Se o Grupo F é o mais equilibrado, o Grupo H é o que tem as camisas mais pesadas. O Barcelona é o cabeça de chave e o time mais forte do grupo, um dos favoritos ao título, mas todos os outros componentes do grupo já tiveram a glória de serem campeões da Liga dos Campeões anteriormente. O Milan é o segundo maior campeão da história, com sete títulos, e tenta voltar aos bons tempos. Trouxe Kaká para isso e conta com Balotelli. O Ajax não é aquele time fantástico que já dobrou a Europa aos seus pés, mas é o campeão holandês e um time que joga sistematicamente da mesma forma há anos. O Celtic, por fim, é o time mais fraco em campo, mas sabe se defender e, principalmente, tem uma torcida que vale por muitas.

Barcelona

Como chegou à Liga dos Campeões: campeão espanhol
Melhor campanha: Campeão (1991/92, 2005/06, 2008/09, 2010/11)

O cara

Lionel Messi seria o principal jogador do time onde quer que ele jogasse. É o jogador de 60 gols na última temporada e que faz mais de 50 gols por ano desde 2010/11. No final da temporada passada, quando o argentino se machucou, o Barcelona teve muitas dificuldades e acabou atropelado pelo Bayern de Munique.

Papo de bar

Esse joguinho de toque de lado parece que já deu. Os caras foram atropelados pelos alemães lá e não tem mais o Guardiola. Só vai se salvar se Messi e Neymar resolverem.

A realidade

O Barcelona continua muito forte e tem tudo para fazer, novamente, uma temporada forte para chegar às fases decisivas da Liga dos Campeões. Com o reforço de Neymar, a equipe ganha uma opção a mais decidir os jogos, o que é importante. O tiki-taka segue sendo impressionante e, especialmente, dominante. O estilo segue e com Neymar, corre menos risco de ser uma posse de bola improdutiva. Tata Martino pode dar um tom mais passional e sul-americano a um time que se caracterizou por ser paciente demais.

Lições do passado

A dependência de Messi ficou evidente nos jogos do mata-mata na temporada passada. Messi jogou no sacrifício contra o PSG, mas foi o suficiente para resolver. Contra o Bayern de Munique, sua ausência foi mais sentida. O time precisa de uma variação maior do seu jogo, para não ser pego de calças curtas contra um time como o Bayern, que sufocou seu tiki-taka.

Ponto forte

O grande trunfo do ataque é a posse de bola. O time continua sendo capazes de segurar a bola como nenhum outro time do mundo. É a sua estratégia de ataque e de defesa ao mesmo tempo. O time tem um índice alto de posse de bola e de acerto de passes. E se alguém acha que a posse de bola do Barça é infrutífera, o time é, até agora, o sexto em média de chutes a gol por jogo (19/jogo), mas é quem mais acerta o gol nos chutes (10,8/jogo).

Ponto fraco

Quer levar perigo ao Barcelona? Levante bolas na área. O time sofre com esse tipo de jogada, especialmente porque não tem muitos zagueiros. Gerard Piqué é o único titular que joga com frequência. Carles Puyol tem sofrido com as lesões, deixando Javier Mascherano com o posto de titular. O argentino é volante e não é especialista em jogo aéreo. O Barcelona, por consequência, é um dos times da Europa que menos vence os duelos pelo alto entre os times das grandes ligas, com 7,8 duelos vencidos por partida, mais apenas que Napoli (6,7), Levante (7) e empatado com o Atlético de Madrid (7,8). O Borussia Dortmund, por exemplo, vence 24,8 duelos aéreos vencidos por partida.

Curiosidade

O Barcelona é conhecido atualmente por seu futebol ofensivo, mas já teve como treinador um dos maiores retranqueiros da história, o argentino Helenio Herrera, que se consagraria como criador do Catenaccio com a Internazionale em 1964 e 1965. Mas antes disso, ele comandou aquele que é o ataque com a maior média de gols da história blaugrana. Entre 1958 e 1960, o time dirigido pelo argentino teve média de 3,2 gol por jogo, mais do que técnicos conhecidos por times ofensivos, como Rinus Michels, Johan Cruyff, Frank Rijkaard e Pep Guardiola.  Saiba mais dessa história.

