Os primeiros 45 minutos incríveis do Manchester United tornaram a partida contra o Tottenham mais simples para o time de Van Gaal do que o esperado. O 3 a 0 garantido antes mesmo do intervalo veio para manter o time forte na briga por uma vaga na Champions League da próxima temporada. Dentre os vários aspectos que podemos destacar na atuação dos Red Devils, talvez o retorno de Carrick a um jogo inteiro seja o mais relevante. O meia foi um dos grandes responsáveis pelo triunfo.

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O primeiro lance em que Carrick fez a diferença foi o responsável por abrir o placar. O inglês encontrou Fellaini bem posicionado na área para finalizar cruzado e fazer 1 a 0. Depois, em cobrança de escanteio desviada pelo belga, a bola foi mal afastada pela zaga do Tottenham, e foi a vez de Carrick deixar o seu, de cabeça. Os dois gols em apenas 18 minutos de jogo tiraram dos Spurs qualquer força de reação. O erro defensivo que acabou no belo gol de Rooney aos 34 minutos fechou o caixão.

Gol de Carrick para fazer 2 a 0, aos 18 minutos:

A última vez em que Carrick havia atuado por um tempo significativo havia sido há sete rodadas. Embora recheado de problemas em diferentes setores do campo, o United sentiu, sim, sua falta nas seis partidas em que basicamente não atuou – lesionado em cinco delas, no banco em uma e jogando apenas por um minuto contra o Newcastle, na rodada passada. A importância do meia para o jogo dos Red Devils fica ainda mais evidente quando analisamos a primeira metade de temporada. Foi apenas após a recuperação de uma lesão de Carrick e sua entrada no time que a equipe começou a conseguir seus resultados e chegou mais próxima de uma sequência convincente.

Blind atua melhor como volante do que como lateral esquerdo, mas hoje desempenhou esta última função. Abriu espaço para que Carrick atuasse como o cabeça de área, posicionado ao lado de Ander Herrera, e não há opção melhor no elenco de Van Gaal para a posição do que o inglês. Blind é capaz de dar passes precisos e tem qualidade para subir ao ataque, mas ainda não no nível de Carrick. A experiência também conta a favor do camisa 16, que usa isso a seu favor principalmente para conduzir o ritmo dos jogos. Isso foi parte do que fez sua atuação contra o Tottenham tão grandiosa. Os 84% de acerto de passes, muitos deles verticais, deram ao United, sobretudo no primeiro tempo, na eficácia na armação de jogadas que faltou nos últimos jogos em que Carrick foi desfalque.

Some o equilíbrio dado pela atuação do inglês ao fato de Van Gaal finalmente dar uma chance a Mata e deixar Rooney bastante próximo ao gol adversário, e temos um dos melhores jogos coletivos do time sob o comando do holandês. Certamente a melhor primeira etapa feita pela equipe em bastante tempo. Em boa parte pela boa execução de suas tarefas por parte desses mesmos jogadores.

Apesar do jogo convincente deste domingo, o resultado não deve encher o torcedor de otimismo cego. A sequência do United é difícil, com Liverpool, Chelsea e um Aston Villa em boa fase como próximos adversários. A capacidade de alguns atletas de corresponderem às expectativas em um jogo importante como foi esse contra os Spurs, no entanto, é, sim, um bom sinal para esses próximos duelos. Se antes a sensação era de que essas rodadas decretariam a retirada do time da briga pela Champions, existe agora pelo menos algum motivo para acreditar no crescimento no momento certo.