Gonçalo Guedes viveu a temporada mais importante da carreira no Valencia. De revelação do Benfica, o meia se tornou aposta do Paris Saint-Germain, mas sem desfrutar espaço suficiente. O empréstimo aos Ches seria a oportunidade de se afirmar. E, aos 21 anos, ele foi simplesmente brilhante na caminhada da equipe à Liga dos Campeões. Marcou seus gols, deu uma porção de assistências e contribuiu bastante ao estilo do time de Marcelino Toral – a ponto de virar desfalque sentido durante algumas rodadas em que esteve lesionado. Os espanhóis, obviamente, queriam manter o jovem. Pois a melhor notícia chegou ao Mestalla nesta segunda. Por €40 milhões, o português assinou com o clube pelas próximas cinco temporadas.

O Valencia ganhou opções ofensivas nesta temporada. Apesar da venda de Simone Zaza para o Torino, o setor recebeu as adições de Kévin Gameiro, Michy Batshuayi e Denis Cheryshev, além de Daniel Wass para auxiliar no apoio pelos lados. Ainda assim, a diretoria vinha se esforçando para tentar garantir os serviços de Gonçalo Guedes, depois do impacto que o lusitano provocou em La Liga. Sem tanto espaço no PSG, a mudança em definitivo também era pretendida pelo jogador. Mais delicado seria selar a operação, diante da alta pedida dos franceses, que não aceitavam emprestá-lo de novo. Depois de muitas rodadas de negociação, se tornou a maior contratação já feita pelos Ches. A poucos dias do fechamento da janela, martelo batido.

Pelo mercado do Valencia, a impressão é de que Gonçalo Guedes se torna mais prescindível na rotação. O que não diminui sua importância como um jogador que pode decidir partidas graças ao seu talento, em uma temporada na qual a exigência será maior com a frente dupla de competições que inclui a Liga dos Campeões. Será um ano para o português justificar o investimento dos espanhóis e confirmar que a temporada passada não foi um ponto fora da curva. O rapaz tem uma capacidade acima da média nos dribles e na criação, embora ainda possa evoluir em outros fundamentos, sobretudo a finalização. No Mestalla, poderá continuar a ascensão.

A Copa do Mundo, aliás, colocou algumas interrogações sobre Gonçalo Guedes. O grande ano com o Valencia acabou credenciando o jovem a ter mais espaço na seleção portuguesa, ganhando um lugar ao lado de Cristiano Ronaldo na linha ofensiva. Contudo, as atuações ruins e alguns lances bisonhos deixaram uma má impressão. Trabalhar com regularidade em um ambiente no qual ele já está aclimatado será essencial para seguir em frente e até mesmo superar as críticas na Seleção das Quinas.

A curiosidade maior fica sobre como será o desempenho do Valencia. Os resultados neste início de Campeonato Espanhol não são muito bons, mas o elenco está mais forte e Marcelino Toral poderá dar sequência à filosofia que implementou no clube. O primeiro turno da temporada passada foi atípico, é verdade, com um rendimento acima da expectativa. Mas será possível consolidar o clube com um pouco mais de regularidade. Qualidade não falta para isso, ainda mais com o reforço do protagonista do time no último ano.


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