarto na tabela. É um time tradicional, que já foi finalista da Copa dos Campeões em 1976/77, além de conquistar a Copa da Uefa em 1974/75 e em 1978/79 e com dois vices. Ainda que distante dos tempos mais gloriosos, é um time com história europeia. O Shakhtar tem uma história recente também interessante: desde a temporada 2000/01, o clube participa da Champions League, nem que seja das fases preliminares. Por isso, são clubes que têm algo a oferecer neste grupo.

TÍTULOS

Real Madrid: 13 (1955/56, 1956/57, 1957/58, 1958/59, 1959/60, 1965/66, 1997/98, 1999/2000, 2001/02, 2013/14, 2015/16, 2016/17, 2017/18)

Internazionale: 3 (1963/64, 1964/65, 2009/10)

RETROSPECTO RECENTE

Real Madrid

2019/20 – oitavas de final (eliminado pelo Manchester City)
2018/19 – oitavas de final (eliminado pelo Ajax)
2017/18 – campeão
2016/17 – campeão
2015/16 – campeão

Internazionale

2019/20 – fase de grupos
2018/19 – fase de grupos
2017/18 – não participou
2016/17 – não participou
2015/16 – não participou

Borussia Mönchengladbach

2019/20 – não participou
2018/19 – não participou
2017/18 – não participou
2016/17 – fase de grupos
2015/16 – fase de grupos

Shakhtar Donetsk

2019/20 – fase de grupos
2018/19 – fase de grupos
2017/18 – oitavas de final (eliminado pela Roma)
2016/17 – terceira fase preliminar
2015/16 – fase de grupos

AMBIÇÃO

Zinedine Zidane, do Real Madrid (Getty Images)

Real Madrid

O maior campeão da Champions League sempre entra pensando na taça, mesmo em um ano com tantos atenuantes para ser de fato um candidato ao título. O time está sendo reconstruído em um processo de transição, com alguns veteranos, como Sergio Ramos, Luka Modric e Karim Benzema, e jovens como Rodrygo, Vinícius Júnior, Federico Valverde e Martin Odegaard. Embora tenha sido campeão espanhol, o time oscilou demais e não conseguiu ter boas atuações com frequência. É o desafio de Zidane, já que há talento no elenco, embora não haja ainda um time do mais alto nível.

Borussia Mönchengladbach

De volta à Champions League, o Gladbach terá como objetivo tentar chegar à fase eliminatórias. Ir até as oitavas de final será um desafio difícil, mas possível para os Borussen. O time do técnico Marco Rose nunca chegou à fase de mata-mata do torneio desde 1992 quando recebeu o nome de Champions League. Antes disso, a última participação em fases a partir das oitavas de final foi em 1977/78, nas semifinais da Copa dos Campeões, quando foi derrotado pelo Liverpool. Portanto, chegar à fase de grupos será um excelente resultado. Ir à Liga Europa, porém, já será um bom resultado para os alemães, diante do seu histórico recente.

Internazionale

Antonio Conte chega ao seu segundo ano de trabalho na Internazionale e a pressão também aumenta. Já são duas temporadas com o clube caindo na fase de grupos, o que é frustrante para uma equipe como a Inter, com o investimento que tem e a tradição que possui. Desta vez, Conte ganhou ainda mais reforços e chegar ao menos até às oitavas de final é uma questão de honra. Ir até as quartas de final já será considerado um bom resultado. Cair na fase de grupos seria um desastre.

Shakhtar Donetsk

Mais uma vez campeão ucraniano, o clube que vive como um forasteiro no seu próprio país. Sem poder jogar em Donetsk, o clube joga atualmente no Estádio Olímpico de Kiev, na capital do país. Com sua tradicional legião brasileira, o time tenta surpreender e derrubar os adversários para beliscar uma vaga no mata-mata, algo que seria excepcional. De forma realista, se o clube for para a Liga Europa, já terá motivos para comemorar e estará satisfeito.

PONTO FORTE

Lukaku e Lautaro, da Internazionale (Reprodução/Twitter da Liga Europa)

Real Madrid

O peso de ser o Real Madrid é sempre algo a ser considerado, independente de quem vista a camisa. Isso, porém, é algo secundário, já que é preciso antes disso jogar bola. O time tem qualidades inegáveis. Uma delas é que tem um ataque muito veloz, seja com quem for titular. Karim Benzema, que é o veterano, é um jogador inteligente, passa rápido a bola e se combina bem com os velozes Vinícius Júnior, Rodrygo ou mesmo Eden Hazard, quando está saudável. Isso sem falar em outros jogadores como Federico Valverde no meio-campo, que se torna o pulmão do time quando atua – e parece que vai forçar Modric ou Kroos a ficarem no banco. Com isso, o contra-ataque dos merengues é algo a se ficar atento e que pode causar sérios estragos.

