O Arsenal recebeu a visita do Östersunds, em fevereiro do ano passado, e levou um baita de um susto. Havia vencido o time sueco fundado em 1996 fora de casa, por 3 a 0, mas levou dois gols em um intervalo de dois minutos. Embora tenha conseguido descontar e passar às oitavas de final da Liga Europa, perdeu no Emirates em uma época na qual isso era difícil. Em comum com a derrota desta quinta-feira para o Brighton, por 2 a 1, é a identidade do treinador adversário, o inglês Graham Potter.

Desde então, Potter encerrou seu trabalho na Suécia em alta e, notado pelo futebol inglês pela vitória contra o Arsenal, comandou o Swansea na segunda divisão, com destaque e elogios. Ganhou chance na Premier League à frente do Brighton, que tem conseguido fazer jogar com muita organização e bola no chão, em contraste com o estilo mais rústico de seu antecessor Chris Hughton, embora seja notória a falta de qualidade técnica do elenco.

Aquela vitória foi relevante para Potter, mas vale a ponderação de que o Arsenal havia vencido bem o jogo de ida e entrara em campo relaxado e sem muitos dos seus principais jogadores. A situação desta quinta-feira foi completamente diferente. Freddie Ljungberg escalou todas as suas armas na tentativa de encerrar um péssimo momento. Não conseguiu, e os nove jogos sem vitórias são a pior sequência dos Gunners desde 1977.

Porque, desde aquele jogo de fevereiro de 2018, o Arsenal se deteriorou. Arsène Wenger aposentou-se ao fim da temporada, depois de perder a semifinal para o Atlético de Madrid, e o seu sucessor, Unai Emery, já foi demitido. Ljungberg assumiu como interino, mas ainda está longe de conseguir colocar o trem de volta aos trilhos.

Mais preocupante foi a maneira como o Brighton alcançou a vitória. Principalmente no primeiro tempo, foi o time que assumiu a iniciativa, com mais posse de bola, finalizações e chances perigosas. Tudo bem que Mathew Ryan precisou fazer algumas boas defesas, mas isso é normal contra a qualidade de um time com Aubameyang, Lacazette e Özil entre seus meias e atacantes.

O que não é normal é o Arsenal ter sofrido tanto contra o ataque bem menos qualificado do Brighton, muito menos sair atrás, aos 36 minutos. A cobrança de escanteio ficou pipocando dentro da área até Adam Webster completar, com força. Lacazette empatou meio sem querer, também em jogada de canto, no começo do segundo tempo. Apareceu na primeira trave e cabeceou para trás, em busca de um companheiro, mas mandou direto às redes.

O Arsenal apresentava um esboço de reação, como parece ser um esboço de time, e chegou a estar à frente durante alguns segundos, quando David Luiz marcou o segundo gol dos anfitriões, mas em completa posição de impedimento que o assistente deveria ter assinalado sem o auxílio do assistente de vídeo.

E, então, aos 35 minutos, Aaron Mooy recebeu pela esquerda e cruzou. Neal Maupay venceu David Luiz facilmente pelo alto e, com um ótimo gesto técnico de cabeça, colocou a bola no canto, além do alcance de Leno. Foi o quinto gol na Premier League do atacante francês que havia se destacado bastante na última Championship, com 25 em 43 partidas pelo Brentford.

O Arsenal cai pelas tabelas. Está em décimo lugar, já a 10 pontos da zona de classificação para a Champions League, e sem treinador. Chegou a ser ventilada a possibilidade de Ljungberg ser efetivado no cargo, mas isso parece cada vez mais longe. E nem o Emirates, onde o time de Emery somou a maioria dos seus pontos na temporada passada e teve um rendimento próximo ao dos Invencíveis, tem se mostrado uma fortaleza. Esse foi o quarto jogo como mandante pela liga inglesa sem vitória para os Gunners e o quinto por todas as competições.

Se bem que, para Graham Potter, o Emirates nunca tenha sido assustador.

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