Marcelo Gallardo ganhou duas vezes a Libertadores e está próximo de sua terceira final, sem falar dos outros títulos que conquistou à frente do River Plate, e nem assim foi sequer lembrado entre os três finalistas do prêmio de melhor treinador do mundo da Fifa. Um absurdo e uma visão extremamente eurocentrista, na opinião de Pep Guardiola.

O técnico do Manchester City, considerado por muitos o melhor do mundo independente de prêmios e cerimônias, deu uma rara entrevista exclusiva à TNT argentina, na qual teceu muitos elogios ao colega. “Espero que um dia eu possa enfrentar suas equipes, seria muito bonito”, disse. “O que Gallardo tem feito no River é incrível, em termos de resultados, de lhe dar consistência, e todos os anos jogadores vão embora e (o bom trabalho) continua”.

“Há coisas inexplicáveis. São três treinadores nomeados para melhor do mundo e ele nunca está entre eles. Parece que existe apenas a Europa no mundo. Não entendo como Gallardo não está nomeado como um dos melhores treinadores do mundo. Não apenas por um ano, mas por tanto tempo”, disse.

O mais próximo que a América do Sul chegou de emplacar um treinador foi em 2015, quando Jorge Sampaoli ganhou a Copa América com o Chile. No ano em que Gallardo foi campeão da Libertadores pela primeira vez, os finalistas foram Sampaoli, o próprio Guardiola, pelo Bayern de Munique, e o vencedor Luis Enrique, campeão da Tríplice Coroa pelo Barcelona.

Nessa última temporada, Gallardo ficou entre os dez melhores, mas levou apenas 10 pontos, empatado na última posição com Ricardo Gareca. Tite, por exemplo, levou 12. Deschamps, que sequer ganhou seu grupo da Liga das Nações com a França, depois de ser campeão do mundo, somou 19, o que corrobora a visão eurocentrista.

Até porque, das 27 menções que Gallardo teve na votação, 19 foram de países latino-americanos. Entre sete capitães que o mencionaram no pódio, houve quatro sul-americanos: Messi, Falcao, Gustavo Gómez e Godín. Ricardo Gareca o colocou em primeiro lugar, e o russo Stanislav Cherchesov foi o único treinador não latino-americano que citou entre os três primeiros.

A decisão absurda da Conmebol de passar a final da Libertadores de 2018 para Madri pelo menos deu a Guardiola a oportunidade de vê-la no estádio, mas o treinador catalão gostaria também de um dia visitar a Bombonera. “Estive na final da Libertadores em Madri, estive em um clássico há alguns anos no campo do River e nunca estive no campo do Boca. Espero que um dia possa ver um jogo lá, gostaria muito disso”, encerrou.