Áustria, Itália e Suíça suspenderam seus campeonatos de futebol. Espanha, França, Grécia, Polônia e Portugal realizarão apenas jogos com portões fechados durante as próximas semanas, enquanto Alemanha e Holanda adotam o fechamento parcial conforme as regiões. O surto de coronavírus preocupa seriamente as autoridades em diferentes países da Europa e a realização de partidas de futebol não deveria ser a prioridade, quando há riscos muito mais sérios em jogo. Ainda assim, alguns torneios seguem em frente.

Mesmo com partidas realizadas em cidades bastante afetadas pela doença, a Champions League e a Liga Europa continuam em vigor, optando por fechar seus portões em alguns duelos. Jogadores e funcionários dos clubes, entretanto, seguem submetidos ao risco de contágio ao longo das viagens – porque, afinal, o vírus não circula apenas nos estádios. Enquanto isso, a Uefa fecha os olhos. Já na Premier League, a competição também segue em frente. Mesmo com a consciência de que o Covid-19 é altamente contagioso e permanece até duas semanas em incubação, as precauções só vêm sendo tomadas a partir do estouro no número de casos.

No momento, parece haver uma preocupação maior da Uefa e de outras entidades com seus contratos. Patrocinadores e redes de televisão são mais importantes que a própria saúde dos atletas, enquanto a realização de partidas transmite certa sensação de mundo à parte ao futebol. Por isso mesmo, é importante que personalidades de relevo levantem seu tom de voz e façam questionamentos. Nesta terça-feira, Pep Guardiola aproveitou a coletiva de imprensa do Manchester City para indagar qual o sentido de manter o futebol sem torcedores nas arquibancadas. Para ele, a prioridade é a saúde de todos.

“O futebol funciona sem torcedores? Sem gente, eu prefiro não jogar. Nós atuamos para as pessoas. Se os torcedores não podem vir ao estádio, não tem sentido seguir em frente. Acataremos as ordens, mas não gostaria de continuar jogando sem as pessoas nas arquibancadas”, declarou Guardiola, durante coletiva de imprensa. Nesta quarta, o Manchester City enfrenta o Arsenal pela Premier League. Perguntado se chegou a comandar seus times sem torcida alguma vez, o espanhol respondeu: “Quando eu era um garotinho, na escola”.

Guardiola garante que o Manchester City seguirá as determinações da Uefa, mesmo contrariado: “Se a Uefa disser que temos que jogar sem torcida, nós jogaremos. Adoraria atuar diante de nossos fãs. Se isso acontecer por um longo período, não faz sentido, mas a saúde é o mais importante. Avaliar o que é certo em cada país, dia após dia”.

Além disso, com o aumento dos casos de Covid-19 no Reino Unido, o treinador acredita que a interferência direta nas partidas da Premier League não deve demorar a ocorrer: “Na Espanha, eles já começaram a realizar jogos com os portões fechados. Isso também aconteceu na Itália. Acho que também ocorrerá na Inglaterra, é apenas uma questão de tempo”.

Jürgen Klopp abordou o assunto na coletiva de imprensa realizada antes da partida entre Liverpool e Atlético de Madrid, pela Champions League. O treinador também questionou os procedimentos tomados pela Uefa, sobretudo ao praticar um regime especial em relação aos jogadores. Exceção feita ao aperto de mão, os atletas permanecem com suas atividades, expostos a outras tantas situações de risco.

“Os jogadores, no momento, estão todos saudáveis. Ver 22 jogadores sem apertar as mãos não é um sinal para a sociedade. O que for decidido, nós aceitaremos. Mas estamos todos no mesmo barco?”, afirmou Klopp, pensando no exemplo que é dado à população.

“Está claro que vamos aceitar a partida, mas não sei o quanto faz de sentido neste momento. É assim que acontece. Não é algo sobre mim, como treinador, é algo sobre seres humanos. Algumas coisas são mais importantes que o futebol e nós percebemos isso no momento. Precisamos de tempo para encontrar uma solução ao problema. Não sei o suficiente”, complementou o treinador do Liverpool. Por enquanto, muita gente não sabe o suficiente – sobretudo aqueles que tomam as decisões nas entidades esportivas.