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Milan

Como chegou à Liga dos Campeões: terceiro colocado no Campeonato Italiano
Melhor campanha: Campeão (1962/63, 1968/69, 1988/89, 1989/90, 1993/94, 2002/03, 2006/07)

Balotelli é o show man do Milan e o principal jogador italiano (AP Photo/Luca Bruno)
Balotelli é o show man do Milan e o principal jogador italiano (AP Photo/Luca Bruno)
O cara

Mario Balotelli é puro carisma muito pela personalidade que tem, mas também pela sua capacidade de fazer gols e ser importante para o time. Aos 23 anos, é a maior esperança do futebol italiano. Chegou ao Milan em janeiro e marcou 12 gols em 13 jogos que disputou, o que dá o tom da sua capacidade de decisão. Nesta temporada, já marcou três gols e fez um passe para gol. As esperanças rossoneras estão nos ombros do atacante.

Papo de bar

É um time envelhecido, cheio de jogadores que não rendem mais, como Robinho e Kaká. Além do mais, só chegou na Liga dos Campeões porque o Campeonato Italiano é fraco.

A realidade

O Milan é um time que vem se renovando nas últimas temporadas e atualmente tem uma média de idade de 27,1 anos. São poucos os titulares acima dos 30 anos: o goleiro Christian Abbiati (36 anos), Philippe Mexès (31) e Kaká (31). A equipe, além de jovem, é capaz de fazer bons jogos e deu muito trabalho ao Barcelona nas oitavas de final da temporada passada. É time para ir ao mata-mata e, com um cruzamento menos complicado que na temporada passada, pode avançar.

Lições do passado

O mau desempenho do time na fase de grupos da temporada passada só não rendeu eliminação porque o Zenit foi ainda pior e acabou eliminado. O Málaga foi o líder. O castigo dos rossoneri veio a cavalo: pegar o Barcelona logo nas oitavas de final foi fatal, mesmo com o time tendo feio um bom papel no jogo de ida. Agora, com Celtic, Ajax e, de novo, o Barcelona no grupo, um vacilo como esse não será tolerado.

Ponto forte

O contra-ataque do time é muito forte e tende a ficar ainda melhor com Kaká no time. El Shaarawy, Robinho e Kaká são todos jogadores rápidos e mesmo Balotelli está longe de ser um jogador lento. A velocidade do time é uma arma importante, que pode ser fundamental contra times como o Barcelona, que ficam muito tempo com a bola.

Ponto fraco

A defesa rossonera continua sendo a sua defesa, que não é confiável. Esse tem sido um dos problemas do time nessa temporada, ainda com laterais pouco confiáveis – nem Abate ou Zaccardo, que jogam pela direita, nem Emanuelson e Kevin Constant, que jogam pela esquerda, são confiáveis. No centro, Zapata e Mexès são apenas razoáveis.

Curiosidade

Nas últimas duas temporadas, o Milan enfrentou o Barcelona seis vezes. E em ambas acabou eliminado pelo time catalão. Em 2011/12 nas quartas de final e na temporada passada nas oitavas. Na fase de grupos, os dois times voltam a se enfrentam mais duas vezes. Barcelona e Milan se enfrentam mais do que jogam contra alguns times do seu país.

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Ajax

Por Felipe dos Santos Souza

Como chegou à Liga dos Campeões: Campeão holandês
Melhor campanha: Campeão (1970/71, 1971/72, 1972/73 e 1994/95)

Siem de Jong é o capitão do Ajax e, sem Erikssen, o seu principal jogador
Siem de Jong é o capitão do Ajax e, sem Erikssen, o seu principal jogador
O cara

Christian Eriksen, agora, é passado. Viktor Fischer pode vir a ser, mas lhe falta experiência. Bojan acabou de chegar – e a bem da verdade, só ficará um ano. Com isso, aumentou ainda mais a importância de Siem de Jong dentro do Ajax. Com sua técnica, Siem tanto pode ser escalado na armação de jogadas (o mais frequente) como no ataque. Um pneumotórax deve retardar seu desenvolvimento na temporada, mas o camisa 10 é o grande ídolo do Ajax – até por ter decidido ficar na equipe, a despeito do interesse de alguns clubes.

