Antoine Griezmann quis por muito tempo vestir as cores do Barcelona. Depois de tanta espera, rumores e uma novela desgastante, conseguiu sua cara transferência ao clube blaugrana. Entretanto, seu começo de temporada pelo Barcelona não tem sido aquilo que ele gostaria, e a fase recente na seleção não vinha contribuindo para aliviar as coisas. Porém, o camisa 17 do time catalão parece tranquilo em relação a tudo isso, associando as dificuldades ao inevitável período de adaptação a um novo clube.

Em entrevista ao programa Téléfoot, o atacante reconheceu que seus primeiros meses no Barça têm sido difíceis. Acostumado a jogar mais centralizado no ataque, com alguma liberdade para se movimentar no terço final e como grande referência ofensiva, encontrou na Catalunha um cenário diferente, empurrado para a ponta esquerda, uma posição com a qual não está familiarizado.

“É difícil, eu sabia que seria, não é o lugar mais fácil (de se jogar). É um novo time, um novo clube, com novas táticas, uma nova posição. Preciso trabalhar e tentar entender meus companheiros, para depois eles me entenderem também, e assim tudo irá funcionar. Os críticos sempre existirão, mas estou bem, estou orgulhoso de onde estou e sei que só o trabalho é que irá compensar. Preciso ter confiança em mim, e, assim, as coisas darão certo”, projetou o atacante.

A tranquilidade vem graças à experiência conseguida por Griezmann ao longo da carreira. Aos 28 anos, já viveu o bastante no futebol para se conhecer bem – e usa referências passadas para não perder o sono.

“Estou muito feliz, sei que o desempenho no campo virá depois. Isso aconteceu comigo no Atlético (de Madrid). Até dezembro, na primeira temporada, eu não era eu mesmo. Mas é isso, clube novo, hábitos novos. É preciso aceitar tudo e tentar melhorar, buscar ter mais confiança e aprender também. Depois disso, tenho certeza que tudo será mais fácil.”

O gol marcado por Griezmann na vitória por 2 a 0 sobre a Albânia no domingo foi o primeiro do jogador após uma seca de sete jogos pelos Bleus. Certamente, o momento na seleção não vinha contribuindo para a fase relativamente conturbada, com membros da imprensa francesa pedindo Nabil Fékir em seu lugar no time titular. Com o foco das críticas ao seu desempenho pela equipe nacional concentrado nos poucos gols marcados, o jogador saiu pela tangente.

“Não tenho nenhum problema com isso, não estou atrás dos gols. Isso não é meu objetivo principal. Eu sempre busco o melhor para o time. (…) Sou mais um jogador que pensa na equipe, em criar as movimentações para outros, em servir os companheiros. Se eu puder marcar gols, melhor, mas não é o meu objetivo principal, o principal é a vitória. Estou contente comigo mesmo”, defendeu-se, para depois admitir que precisa trabalhar para voltar a marcar gols com maior frequência pelos Bleus.

Depois do título na Copa do Mundo do ano passado, Griezmann, junto com a seleção francesa, tentará aprender com os erros da Euro 2016, perdida em casa na final contra Portugal, para ir atrás do título da competição em 2020. No entanto, por mais que a conquista mundial tenha colocado toda a equipe francesa em um novo patamar, o desafio ainda será duro, avalia ele.

“Não é como se fôssemos ganhar de todo mundo por 3 ou 4 a 0 e chegar até a final só por sermos os campeões do mundo. Vai ser complicado, então precisamos nos preparar bem. Precisamos ver em qual grupo iremos jogar e nos preparar para ele”, apontou.

Em termos de números, você não diria que a temporada de Griezmann vai mal. Em 11 partidas em La Liga, anotou quatro gols e deu três assistências. Porém, acostumado a um tipo de protagonismo que não irá encontrar no Barça, o francês precisa também encontrar uma maneira de ser imprescindível ao jogo blaugrana que vá além de números. Jogando deslocado no canto e com Messi como companheiro de time, esse papel dificilmente se assemelhará a qualquer outra coisa que Griezmann fez pelo Atleti.