O começo exitoso do segundo ciclo de Dunga terá enfim a real medida de evolução nessa Copa América, com a Colômbia como adversário real pela primeira vaga. A seleção de Pekerman possui um jogo vistoso, de toque e muito talento individual com Cuadrado, James Rodriguez e Radamel Falcao. O Peru de Ricardo Gareca deixou uma boa impressão nos amistosos sob a batuta de Carlos Lobatón, além do poder individual da dupla de ataque formada por Jefferson Farfán e Paolo Guerrero. A Venezuela corre por fora, apesar de seu jogo tradicionalmente solido e a individualidade de Cesar “Maestrico” Gonzalez, Juan Arango e Salomon Rondón.

Brasil

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Dez jogos, dez vitorias, apenas dois gols sofridos. Começo alentador, pelo menos em resultados. Contudo, a prova real de um possível avanço será medida durante a Copa América. Dunga decidiu manter a mesma estrutura tática utilizada por Scolari e Mano Menezes: um 4-2-3-1 que varia para o 4-4-1-1 na recomposição dos meias extremos. A estratégia da equipe segue fincada ao contra-ataque, apostando na rápida transição defesa-ataque.

A grande novidade é a saída de Neymar da ponta esquerda, jogando sem posição fixa, ora como segundo atacante, ora como meia de ligação, sempre às costas dos volantes rivais. Willian e Phillippe Coutinho devem começar a Copa América pelos flancos, alternando o posicionamento na transição ofensiva. Diego Tardelli, mesmo após a escolha equivocada de ir ao mundo chinês, ganhou a confiança de Dunga e deve ser a referencia de ataque.

Nas laterais, Dunga tem convicção em Filipe Luis; Fabinho, de boa temporada no Mônaco, fica como opção na direita, enquanto Daniel Alves chega de última hora após a contusão de Danilo. O ex-capitão Thiago Silva, perdeu a braçadeira e possivelmente a posição de titular no começo da Copa América. Miranda e David Luiz formaram a dupla de zaga nos últimos amistosos, deixando o promissor Marquinhos como quarta opção. No gol, Jefferson é outro dos emblemas da era Dunga, mostrando segurança e sendo vazado apenas contra Áustria e França.

O corte de Luiz Gustavo abriu a possibilidade de Elias e Fernandinho desenvolverem uma dupla de maior chegada, leveza e dinâmica na transição defesa-ataque. Mas, se o treinador quiser um jogador mais fixo à frente da zaga, Casemiro pode ser a alternativa, após viver um bom ano com o Porto. O Brasil chega confiando no retrospecto e na individualidade dos homens de frente.

Peru

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Ricardo Gareca conduziu a seleção peruana em dois amistosos: derrota para a Venezuela por 1 a 0 e empate contra o México em 1 a 1. O treinador argentino sabe que a meta é devolver o Peru a um Mundial, fato que não ocorre desde 1982. Missão dura, com um país marcado pela falta de renovação e uma liga enfraquecida. El Tigre vem apostando no 4-2-3-1, o mesmo sistema utilizado em sua fugaz e infeliz passagem pelo Palmeiras em 2014. O goleiro Pedro Gallese do Juan Aurich, venceu a disputa contra os experientes Salomón Libman e Diego Penny, devendo iniciar a Copa América como titular. Luiz Advíncula do Vitória de Setúbal segue como titular na lateral direita desde o ciclo de Sergio Markarian. Na esquerda, o veterano Joel Céspedes, do Juan Aurich, venceu a disputa com Yoshimar Yotun, graças a seu maior poder de marcação. A dupla de zaga conta com Carlos Zambrano, que atua no Eintracht Frankfurt, ao lado do jovem Carlos Ascues do Melgar de Arequipa.

Carlos Lobatón e Josepmir Ballón trazem o entrosamento do Sporting Cristal, onde se sagraram campeões nacionais em 2014. O veterano Lobatón é a fonte pensante do Peru, dando pausa e qualidade no primeiro passe. Ballón é o grande cão de guarda da defesa. Gareca parece ter acertado na escolha da rápida linha de armadores composta por Joel Sanchez de Porres na direita, Christian Cueva pela esquerda, e Jefferson “La Foquita” Farfán  ora como meia centralizado, ora como segundo atacante. Farfán e Guerrero fazem um boa dupla de ataque. Os dois destaques individuais de La Franja foram revelados no mesmo ano pelo Alianza Lima, trazendo entrosamento ímpar, gols e intensa movimentação na área rival. Claudio Pizarro deve ficar como opção já que Gareca não simpatiza com a ideia de jogar com dois jogadores fixos na área. André Carrillo, do Sporting, e Juan Manuel “El Loco” Vargas, da Fiorentina, são outras duas boas opções para Gareca no meio de campo da seleção albiroja.