Papo de bar

Uma pena que o Ajax já não tenha mais a força que tem. O time que popularizou o Futebol Total; aquela geração dos anos 1970, tricampeã europeia, com Cruyff à frente; aquela geração dos anos 1990, que gerou um monte de bons jogadores; tudo isso é coisa do passado. Continuam revelando um monte de talentos, mas os caras não ficam muito tempo lá. Imagine que time o Ajax teria, com todas as crias dele que estão espalhadas Europa afora?! É triste ver que o clube não desperta mais o respeito que despertou em outras épocas. E ainda dá azar nos sorteios dos grupos da Liga dos Campeões!

A realidade

Dentro da Holanda, o Ajax já voltou a cantar de galo há muito tempo. Novamente, caiu num grupo aziago, que não lhe permite muitos sonhos dentro da Liga dos Campeões. Ainda assim, o cenário era esse, na última temporada, e os Ajacieden não fizeram tão feio, até vencendo um Manchester City com elenco bem mais turbinado. Além do mais, no grupo de 2013/14, o único time que merece a pecha de “quase inalcançável” é o Barcelona. Porém, as perdas de Eriksen e Alderweireld forçarão uma reformulação já no meio da temporada. No frigir dos ovos, o destino para a equipe de Frank de Boer deverá ser o mesmo dos últimos anos: o terceiro lugar do grupo G e a ida para a segunda fase da Liga Europa.

Lições do passado

Nos últimos tempos, o Ajax revalorizou o estilo histórico que o fez famoso: ofensividade, toque de bola, 4-3-3, uso massivo dos jogadores da base etc. Mas se tiver alguma chance de classificação, não poderá ter tantos purismos táticos, principalmente nos jogos fora de casa. Não sofrer gols pode ser a diferença decisiva entre “passar do inverno”, como se diz na Holanda, e chorar uma eliminação por causa do saldo de gols, como se chorou em 2011/12, quando o Lyon aplicou 7 a 1 no Dinamo Zagreb (desconfianças de resultado manipulado à parte) e o Ajax permitiu um 3 a 0 inapelável do time reserva do Real Madrid em casa. E, ora bolas, o Ajax não é o Barcelona para poder manter o estilo de jogo seja qual for o adversário.

Ponto forte

Tendo um time com média de idade de 23,4 anos, é de se esperar que a motivação e a vontade em campo sejam grandes. E é exatamente isso que o Ajax apresenta. Esteja sendo amplamente superado em campo ou equilibrando bastante as ações em campo, a equipe demonstra motivação. Além disso, é inegável que alguns atletas têm capacidade para atuar em mais posições. Siem de Jong pode ser escalado no meio-campo ou no ataque, mesmo caso do reforço Lerin Duarte. No trio de atacantes, Viktor Fischer e Bojan podem trocar de lado. Na defesa, Niklas Moisander demonstra capacidade para avançar, enquanto Daley Blind pode ir para o miolo de zaga em caso de necessidade. Enfim, mesmo não sendo um time de encher os olhos, o Ajax tem lá sua técnica.

Ponto fraco

O estilo de jogo ofensivo e aberto do Ajax é sua qualidade – e também um de seus defeitos. O time simplesmente não sabe jogar de modo mais cauteloso. Pode-se dizer que, na equipe, apenas Thulani Serero e Lasse Schöne, dois dos meio-campistas, partem de um estilo de jogo mais defensivo. Mesmo na defesa, Van Rhijn é irregular ao equilibrar apoio e marcação: pode fazê-lo com excelência (como na vitória sobre o Manchester City, na edição passada da Liga dos Campeões), ou pode oferecer uma avenida ao adversário. E Vermeer, às vezes, é um goleiro que sabe jogar melhor com os pés do que com as mãos. Um time que saiba aproveitar com precisão os espaços que o adversário dá terá muitas facilidades em deixar bolas nas redes dos alvirrubros.

