Essa conversa não é nova e a medida não é inédita, mas a decisão que o Gre-Nal do próximo domingo terá torcida única na Arena Grêmio é uma decisão que, necessariamente, é ruim para o futebol. Sim, necessariamente. Porque o Ministério Público quer meter o focinho onde não deveria. Não há justificativa para dizer que essa medida irá proteger os torcedores. Ao contrário. É um ataque aos torcedores. É um ataque a quem gosta de futebol.

O procurador Gustavo Munhoz disse que a decisão da Brigada Militar foi tomada com base em um levantamento técnico. Será que esse levantamento técnico mostra também que a Brigada Militar é completamente despreparada para lidar com público de futebol? Será que o levantamento questiona se a Brigada Militar deveria estar no estádio? Porque esses são levantamentos técnicos que deveriam ser feitos. Sim, há uma lei no Brasil que obriga a polícia a oferecer a segurança no futebol. Está na hora de rediscutir isso também.

No jornal Zero Hora, Pedro Moreira definiu bem a questão sobre essa decisão de torcida única no Gre-Nal número 397: “Ao tomar a controversa decisão por Gre-Nal com torcida única no próximo domingo, assumindo não poder garantir segurança à torcida do Inter nas vias de acesso à Arena, a Brigada Militar – com a chancela do Ministério Público (MP) – atesta a incapacidade do Estado e da sociedade para enfrentar a violência no futebol. A corporação afirma que o problema é fora do estádio. Em campo aberto, e devido às ruas estreitas da região, o controle seria mais difícil”.

A ideia do Ministério Público de tirar a torcida visitante do estádio para impedir a violência é absolutamente sem sentido. É como se tivesse decidido que para impedir a violência em um bairro com alto índice de criminalidade, o Ministério Público proibisse as pessoas de irem até lá. Ou seja: o bairro se torna um local proibido e, assim, não temos violência. Isso não só não resolve o problema, como ainda joga a sujeita para debaixo do tapete.

A violência é um problema e precisa ser combatido. O futebol é vítima disso. E as autoridades precisam sim combater esse tipo de atitude violenta das torcidas, que marcam brigas, fazem emboscadas e querem tocar o terror. O papel da Brigada Militar é justamente trabalhar com inteligência para impedir que os violentos tomem as ações que querem.

Na tarde desta quarta-feira haverá uma reunião entre a Secretaria de Segurança Pública, a Brigada Militar e os presidentes de Grêmio e Internacional. Há uma esperança que a medida seja revertida. É o correto e assim esperamos. Porque impedir a ida da torcida visitante ao estádio é uma medida covarde. É uma forma do Estado se esconder atrás de uma decisão de coxinhas engravatados. Está na hora é de arregaçar as mangas e trabalhar, com inteligência e boa vontade, para chegar a uma solução decente e justa. E isso passa necessariamente por ter torcida visitante na Arena Grêmio.

Que os torcedores do Grêmio e do Internacional mostrem que as pessoas não são esses grupos violentos. Que o futebol não pode pagar por erros de organização e do Estado em coibir, punir e se prevenir em relação à violência de alguns torcedores.

Não sejam covardes, autoridades. Façam o seu trabalho.