A final da Eurocopa ficou muito evidenciada sobre Antoine Griezmann e Cristiano Ronaldo. Eles foram os grandes destaques da campanha tanto de França quanto de Portugal até chegaram à decisão do campeonato europeu de seleções. Os dois vivem uma situação muito diferente em campo. E uma situação que se inverte em relação ao que viveram no dia 28 de maio, quando os dois, por seus clubes, jogaram a final da Champions League.

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Chegar à final da Champions League pelo Atlético de Madrid é uma missão muito complicada. Griezmann se tornou o melhor jogador do time comandado pelo técnico Diego Simeone. É o craque, o artilheiro e o jogador que pode fazer diferença. Foi assim ao longo da campanha. Na semifinal, contra o fortíssimo Bayern de Munique, foi dele o gol na derrota por 2 a 1, fora de casa, que classificou o time à decisão. E levar o Atlético até a decisão é difícil porque há times muito mais fortes, com muito mais peso, como o próprio Bayern de Munique, o Barcelona – que os colchoneros também eliminaram – e o Real Madrid.

Ao longo do caminho que levou à final da Champions em Milão, o futebol do Atlético de Madrid foi muitas vezes contestado. Afinal, o que apresentava era muito menos atraente do que os rivais citados, que se tornaram os favoritos automáticos nos últimos anos. O time de Simeone conseguia fazer o jogo ficar arrastado se preciso fosse para fazer o seu jogo.

Do outro lado estava Cristiano Ronaldo e o Real Madrid. Um time cheio de estrelas, cheio de tradição, uma quantidade enorme de taças e um elenco que pode ser chamado de uma seleção mundial de craques. Ainda deu sorte no torneio, enfrentando adversários que nem eram os grandes favoritos. Chegou a Milão com toda badalação de um clube acostumado a ser favorito.

Foi um confronto de Griezmann, o craque de um time que se destacava mais pelo trabalho duro e o senso coletivo, contra Cristiano Ronaldo, o craque de um time de estrelas. Uma situação que ainda se tornou mais cruel com a perda do pênalti do atacante francês, ainda no tempo normal.

No final, foi Cristiano Ronaldo que comemorou, junto com seus colegas estrelas mundiais. Ronaldo nem precisou brilhar. Tinha companheiros que podiam assumir o protagonismo, como Kroos, Modric, Benzema ou Bale. A Griezmann, não restava a opção de não brilhar. O Atlético tem bons jogadores, mas poucos poderiam ser protagonistas como ele. Talvez nenhum outro.

Na Eurocopa a história é outra. Quem entrou como uma das grandes favoritas foi a França. A seleção da casa tem vários nomes importantes do futebol mundial, vinha de uma boa Copa do Mundo em 2014 e parecia pronta a ser mais uma seleção a brigar pelo título em casa. Há diversos jogadores prontos a serem protagonistas. Pogba chegou muito badalado, como um grande craque. Payet já brilhou desde o começo depois da excelente temporada pelo West Ham. Tem ainda Lloris, um goleiro de alto nível, e Matuidi, um meio-campista bastante completo.

Cristiano Ronaldo não tem essa opção. Em Portugal, as suas atuações são cruciais para que o time tenha sucesso. É difícil imaginar que Portugal possa ser campeão da Eurocopa sem que Ronaldo tenha papel preponderante. Foi ele o craque do time, mesmo que tenha falhado na primeira fase ao perder um pênalti contra a Áustria.

Foi Ronaldo quem levou o time à classificação em um 3 a 3 contra a Hungria. Depois, ele participou diretamente do gol que classificou o time nas oitavas de final contra a Croácia. Veio a Polônia e ele teve que chamar João Moutinho a cobrar um dos pênaltis que classificou o time. Na semifinal, ele marcou um dos gols da vitória e participou diretamente do outro. A esperança dos portugueses é que ele decida de novo. Portugal precisa dele.

Griezmann certamente será muito bem marcado. Fez seu primeiro gol contra a Albânia, na primeira fase, mas foi nos jogos eliminatórios que ele cresceu. Dois gols contra a Irlanda, nas oitavas; marcou outro contra a Islândia nas quartas; e foi o grande nome na vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha na semifinal, com dois gols. Ele tem sido decisivo.

Se na final da Champions League era Ronaldo que vinha cercado de estrelas que poderiam decidir por ele, agora ele chega à final da Eurocopa precisando decidir para levar o seu time ao título. Griezmann, ao contrário, chegou à Champions League precisando decidir para fazer o Atlético de Madrid campeão, mas agora, na final da Eurocopa, nem precisa ser decisivo para seu time ser campeão.

A vingança de Griezmann sobre Ronaldo pode vir neste domingo aproveitando o time muito mais forte que tem. A sua seleção é maior, mais forte e é a favorita. Ronaldo, agora, terá que lidar com o papel de jogar pela zebra. Pelo time que entrará em campo para tentar a reverter toda o ambiente desfavorável. Em tão pouco tempo, os papéis se inverteram. Milão já foi. Este domingo, é Saint-Denis.