A onda de violência que tem atingido o futebol grego ultimamente levou o governo a anunciar um pacote de medidas para frear a escalada de brutalidade que tem afetado seus campeonatos. No entanto, a Fifa e a Uefa mandaram um recado claro para o país: se houver ingerência governamental no futebol do país, a seleção e os clubes gregos serão expulsos das competições internacionais. Uma medida que não seria nova para o país, suspenso em 2006 pelo mesmo motivo.

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A Fifa deixa claro em seu regulamento que cada um de seus países membros deve manter independência e tomar sozinho suas decisões, sem a interferência de outras partes, mesmo o governo. A intenção da Grécia é boa. Deseja aprovar leis que punam a violência em eventos desportivos, com a aplicação de multas e a exclusão de competições internacionais, a implementação compulsória da venda de ingressos online por todos os clubes, a suspensão de partidas em caso de suspeita de manipulação, a indicação de um promotor especial para o futebol e a criação de auditorias fiscais para árbitros. No entanto, o assunto deve ser tratado apenas pela Federação Grega, e Gianni Infantino, secretário-geral da Uefa, ameaçou publicamente excluir o país das competições internacionais se o governo grego seguir em frente com o plano.

Segundo Infantino, uma carta conjunta foi enviada com a Fifa, dando um ultimato para que o governo fique longe do assunto, e ele espera que a ameaça “os faça reconsiderar suas ações, para que possamos ainda trabalhar juntos para resolver os problemas que afetam o futebol grego”. Mesmo com o aviso, Stavros Kontonis, ministro dos Esportes, bateu o pé e afirmou que o governo seguirá o processo de implementação das leis. “Onde á dinheiro público envolvido, ninguém pode ser excluído do controle. Queremos autonomia, mas todas as federações esportivas serão monitoradas e administradas de maneira uniforme, sem exceções”, afirmou, em declaração publicada pelo site Greek Reporter.

Em 2006, a seleção e os clubes gregos foram suspensos brevemente pela Fifa, pelo mesmo problema de interferência do governo a partir da criação de uma lei para clubes profissionais do país. A Grécia sabe, portanto, que não se trata de blefe da entidade máxima do futebol. Se quiser sanar os graves problemas que tem, como os escândalos de manipulação e a violência, que atingiu até mesmo árbitros, terá de encontrar uma solução amigável dentro de sua própria federação. Algo que os gregos parecem não estar muito dispostos a fazer, considerando a fala de Kontonis. Este certamente não será o último episódio da disputa política. Com as indefinições, quem segue sofrendo é o futebol do país.