Borussia Mönchengladbach

Um dos grandes méritos do Gladbach na temporada passada foi a sua consistência defensiva, com 40 gols sofridos em 34 jogos. Diante de adversários mais fortes, porém, isso tende a não ser uma grande vantagem. O que deve chamar mais a atenção é mesmo o ataque do time, que tem bons jogadores tecnicamente, velozes e capazes de causar perigo. Marcus Thuram, filho de Lilian, aquele, campeão do mundo em 1998; Alassane Plea, jogador consistente na Bundesliga; além do capitão Lars Stindl. Todos têm boa qualidade técnica e podem ser um perigo aos adversários. Coletivamente, o time tem um ataque perigoso, embora não de fazer assim tantos gols.

Internazionale

A dupla de ataque do time é certamente o que mais chama a atenção e o que mais leva perigo na Inter. Os times de Conte em geral são bem organizados defensivamente, mas nesta temporada têm sofrido muitos gols. O grande mérito é o mesmo da temporada passada: a dupla Romelu Lukaku e Lautaro Martínez, reforçada ainda pela boa fase de Alexis Sánchez, que é opção. Lukaku tem sido o melhor jogador dos nerazzurri e pode causar estragos em qualquer defesa do mundo. Lautaro tem oscilado, mas é um jogador muito perigoso, seja em tabelas, seja em seus potentes chutes, de longe ou de perto.

Shakhtar Donetsk

Os ucranianos têm uma qualidade que é histórica e se mantém: talento no seu ataque. Em parte, isso se deve aos brasileiros: Taison, um dos líderes do time, além de Júnior Moraes, artilheiro do time, e do meia Marlos (estes dois últimos naturalizados ucranianos). O seu ataque é avassalador no nível local (foram 59 gols em 22 partidas na temporada passada na Ucrânia) com os três citados como os principais artilheiros. Além deles, há o time de suporte vindo de trás: o meio-campista Marcos Antônio, de 20 anos, tem muita qualidade na chegada ao ataque, mesmo atuando recuado na meia cancha, enquanto o lateral Dodô, 21 anos é uma flecha pelo lado direito. Este último é um ótimo candidato a aparecer na lista de convocados da seleção brasileira em breve – quando será chamado pejorativamente de “cota Shakhtar”, mesmo jogando um bom futebol no clube ucraniano e desde a sua saída do Coritiba, ainda em 2017, e atuando em uma posição carente de bons nomes.

O CRAQUE

Taison, do Shakhtar Donetsk (Oleksandr Osipov)

Real Madrid: Karim Benzema

Aos 32 anos, Karim Benzema vive uma ótima fase desde a temporada passada. Precisou assumir um papel de maior protagonismo no time depois da saída de Cristiano Ronaldo, em 2018, e se tornou o artilheiro do time. Na temporada passada, 2019/20, foram 27 gols em 48 jogos, além de 11 assistências. É um dos pilares do time e um jogador extremamente inteligente com ou sem a bola. Mais do que ser um finalizador, Benzema é capaz de construir jogadas. É um jogador que trabalha pelo que o time precisa, seja segurar a bola, tocar rápido ou, claro, finalizar.

Internazionale: Romelu Lukaku

Romelu Lukaku fez uma primeira temporada fantástica nos nerazzurri. Jogador mais caro contratado na história da Inter, fez 34 gols em 51 jogos. Foi a melhor temporada de um atacante desde Samuel Eto’o, na temporada 2010/11, que fez 37 gols em 53 jogos. Nesta temporada, Lukaku já tem quatro gols em quatro jogos. Além dos gols, o belga ainda é um jogador perigoso para criar jogadas, com arrancadas velozes pelos lados do campo. Com 1,91 metro de altura e uma força física enorme, pará-lo em velocidade é uma tarefa duríssima.

Borussia Mönchengladbach: Marcus Thuram

O atacante Marcus Thuram, filho de Lilian Thuram, campeão do mundo em 1998, é um jogador de ótima qualidade técnica e que pode atuar em todos os setores do ataque. Pelos lados ou pelo centro, o francês tem potencial de causar problemas. Outro atacante de muita altura, 1,92 metro, mas não se engane: ele é um jogador muito habilidoso e veloz e sabe segurar bem a bola, além de cabecear com desenvoltura.

