Eidur Gudjohnsen é daqueles jogadores que você sabe o nome, viu que jogou por vários times importantes no mundo, mas que nunca foi um craque. Longe disso, aliás. Foi útil em diversos momentos para o Chelsea e até para o Barcelona, mas sempre foi mais um coadjuvante e um personagem folclórico do que um grande jogador. Agora, em 2013, depois da melhor campanha da história da Islândia, que bateu na trave por uma vaga na Copa do Mundo, o atacante, aos 35 anos, diz que irá se aposentar da seleção. Poderia ser um problema se você pensar que a Islândia é um país minúsculo, com pouco mais de 320 mil habitantes. Como achar outro jogador desse nível? Bom, na verdade, ele não fará falta em campo, porque seus substitutos já estão jogando.

“Receio que esse foi o meu último jogo com a seleção”, disse Gudjohnsen depois da derrota por 2 a 0 para a Croácia em Zagreb, na terça. O resultado acabou com o sonho islandês de chegar à Copa do Mundo. Com 78 jogos pela seleção, o atacante marcou 24 gols, maior artilheiro da história da Islândia e quarto jogador com mais jogos disputados. Mesmo assim, com toda a sua história, ele se tornou reserva. Não era mais necessário entre os 11 melhores da Islândia. Virou uma opção de banco para o técnico e justamente.

Atualmente no Club Brugge, da Bélgica, o atacante teve grandes momentos no futebol europeu. Jogou pelo PSV, Bolton, Chelsea, Barcelona, Monaco, Tottenham, Stoke, Fulham, AEK, Cercle Brugge e neste ano chegou ao Club Brugge. Defendeu as seleções sub-17, sub-19 e sub-21 da Islândia antes de estrear no time principal, em 1996, substituindo seu pai, Arnór Gudjohnsen. Ele tinha 17, enquanto o pai tinha 34. Nunca chegaram a jogar juntos, porque logo depois Eidur quebrou a perna e quando ele se recuperou, o pai já tinha se aposentado.

Os jogos pelo Chelsea e pelo Barcelona foram seus grandes momentos na carreira. Pelos Blues, esteve nos dois títulos ingleses da primeira passagem de José Mourinho. No Barcelona, esteve no elenco que ganhou a tríplice coroa de 2008/09, além de ter ganhado mais títulos jogando pelo clube e ter sido o titular no Mundial de 2006, aquele mesmo perdido para o Internacional. Na época, como Samuel Eto’o e Lionel Messi estavam machucados, foi o islandês quem atuou nas partidas.

Reserva no Club Brugge, Gudjohnsen não deve ficar mais muito tempo atuando como profissional. Mas termina a sua participação na seleção com uma campanha que certamente os islandeses não irão esquecer. Um país com a mesma população, em tamanho, da cidade de Blumenau, em Santa Catarina, quase veio à Copa do Mundo. Gudjohnsen já era reserva na seleção e passa o bastão para os dois novos atacantes artilheiros.

Kolbein Sigthorsson, 23 anos, camisa 9 da seleção e do Ajax, e Alfred Finnbogason, 24 anos, camisa 11 do Heerenveen e da seleção. Os dois têm feito muito sucesso na Holanda, com bons jogos e muitos gols. Nesta temporada, Sigthorsson fez 21 jogos e nove gols. Finnbogason tem um ano fantástico e já marcou 16 gols em 16 jogos.

Dois jogadores em ótima fase e que não deixarão que a torcida islandesa sinta falta do seu antigo ídolo.