Curiosidade

Você sabia que o Ajax teve um time de… beisebol?! É isso mesmo! Em 1922, o clube fundou o Ajax Honkbalvereniging Amsterdam, um dos fundadores da Hoofdklasse, o principal campeonato da modalidade no país. Campeão holandês por quatro vezes (1924, 1928, 1942 e 1948), o time foi desativado em 1972. Inclusive, quem chegou a jogar beisebol pelo Ajax foi um certo Johan Cruyff, ainda nos tempos de adolescente, tendo até atuado pelas seleções de base da Holanda. Em 2011, Cruyff escreveu: “Tive de parar, porque as coisas começaram a avançar rápido e bem, dentro do futebol. Mas sempre tive uma relação especial com o beisebol.” É de se pensar como seria o estilo de jogo do Beisebol Total…

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Celtic

Como chegou à Liga dos Campeões: campeão escocês
Melhor campanha: Campeão (1966/67)

Commons (esq.) é o grande articulador do Celtic
Commons (esq.) é o grande articulador do Celtic
O cara

Kris Commons é o principal jogador do Celtic por sua criatividade, passes e por também fazer seus gols. Na temporada passada, ele foi o maior criador de jogadas de gols do time e fez 17 passes para gols, além de balançar as redes 19 vezes. Nesta temporada, já são quatro assistências e quatro gols em 11 jogos. Esse canhoto ainda é perigoso na bola parada, levantando bolas na área.

Papo de bar

Time retranqueiro, como todo escocês. Ainda tem aquele grosso do Samaras, que não passa de um Washington piorado. De bom na Escócia, só o uísque mesmo.

A realidade

O Celtic é um time muito forte na defesa, que é mesmo a sua principal característica. O time toma poucos gols e costuma dificultar para os adversários tirando os espaços no campo de ataque, contando para isso inclusive com Giorgios Samaras, que ao contrário do que seu tamanho (1,92 metro) e seu número de camisa (9) podem fazer parecer, ele é um ponta esquerdo nesse time do Celtic e ajuda muito a puxar contra-ataques.

Lições do passado

Se tem uma coisa que o Celtic pode tirar da temporada passada é que se defender com vigor pode valer a pena. A derrota vendida muito caro contra o Barcelona no Camp Nou e a vitória sobre os catalães em Glasgow mostraram que o time tem capacidade para complicar. Só que a Juventus fez bem seu trabalho e triturou os escoceses fora de casa. Para ir bem na Europa de novo, o time precisará ir além do que já fez na temporada passada, porque desta vez o time tem adversários mais fortes na primeira fase.

Ponto forte

Bolas aéreas. Com muitos jogadores altos, o time tem na bola pelo alto a sua especialidade. Foi a sua arma contra o Barcelona na temporada passada e já mostrou que pode ser uma arma bastante importante.

Ponto fraco

Sem Gary Hooper, seu artilheiro, o time perdeu força de ataque. Se em jogos comuns já está mais complicado para os Hoops marcarem seus gols, os novos contratados parecem ainda estar se adaptando e ainda não surgiu um marcador de gols como o dele. Não há um grande atacante no time, que deve fazer poucos gols.

Curiosidade

O Celtic Park, estádio dos Hoops, é o maior da Escócia, com capacidade para 60.355 pessoas. O estádio foi inaugurado em 1892 é que ele foi usado não só para outras modalidades esportivas, como o Campeonato Mundial de Ciclismo de 1897, mas também para atletismo e um esporte conhecido como Shinty-Hurling, algo parecido com Lacrosse, mas com traves e um campo de futebol. O mais curioso, porém, é que o estádio escocês foi usado para fazer recrutamento de soldados escoceses para a Primeira Guerra Mundial.

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