Dez dias atrás, Antoine Griezmann pôde respirar aliviado: o Barcelona anunciava sua contratação após longa novela que vinha já de outras temporadas. Em entrevista ao Marca, revelou que chorou de felicidade ao telefone com o pai logo após fechar com o clube catalão: “(enfim) tinha terminado”.

Os primeiros dias no novo clube têm ido bem, apesar de todo o estresse para que o resultado venha quando chegada a hora de entrar em campo. Ainda assim, Griezmann disse que não via a hora de encerrar as férias e começar o novo capítulo.

Se os rumores nos meses anteriores davam conta de que o francês não seria bem recebido no Camp Nou, na prática o jogador diz que a situação tem sido diferente.

Griezmann mostrou-se bastante feliz pela maneira como o elenco lhe deu boas-vindas. “A verdade é que tem sido uma boa recepção. Sei que estão todos aqui por mim para qualquer problema que possa ter. No outro dia, fui jantar com Jordi Alba, e esses são detalhes que me ajudam a me sentir bem e ganhar confiança no grupo”, contou.

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O que certamente ajuda é também a proximidade que já vai estabelecendo com o craque Luis Suárez. Quem acompanha mesmo que um pouco o francês fora dos gramados sabe que ele tem um grande carinho pelo Uruguai e suas tradições. Por meio do atacante, Griezmann já vai definindo sua fonte de mate no elenco. “Eu não tinha mate e pedi para ele me mandar por um amigo, e ele já trouxe para mim, ótimo.” É claro que não é só o mate que empolga o jogador nessa nova relação. “É um grande jogador que garante muitos gols e conquista títulos. Também estarei aqui para lhe dar muitas assistências ou para que ele as dê para mim.”

As perguntas feitas pelo repórter do Marca mostram bem que a imprensa local está curiosa para ver o quão bem Griezmann e Messi vão se entender. Do lado do francês, a relação já começa bem mesmo que ainda não tenham tido a oportunidade de treinar juntos. O novo camisa 17 do Barça se diz um sujeito fácil de lidar e não esconde a ansiedade para estar ao lado do argentino.

“Vai ser bom. Quero ver como ele é no dia-a-dia, como é nos treinos, pegar as coisas no treino e depois repetir ou fazer à minha maneira e me dar bem com ele dentro e fora de campo. Estou ansioso por isso. Estarei aqui para o que for preciso: para ele, para o clube e para os jogadores.”

Já bastante sobrecarregado de opções para o setor ofensivo, o Barcelona ainda pretende contratar Neymar. Griezmann elogiou o brasileiro, a quem classifica como “um grande jogador”, e diz que a dor de cabeça para escalar a equipe seria de Ernesto Valverde. A seu favor, conta com o fato de que o treinador é um admirador de longa data de seu futebol – quando estava no Athletic Bilbao, Valverde tentou tirar o atacante da rival Real Sociedad.

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Por falar na Real, Griezmann carrega com carinho as memórias de seus ex-clubes, mas, assim como vivenciou ao deixar a equipe para jogar no Atlético de Madrid em 2014, sabe que deverá ter uma recepção difícil quando for jogar na casa dos Colchoneros e entende que isso é do futebol.

“Sei que vai haver uma vaia. Faz parte do futebol: fui muito querido, e, quando alguém sai, pode doer. É como na Real Sociedad: minha primeira visita não foi fácil, mas sempre terei a Real e o Atleti no meu coração porque eles me deram muito.”

A saída tumultuada do clube de Madri não foi a ideal para Griezmann. A troca de declarações e acusações na imprensa foi o toque final em uma saga que durou algumas temporadas e que, antes do início da temporada anterior, havia incluído um grande circo para o anúncio do francês de que permaneceria no Atleti. O jogador não se arrepende da forma como tudo aconteceu agora em 2019. Reconhece que gostaria de ter feito uma despedida como a de Juanfran ou Godín, mas afirma que não teve outra opção e que o vídeo gravado para dar adeus aos torcedores havia sido uma exigência do Atlético de Madrid.

“Despedi-me dos jogadores, dos roupeiros, dos fisioterapeutas e de todas as pessoas, o que era o mais importante”, avaliou. “A pior coisa foi aquele vídeo, mas não tinha opção”, completou.

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Para ajudar na adaptação ao novo clube, Griezmann conta com a presença de quatro franceses: Jean-Clair Todibo, Clément Lenglet, Samuel Umtiti e Ousmane Dembélé. O atacante diz que os conterrâneos estão sempre juntos, e fica claro que sua relação mais próxima é com Dembélé, com quem brinca ao dizer que tentarão fazê-lo falar espanhol. Faz também seus planos com o companheiro de seleção: “Não sei se serão quartos individuais, mas vou passar muito tempo jogando Pro Evolution Soccer ou Football Manager com o Dembelé, embora prefira jogar sozinho no meu quarto”.

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