Jack Grealish foi o grande herói do Aston Villa no retorno do clube à Premier League. Camisa 10 e capitão, o meia gastou a bola durante a Championship, principalmente na guinada de sua equipe no final do segundo turno. Após sofrer uma lesão na tíbia, que o afastou do time por mais de dois meses e só permitiu sua volta em março, o inglês deu um impulso na sequência de dez vitórias dos Villans. Já nos playoffs, brilhou especialmente no clássico das semifinais contra o West Bromwich. E um detalhe no pé esquerdo de Grealish chamou a atenção em Wembley, na última segunda-feira, quando o Villa assegurou sua promoção ao derrotar o Derby County por 2 a 1. O jovem de 23 anos usava uma chuteira completamente arregaçada. Superstição, que o permitiu comemorar bastante.

Segundo Grealish, ele começou a usar aquele par de chuteiras em março, justamente quando retornou da lesão. Logo na volta, anotou um dos gols nos 4 a 0 sobre o Derby, que encerrou a série de cinco jogos sem vitórias do Aston Villa. No compromisso seguinte, o já histórico clássico contra o Birmingham. Após ser agredido covardemente por um torcedor adversário que invadiu o campo, o capitão fez o gol no triunfo por 1 a 0. E os Villans não pararam de vencer, quase sempre liderados por seu craque. Foram quatro gols e duas assistências do camisa 10 num intervalo de nove partidas, até o fim da temporada regular. Boa forma reafirmada nos playoffs contra o West Brom, em que deu as assistências na vitória por 2 a 1 durante a ida e converteu seu pênalti na disputa que selou o direito de disputar o acesso em Wembley.

“Voltei de uma lesão e elas estavam novinhas. Anotei alguns gols, então pensei que eram minhas chuteiras da sorte. Tive que mantê-las assim”, contou Grealish, durante a festa do acesso. O bico da chuteira está praticamente sem couro e até expõe o camisa 10 durante as divididas, assim como impacta em seu contato com a bola. O fato de ser destro, ao menos, atenua os problemas com o calçado. Mas foi justamente com a canhota que ele balançou as redes no marcante dérbi contra o Birmingham, após a agressão sofrida.

O detalhe é que Grealish tem outra superstição, mantida desde a juventude: jogar com as meias arriadas. “Obviamente, as meias deveriam ficar acima da panturrilha. Mas uma vez elas encolheram na hora de lavar, então não subiam mais. Acabei jogando muito bem naquele ano e se tornou algo supersticioso para mim. Pensei em continuar fazendo isso. É uma superstição que faço durante toda a vida e continuarei assim. Alguns árbitros tentaram me coibir, mas preciso seguir”, afirmou, em 2015. Nesta época, o meia convivia com problemas disciplinares. A maturidade e as responsabilidades dos últimos anos o ajudaram a superar a imagem de ‘garoto-problema’, a ponto de assumir a braçadeira.

Especulado por outros clubes da Premier League, sobretudo no Tottenham, Grealish garantiu o seu compromisso com o Aston Villa. O capitão de 23 anos declarou que defenderá o clube na primeira divisão. Formado nas próprias categorias de base dos Villans desde os seis anos, ele é tataraneto de Billy Garraty, antigo jogador do clube que foi eleito o melhor em campo na decisão da Copa da Inglaterra de 1905. O camisa 10 também já havia atuado em três edições anteriores da elite, mas como coadjuvante. Agora, poderá reafirmar a grandeza dos Villans. Muito provavelmente, com um par de chuteiras novas – ou ao menos reformadas.