Colômbia

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José Pekerman teve pouca chance de testar a excelente seleção colombiana em 2015. Bahrein e Kuwait foram amistosos sem nenhum critério técnico de escolha, seguindo a logica mercadológica de boa parte das federações do continente. Contra a Costa Rica, no último sábado em Buenos Aires, Pekerman colocou o que tem de melhor em campo contra o duro time que chegou as quartas de final do último Mundial. O time foi ao campo do Argentinos Juniors no 4-3-1-2, esquema fetiche de Pekerman – desde os tempos da sub 20 da Argentina – com James Rodriguez como enganche e a dupla Jackson Martinez e Radamel Falcao na frente. O time varia constantemente para o 4-4-2 em linha com Juan Guillermo Cuadrado fechando o lado direito do meio campo e James fazendo o mesmo pelo flanco esquerdo. No ataque, as opções são excelentes. Carlos Bacca teve uma temporada goleadora com a camiseta do Sevilla, inclusive, decidindo a final da Liga Europa contra o Dnipro. Jackson Martinez do Porto e Teófilo Gutierrez também brigam pela segunda vaga no ataque para jogar ao lado de Radamel Falcao Garcia.

Juan Guillermo Cuadrado é o grande diferencial do time pelo lado direito, impondo velocidade e drible contra os laterais rivais. James Rodriguez, posicionado ora como enganche, ora como extremo esquerdo, dita o ritmo do meio com sua qualidade e passes entre linhas. Carlos Sanchez, do Aston Villa, segue como o cão de guarda do meio de campo. Edwin Valencia parece ser a primeira opção para fazer o “doble cinco” ao lado de Sanchez, ao passo que o ótimo Alexander Mejia, fica como segunda opção na posição de volante por esquerda. A linha defensiva teve duas mudanças em relação ao último Mundial com a entrada de Jeison Murillo na zaga (posição que era do veterano Mario Yepes) ao lado de Cristian Zapata, além de Darwin Andrade na lateral esquerda, que ganhou a vaga de Pablo Armero. No gol, David Ospina segue intocável como titular, deixando Camilo Vargas, do Atlético Nacional, como opção.

Venezuela

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La Vinotinto segue em busca daquele “passo a mais” para entrar definitivamente na briga pela quarta ou quinta vaga nas Eliminatórias para o Mundial de 2018. A Copa América é elemento transcendental em tal processo. Noel “Chita” Sanvicente foi o escolhido para substituir Cesar Farias, após conduzir o Zamora a dois títulos nacionais. Assim como no ciclo vitorioso com a equipe de Barinas, Sanvicente posicionou a Venezuela no último amistoso contra o Peru (vitória por 1 x0 em Março) no 4-2-3-1.

O goleiro é Alain Baroja, vice-campeão do Clausura deste ano defendendo o arco do Caracas. A linha defensiva é praticamente a mesma do ciclo de Cesar Farias, com Roberto Rosales, Oswaldo Vizcarrondo, Fernando Amorebieta e Gabriel Cichero. Cichero é o único que pode perder a posição de titular para Andrés Tuñez, que foi testado na lateral esquerda no amistoso contra o Peru. O meio de campo da Venezuela é repleto de jogadores técnicos. Tomas Rincón  e Luis Seijas fazem uma dupla de volantes leve e de bom passe. O veterano Cesar Maestrico González, grande condutor do Deportivo Táchira – flamante campeão venezuelano – é junto de Tomás Rincón, quem dita o ritmo da Vinotinto. O ídolo Juan Arango chega para seu último ciclo na seleção disputando a posição de extremo com Alejandro Guerra, do Atlético Nacional. Do lado esquerdo, o jovem Josef Martínez é a grande válvula de escape, impondo um jogo físico e de velocidade; foi dele o gol da vitória contra o Peru, no último amistoso. No comando de ataque, José Salomón Rondón tenta seguir com a ótima temporada realizada no Zenit, onde foi campeão russo anotando 13 gols.

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