O Grupo A da Copa América se apresenta com três das seleções latino-americanas que fizeram bom papel na última Copa do Mundo. O Chile, anfitrião e favorito, tem a chance e a responsabilidade de levantar a Copa América pela primeira vez. O México prioriza a Copa Ouro, que será disputada em Julho nos Estados Unidos. La Tri de Miguel Herrera viaja para o sul do continente com uma seleção alternativa. O Equador manteve a base do ciclo Rueda, mas as inúmeras ausências por lesão podem ser um empecilho para o time de Gustavo Quinteros. Por fim, a Bolívia de Mauricio Soria corre por fora, com uma seleção envelhecida e burocrática.

Chile

chile copa america

La Roja, talvez com sua melhor geração da história, chega como uma das favoritas. Chance única, diante de sua torcida, de levantar a Copa América de forma inédita. Jorge Sampaoli assumiu a seleção chilena herdando a base deixada por Bielsa. O treinador argentino seguiu incorporando elementos da sua Universidad do Chile, campeã da Sulamericana de 2011, que encantou o continente com seu futebol dinâmico e ofensivo; Johnny Herrera, José Rojas, Eugenio Mena, Marcelo Díaz, Chales Aránguiz e Eduardo Vargas são os convocados que fizeram parte daquele elenco de La U.

Sampaoli fez da seleção chilena o time mais versátil taticamente no nosso continente. O Chile varia do 3-4-2-1 para o 4-3-3, sempre de acordo a disposição do rival. No último amistoso contra El Salvador, em Rancagua, Sampaoli escalou o Chile no 4-3-3, que variava para o 4-3-1-2 com a movimentação do ataque. No novo sistema, Jorge Valdivia, assim como na estreia do último mundial contra a Austrália, fica posicionado como falso 9, enquanto Eduardo Vargas e Alexis Sánchez partem em diagonal desde os flancos para abrir a defesa e dar amplitude. O treinador argentino tem tentando resolver a falta de gols da sua seleção. Alexis Sánchez foi testado em todos os setores do ataque, inclusive como centroavante, ao passo que Eduardo Vargas amargou meses de inatividade com uma lesão, jogando pelo Queen Park Rangers. Mauricio Pinilla e Esteban Paredes não conquistaram a confiança de Sampaoli para ser a referência, abrindo espaço para o novo posicionamento de Valdivia.

A grande questão do Chile esta na defesa, notoriamente conhecida pela baixa estatura . Para solucionar, Sampaoli tem apostando em Miiko Albornoz no tridente defensivo ao lado de Medel e Jara. No meio campo, Marcelo Diaz, o grande herói da permanência agônica do Hamburgo na Bundesliga, é o grande pilar defensivo, fazendo a cobertura dos ofensivos laterais. Maurico Isla e Jean Beausejour devem começar a competição como laterais/alas, conhecidos em terras mapuches como carrilletos. Beausejour parece ter ganho a disputa com Eugenio Mena na lateral esquerda. O veterano jogador, que na era Bielsa atuava como ponteiro esquerdo, vem jogando mais recuado no Colo Colo, quase como um lateral legitimo. Charlez Aranguíz e Arturo Vidal completam o meio de campo com muita intensidade e dinamismo.

México

mexico copa america

Miguel Herrera decidiu dar descanso as grandes estrelas da seleção tricolor para a disputa da Copa América no Chile. Chicharito Hernández, Andrés Guardado, Giovani dos Santos, Guillermo Ochoa, Carlos Vela e Héctor Herrera terão folga antes da disputa da Copa Ouro em Julho. Contudo, o México manteve o mesmo 5-3-2 do último mundial. No gol a disputa esta entre o veterano Jesus Corona do Cruz Azul e Alfredo Talavera do Toluca. A linha defensiva tem o veterano Rafa Márquez como líbero e a dupla Hugo Ayala e Julio Cesar Domínguez completando a zaga. Os alas Gerardo Flores e Efraín Velarde formam uma linha de 5 defensores sem a posse da bola, como prega o ideal tático de Miguel Herrera.

O meio campo despovoado tem um tripé de muita de qualidade do passe: Juan Carlos Medina centralizado, Marco Fabián pela direita e Javier Aquino na esquerda. A dupla de ataque é formada por Raúl Jiménez do Atlético de Madrid e Enrique Esqueda, um dos destaques do Tigres, semifinalista da Copa Libertadores. O México ainda conta no elenco com boas opções como o meia Luis Montes e o atacante argentino Matias Vuoso.

Equador

equador copa america

O Equador, sempre sólido, aposta na base deixada por Reinaldo Rueda no 4-4-2. O argentino Gustavo Quinteros assumiu o comando em Março. O treinador vem de um trabalho hegemônico com o Emelec, bicampeão nacional, seguindo o mesmo sistema da seleção tricolor. Para a Copa América o Equador não terá Felipe Caicedo, Antônio Valencia e Angel Mena, ambos lesionados; Renato Ibarra e Jaime Ayovi também se recuperam de lesão, mas seguem no elenco de Gustavo Quinteros. No último amistoso em Guayaquil – vitória de 4 a 0 contra o Panamá – o Equador foi a campo com Alexander Dominguez, goleiro da LDU, como titular. Juan Carlos Paredes segue na lateral direita. Frickson Erazo e Gabriel Achilier na zaga, além do veterano Walter Ayovi – que venceu a disputa com Oscar Bagüi na lateral esquerda – completam o quarteto defensivo .

A linha de quatro meio campistas tem o experiente Christian Noboa ao lado de Osbaldo Lastra na cabeça de área, com os velozes Jefferson Montero e Fidel Martinez pelos flancos, aportando velocidade e chegada nos contra-ataques. A dupla de ataque do Equador é bastante promissora com os ótimos Miler Bolaños do Emelec e Enner Valencia do West Ham. Um ataque de muita rapidez, inteligência e faro goleador. Apesar dos desfalques, o Equador com a base experiente e jovens promessas pode surpreender na Copa América.

Bolívia

bolivia copa america

A Bolívia chega como franco-atiradora nesse grupo A, como bem mostrou o desastroso amistoso contra a Argentina em San Juan, no último sábado. Mauricio Soria assumiu a seleção andina herdando a base deixada pelo experiente treinador espanhol Xabier Azkargota. O grande problema do futebol boliviano passa pela falta de renovação. A alta média da seleção boliviana na Copa América será um enorme enclave para a campanha exitosa. O goleiro Romel Quiñonez do Bolívar, aos 22 anos, representa um pouco de juventude defendendo a meta. Miguel Hurtado, do Blooming, e Edhemir Rodriguez, do Bolívar, disputam a titularidade na lateral direita. A dupla de zaga conta com o capitão Ronald Raldez, de 36 anos, ao lado do também experiente Edward Zenteño; Ronaldo Eguino, do Bolívar, briga pela posição numa eventual linha de três zagueiros. A lateral esquerda tem Leonel Morales, do Blooming, como dono da posição.

Danny Bejarano e Sebastian Gamarra aportam juventude no meio de campo.O veterano Pablo Escobar de 36 anos – líder nas assistências durante a primeira fase da Libertadores, pelo The Strongest – será o meia de ligação, livre, municiando Marcelo Moreno, que ficará isolado no esquema defensivo de Mauricio Soria. O argentino Damian Lizio e o experiente Martin Smedberg Dalence completam a linha de quatro meio-campistas. O polivalente Alejandro Chumacero, do The Strongest, também pode ganhar a posição de titular no meio de campo, graças a sua boa atuação na primeira fase da atual edição da Copa Libertadores defendendo o aurinegro paceño.

[post_duplo]