Há menos de dois meses, a seleção da Líbia reconquistou o direito de disputar seus jogos em casa. Marcado pela guerra civil a partir de fevereiro de 2011, o país viveu a queda da ditadura de Muammar Gaddafi e a instauração de um regime democrático. E, ainda que a situação tenha melhorado o suficiente para que o futebol voltasse a ser realizado no território líbio, os episódios de violência são constantes. O suficiente para causar um grande impasse às vésperas de partida decisiva pelas Eliminatórias da Copa.

Em 2010, a seleção de Togo foi vítima dos conflitos que ocorriam em Angola. Durante uma viagem às vésperas da Copa Africana de Nações, o ônibus da equipe foi metralhado por uma guerrilha separatista da região de Cabinda. Três pessoas morreram no ataque e o país desistiu de sua participação no torneio por falta de segurança.

Abalados pelo passado, os togoleses não querem enfrentar os líbios no território adversário e solicitaram à Fifa a mudança do país que receberá o encontro. E o jogo é fundamental na definição do classificado à última fase das eliminatórias africanas. A Líbia lidera o Grupo I, com seis pontos, dois a mais que Togo – em uma chave na qual Camarões e República Democrática do Congo ainda têm chances de classificação.

“Depois do que aconteceu em Cabinda, quando alguns de nós foram mortos e outros ficaram feridos, vocês precisam entender que estamos no direito de recusar qualquer risco. Temos amigos no time congolês que jogou na Líbia durante a última semana e o que eles nos contarão não nos garante. Nós queremos que a partida seja disputada fora do país”, declarou Serge Akakpo.

Apesar do questionamento dos togoleses, a Fifa decidiu bancar o jogo em território líbio. Entretanto, optou por mudar a realização da cidade de Benghazi, foco dos conflitos, para Trípoli. Na última sexta, a Líbia recebeu o primeiro jogo competitivo desde 2011, empatando com a República Democrática do Congo em Trípoli.

Em resposta decisão, vários jogadores togoleses ameaçam abandonar a partida. Uma situação bastante delicada à Fifa, que fica entre prejudicar Togo ou a Líbia, com a perda do mando de campo. De qualquer forma, independente que uma das seleções se sinta prejudicada, o dever da entidade é sempre prezar pela integridade dos atletas e pelas máximas condições de segurança.