Do time de transição ao campeão da América, Grêmio se recompôs a tempo de mais um título

Turbulências do começo do Campeonato Gaúcho foram superadas até a conquista estadual. Agora, o foco vai para os âmbitos nacional e continental

O Grêmio já foi a Pelotas sabendo: só com uma atuação extremamente desastrosa perderia o título gaúcho que encaminhara no jogo de ida contra o Brasil, fazendo 4 a 0. E o time da Azenha se cuidou para ser imperioso também na partida de volta: 3 a 0 no Bento Freitas, para o 37º título gaúcho de sua história. Aparentemente, resultado só importante para os gremistas – tanto que a confirmação da permanência de Renato Gaúcho na casamata gremista ganhou tanta notícia quanto o título em si. Porém, um olhar mais profundo revela que o título estadual dá até certo alívio ao Tricolor.

Afinal de contas, para um time que terminou 2017 em alturas ionosféricas na eterna gangorra com o arquirrival Internacional, campeão sul-americano com atuações incontestáveis na final, começar o Gaúcho frequentando a zona de rebaixamento, com a fragilidade no time misto (expressa em resultados como o 5 a 3 do Caxias e o 2 a 0 do São José), era algo ligeiramente incômodo. Nada para se perder o sono com o resto do ano, mas era preciso reagir suficientemente para evitar uma queda que ofereceria razão desnecessária para a flauta da torcida colorada – em bom gauchês, “flauta” é sinônimo de “trollada”.

E logo o Grêmio reagiu. Dali por diante, só mais uma derrota (contra o Veranópolis, na 8ª rodada). E não havia modo melhor de provar que havia certa reação do que vencer um Grenal – 2 a 1 em pleno Beira-Rio, em jogo válido pela sexta rodada, mas o último da fase de classificação. De resto, foi possível chegar entre os oito classificados para as quartas de final. Quis o destino que mais um Grenal ocorresse. E que consolidasse a reação da equipe: duas vitórias em cima do grande antagonista.

Contra o Avenida, na semifinal, o roteiro só não foi o mesmo da decisão porque houve empate no jogo de volta – até porque o estádio dos Eucaliptos já havia visto um 3 a 0. E contra o Brasil de Pelotas, a confirmação de que, com Walter Kannemann e Pedro Geromel na zaga, a segurança ainda é previsível. Que Jael, o talismã das fases finais da Libertadores, cresceu de produção. Que alguns personagens menos falados tiveram o Gaúcho para se destacarem – Ramiro, Alisson, Everton. Enfim, conquistar o primeiro estadual desde 2010 dá o respiro de que o Grêmio precisa para buscar seus objetivos mais importantes. E lembrando dos 4 a 0 sobre o Monagas, é possível esperar que a sequência da campanha na Libertadores veja um time ainda mais recomposto.