Shakhtar Donetsk: Taison

Embora não seja comparável a Messi, Taison é um jogador de destaque no futebol europeu há algum tempo. O atacante é um dos líderes do Shakhtar, onde está desde 2013. Está na Ucrânia desde 2010, quando deixou o Internacional, campeão da Libertadores, para defender o Metalist, já falido. Perigoso pelos lados do campo, Taison também tem se mostrado um finalizador cada vez melhor. É destaque do Shakhtar e provavelmente deve ter seu brilho em alguns dos jogos.

MISTER CHAMPIONS

Sommer, do Gladbach

Real Madrid: Sergio Ramos

Sergio Ramos é o capitão e jogador mais experiente do Real Madrid. Aos 34 anos, está no clube desde 2005 e tem um histórico recheado de títulos da Champions: são quatro taças conquistadas pelo zagueiro, três delas como capitão. Ele é o líder do time mais experiente da Champions, em um total somado de 1038 jogos no elenco. É o terceiro jogador na ativa com mais jogos: 124 partidas, com 13 gols marcados – um deles na final de 2014, crucial para a conquista de “La Decima”. São 10.855 minutos em campo pelo principal torneio europeu.

Internazionale: Christian Eriksen

Christian Eriksen é o jogador com mais jogos de Champions League no currículo no elenco da Inter. São 45 partidas por dois clubes, Ajax e Tottenham. O elenco do time é pouco experiente na competição, até pela ausência de muitos anos na Champions League. De 2011/12 a 2018/19, os interistas ficaram ausentes do principal torneio do continente. Eriksen tem a experiência, mas esse não deve ser um fator relevante na sua escalação, pelo que vemos na sua relação com Antonio Conte. De qualquer forma, ele de fato tem a experiência de ter ido até a final com o Tottenham, em 2018/19.

Borussia Mönchengladbach: Yann Sommer

Yann Sommer tem 31 anos e tem 26 jogos de Champions League no currículo. Disputou a principal competição do continente pelo Basel, em três temporadas, antes de jogar outras duas com o Gladbach. É um dos líderes do elenco e um dos jogadores que tem uma boa experiência em Champions League, dentro de um elenco que jogou pouco a principal competição europeia.

Shakhtar Donetsk: Andriy Piatov

Andriy Piatov é o capitão do Shakhtar, tem 36 anos, e é o jogador do clube com mais jogos pela competição europeia de maior prestígio. São 68 jogos de Champions no seu currículo, sempre pelo Shakhtar. Sua primeira temporada de Champions League foi na já distante temporada 2007/08.

A CONTRATAÇÃO

Hakimi comemora seu primeiro gol pela Inter (Francesco Pecoraro/Getty Images/Onefootball)

Real Madrid: Martin Odegaard

Martin Odegaard tem apenas 21 anos, mas já é falado no futebol europeu há bastante tempo. Surgiu de forma meteórica no Stromsgodset, ainda em 2014, e foi contratado pelo Real Madrid já em 2015. Só que foi para o time Castilla, onde ele não tinha paciência de esperar e queria jogar, mesmo aos 16 anos. Por isso, acabou sendo emprestado a vários clubes para ter tempo em campo sem ser em um time B: Heerenveen, em 2017, Vitesse, em 2018, e Real Sociedad, em 2019. Sua temporada de muito destaque pelos bascos o levou de volta ao Real Madrid, desta vez para ser aproveitado de fato. Ao menos em tese. E é uma contratação interessante, como parte do processo de renovação do Real Madrid.

Internazionale: Achraf Hakimi

Achraf Hakimi tem 21 anos e fez duas excelentes temporadas com o Borussia Dortmund. O marroquino, que nasceu na Espanha, nunca teve espaço no Real Madrid, seu clube de formação, e foi no Dortmund que brilhou. Conte pediu a sua contratação e ele parece se encaixar perfeitamente no esquema com três zagueiros e alas do treinador italiano. Tem potencial alto ainda a ser explorado.

Borussia Mönchengladbach: Hannes Wolf

Hannes Wolf, de 21 anos, é meia do RB Leipzig e chega emprestado pelo clube da empresa de energéticos. É um jogador promissor que pode trazer bons frutos para o Gladbach. Austríaco, o jogador é das seleções de base do seu país e tem potencial para se firmar. Há uma cláusula com opção de compra, o que também é um bom sinal para os torcedores. Afinal, se tudo der certo, há uma chance de tornar a transferência permanente.

Shakhtar Donetsk: Viktor Kornienko

O Shakhtar não contratou ninguém na temporada, então a única novidade do elenco é o lateral esquerdo Viktor Kornienko, de 21 anos, que estava no Shakhtar II, jogador da seleção sub-21 da Ucrânia. É o lateral esquerdo titular do time neste início de temporada e aparentemente chegou tomando conta da posição, porque o titular, o brasileiro Ismaily, está machucado.

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