O técnico Pep Guardiola deu uma declaração forte contra o Arsenal, adversário que venceu o seu Manchester City na semifinal da Copa da Inglaterra. Nada relativo ao campo, onde ele elogiou, mas ao comportamento do clube fora das quatro linhas. Tudo tem a ver com a decisão do Tribunal Arbitral do Esporte, o TAS, que revogou a suspensão da Uefa contra o Manchester City.

“Os adversários sempre merecem meu respeito e créditos e o Arsenal tem isso. Eu tenho todo respeito pelo que o Arsenal fez em campo, não muito fora dele, mas em campo muito. Então, eu os parabenizo e boa sorte contra o Chelsea na final”, afirmou o treinador.

“Parte do bom trabalho que o Arsenal fez eu dou muito crédito, o que eles fizeram, como se defenderam bem”, disse ainda o técnico. “Nós não fizemos isso de forma apropriada. Nós tivemos chances o suficiente para fazer os gols e não fizemos. Eu apenas os parabenizo, aprendo com isso e nos preparamos para o Real Madrid. Nós vamos em frente, está esquecido”.

As reclamações de Guardiola tem a ver com uma iniciativa de oito clubes da Premier League, dentre os quais o Arsenal seria um líder, que pediu ao TAS que não adiasse a suspensão do Manchester City, dada pela Uefa em fevereiro.

A Uefa acusou o Manchester City de violações no Fair Play Financeiro ao sobrevalorizar os seus contratos de patrocínio para cobrir os gastos feitos pelo clube na operação financeira de 2012 a 2016. Isso além de não ter cooperado com a investigação.

O TAS reverteu os dois anos de suspensão de qualquer competição europeia dado pela Uefa alegando que as principais acusações já tinham prescrito – a própria regra da Uefa determina prazo de cinco anos. A entidade que dirige o futebol europeu alegava que o prazo era relativo à investigação, não às violações, mas a explicação não foi aceita.

O TAS ainda considerou que o Manchester City de fato não colaborou e atrapalhou a investigação, mas mesmo assim reduziu a punição de € 30 milhões para € 10 milhões. A decisão é uma bomba para a Uefa desarmar, porque a desmoraliza diante de um clube que, claramente, cometeu irregularidades, mas se safou por erros da própria entidade a o investigar. Tudo isso torna ainda mais urgente que o Fair Play Financeiro seja rediscutido pela Uefa, como escrevemos aqui.

A decisão do TAS foi recebida com críticas por Jürgen Klopp, técnico do Liverpool, e José Mourinho, do Tottenham. Guardiola não gostou da reação dos rivais e disse que o Manchester City merecia desculpas. Guardiola soltou os cachorros em relação a essa questão e defendeu o clube, como fazia inclusive bem antes da punição ser anunciada e antes da decisão ser revertida, quando dizia que confiava no que o clube estava fazendo.

Além de tudo isso, Guardiola não gostou da forma como o Arsenal abordou o seu auxiliar, Mikel Arteta, sobre a possibilidade de oferecer um contrato para ele como técnico. Para Guardiola, e o Manchester City, os Gunners não foram éticos nas tratativas e só falaram com o Manchester City depois de já ter tudo acertado com o auxiliar de Pep. Tudo isso gerou críticas do treinador, ainda que indiretas.

“Agora estamos incrivelmente empolgados e incrivelmente otimistas sobre o jogo com o Real Madrid, pelos jogadores que nós temos. Nós sabemos que se jogarmos em um nível decente, mais alto do que jogamos contra o Arsenal, nós teremos nossa chance. Se não, estaremos fora”, analisou o treinador.

O Manchester City ainda tem dois jogos para terminar a tabela da Premier League, contra Watford, que luta contra o rebaixamento, e contra o Norwich, já rebaixado. “Encontrar o nosso jogo, voltar onde nós estamos. Com ou sem a bola, nós somos bons quando pisamos fundo, quando somos um time sem medo, quando não importa o que aconteça e nós jogamos”, disse Guardiola. “É isso que temos que tirar desses dois jogos. Watford e Norwich podem nos vencer, mas nos vencer sendo quem nós somos”.

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Campeonato Inglês: Watford x Manchester City
Terça-feira, 14h00
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