O Campeonato Português é mais um que se alinha em prol da retomada nas próximas semanas. Nesta quinta-feira, o governo local aprovou o retorno da liga para os dias 30 e 31 de maio, dentro do chamado ‘Plano de Desconfinamento’. Há uma série de aberturas permitidas pelas autoridades em diversas áreas da sociedade – incluindo também serviços públicos, postos de trabalho e comércio. A primeira divisão entra na lista, com autorização a jogos sem público, embora o mesmo não se aplique às divisões de acesso. A segundona será encerrada antecipadamente.

“Este reinício está sujeito ainda à aprovação do protocolo sanitário que foi apresentado pela Liga e está condicionado à avaliação dos estádios, se cumprem todas as condições necessárias para a competição ser retomada. O reinício desta atividade será sempre feito às portas fechadas, sem público nas arquibancadas, seja qual for o estádio, seja na Liga ou na final da Taça de Portugal”, afirmou António da Costa, primeiro-ministro de Portugal.

Os elencos da primeira divisão poderão retornar aos treinamentos na próxima semana, tomando medidas preventivas para evitar o contágio. Por enquanto, o governo mantém a cautela sobre a segunda divisão e não concedeu aberturas. Segundo António da Costa, os clubes da elite assumiram que têm condições técnicas e de organização para cumprir as normas de proteção, testagem e isolamento. O primeiro-ministro se reuniu previamente com representantes da federação, da liga e dos três grandes clubes lusitanos.

As autoridades também permitiram a realização da final da Taça de Portugal, que contará com o confronto entre Benfica e Porto. O Campeonato Português está paralisado desde 12 de março. Restam mais dez rodadas para a conclusão da campanha. O Porto lidera o torneio com 60 pontos, um a mais que o Benfica.

Portugal tem 25 mil casos de coronavírus registrados até o momento. Foram confirmados 989 óbitos por conta da doença. Apesar do grande número de pacientes em tratamento, com 22 mil casos ativos, a curva de contágio desacelera no território português. Nesta quinta-feira, foram anunciados 183 novos infectados e 25 mortes.

Entre os principais opositores à volta da liga está o Desportivo das Aves, lanterna do campeonato. O clube emitiu uma nota oficial para questionar a posição, sobretudo se os jogadores contraírem a doença. A diretoria quer mais clareza sobre a proteção dos atletas, inclusive dentro da perspectiva trabalhista.

“Quais as garantias e coberturas que os jogadores terão numa situação concreta de doença agravada? Quem assegura o pagamento do salário do jogador durante o período de quarentena? No caso de uma incapacidade definitiva, como e quem assegura o pagamento de uma eventual indenização? E caso um ou mais jogadores contraiam a COVID-19 já em fase de treino coletivo ou mesmo já em fase de competição, estes entrarão forçosamente em quarentena, mas o que se passará com os jogadores que com ele(s) estiveram em contato?”, escreveram.

Já o presidente do Marítimo, Carlos Pereira, criticou a realização das partidas com portões fechados. “Com portões fechados não há espetáculo. Acho que é mais parecido com um funeral do que com um espetáculo, mas tenho que respeitar. Mas também não consigo perceber como é que o cinema e o teatro podem ter pessoas num ambiente fechado e o futebol não pode ter ninguém”, analisou, ao jornal O Jogo, preocupado também com as aglomerações nas casas dos torcedores que podem ocorrer durante as transmissões na TV. Discussões que devem se desenvolver ao longo das próximas semanas, até que o futebol sinta verdadeiramente a realidade de seu retorno em meio à pandemia.