Menos de 24 horas depois de publicar um vídeo pedindo para que as pessoas ficassem em casa, quando o Reino Unido colocou em ação suas medidas de isolamento social no final de março, Jack Grealish foi fotografado na rua, ao lado da sua Range Rover, que havia acabado de bater em dois carros estacionados. O jogador do Aston Villa havia quebrado a quarentena para visitar a casa de um amigo. Não pegou bem. Teve que imediatamente pedir desculpas e, desde então, tem se mantido longe das manchetes e fazendo trabalhos de caridade para compensar um erro que ele pelo menos não tenta justificar ou minimizar.

Capitão do Aston Villa, Grealish doou £ 150 mil ao Hospital Infantil de Birmingham e levantou mais £ 55 mil para Serviço Nacional de Saúde com uma rifa de uma de suas camisas. “Sei que sou um jogador de futebol, mas ainda sou humano e todos cometemos erros e imediatamente eu percebi que havia cometido um. Eu sou um exemplo também para muitas pessoas, especialmente crianças que me admiram. Eu tento ser responsável”, disse, em entrevista ao Guardian. “Sou velho o suficiente e maduro o suficiente para saber que eu errei”.

O amadurecimento de Grealish tem a influência de Dean Smith, treinador do Aston Villa que o jogador vê como uma “figura paterna”, alguém com quem ele pode falar sobre qualquer assunto. Naturalmente, a felicidade de voltar aos treinos foi eclipsada pela notícia de que o pai de Dean Smith, Ron, torcedor de carteirinha do Villa, morreu após contrair coronavírus. Ele há anos sofria de demência.

“Tenho certeza que agora todos queremos evitar o rebaixamento ainda mais, pela família Smith”, disse. “Eu sempre perguntava para ele como estava seu pai. A notícia foi devastadora para ele e para a família. Nós, como jogadores, temos tentado apoiá-lo e ajudá-lo. Uma coisa boa sobre o futebol é que quando você tem um problema fora de campo, quando treina ou joga, consegue parar de pensar em todo o resto. Certamente funciona assim para mim. É o que temos tentado fazer para o treinador”.

Smith entregou a braçadeira de capitão para Grealish na temporada passada e tem conseguido manter o seu nível de atuação apesar dos desafios muito mais difíceis da Premier League. “Minha temporada tem sido muito boa, embora eu não tenha começado como eu queria. Dei uma assistência no segundo jogo, mas, tirando isso, acho que não fiz gol ou dei assistência por seis semanas e é nisso que eu baseio meu jogo, no que eu posso fazer para ajudar o time”, afirmou.

Grealish tem sete gols e seis assistências em 26 partidas pela Premier League nesta temporada. “Desde então, eu estou bem e aproveitei cada momento. Sem querer soar arrogante, eu não tinha dúvidas de que viria para esta liga e jogaria como tenho jogado”, completou.

A questão é se as atuações de Grealish serão suficientes para salvar o Villa do rebaixamento. O clube está na zona de rebaixamento, mas sairá se vencer o Sheffield United, uma das duas partidas adiadas por causa da final da Copa da Liga e que devem marcar o retorno da Premier League em 17 de junho. Embora o Villa tenha a quarta pior campanha em casa na liga, Grealish acredita que a ausência de torcedores será uma desvantagem.

“Porque gostamos muito dos jogos em casa este anos. Ganhamos muito mais em casa do que fora (17 pontos versus apenas oito na estrada). Temos mais seis jogos em casa. Ainda temos um jogo a menos e se o vencermos saímos da zona de rebaixamento. Não vamos reclamar. Ainda está em nossas mãos. Não podemos reclamar que os torcedores não estarão lá. Vamos encarar a situação como ela é porque estamos muito felizes por podermos voltar a jogar”, encerrou.

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