A Copa América começou sofrível. Seus cinco primeiros jogos foram arrastados, sonolentos. O fim da rodada deste domingo, entretanto, valeu mais do que os 450 minutos iniciais somados. México e Uruguai disputaram uma partidaça em Phoenix, no Arizona. Duelo que fez jus ao passado da Copa América e ao sangue quente que se espera no continente. O jogo contou com muitos gols, vontade, emoção, destempero e duas expulsões. Mas, no fim das contas, El Tri saiu em vantagem, derrotando a Celeste por 3 a 1 graças ao seu empenho nos minutos finais.

Posse do México até metade do Século XIX, o Arizona parecia ter voltado no tempo. As arquibancadas do Estádio da Universidade de Phoenix estavam pintadas de verde, com os mexicanos fazendo muito barulho. Inclusive, abafando o hino chileno – executado para os uruguaios, em um erro crasso da organização da Copa América.

El Tri teve motivos para comemorar logo aos três minutos, quando Álvaro Pereira cabeceou contra as próprias redes e abriu o placar para os “anfitriões”. E o primeiro tempo seguiu nas mãos do México. Criando as melhores oportunidades, o time de Juan Carlos Osorio pressionava bastante. Além disso, ficou em vantagem numérica aos 44, depois que Vecino recebeu o segundo amarelo e deixou o Uruguai com um homem a menos. Sem o lesionado Luis Suárez, os sul-americanos eram praticamente nulos no ataque, se limitando a uma oportunidade com Cavani até então.

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Todavia, quando a Celeste parecia derrubada é que se levantou. A equipe de Óscar Tabárez iniciou a etapa complementar com uma blitz, trabalhando muito bem a bola. Durante 15 minutos, só deu Uruguai. Mas o empate tardaria um pouco mais. Aos 28, Andrés Guardado também foi expulso, igualando o número de atletas para cada lado. Instantes depois, saiu o gol uruguaio: Carlos Sánchez cruzou na área para Godín completar de cabeça. O tento contou com uma celebração efusiva em torno do capitão, abraçado pelos companheiros. E também uma chuva de objetos vindos das arquibancadas, como se fosse Libertadores.

O empate acordou o México. El Tri partiu para cima, até arrancar outra vez a vantagem, depois de muito combate da defesa do Uruguai. Aos 40, o veteraníssimo Rafa Márquez fez o segundo, em belo chute no ângulo de Muslera. E a vitória se confirmou nos acréscimos, com Héctor Herrera escorando na pequena área. Ao apito final, a partida ainda contou com uma confusão, quando Cavani e Muslera partiram para cima da arbitragem.

O calor da torcida e a tradicional raça uruguaia beneficiaram o jogo. Independente disso, é este nível de intensidade que se espera na Copa América, diante da taça que está em jogo. Enfim, o público foi brindado com uma ótima partida. E, embora não tenha o elenco mais talentoso, não será surpreendente se El Tri chegar longe na competição. A ajuda que vem do lado de fora é notável, e começa fazendo muito mais diferença do que à própria seleção dos Estados Unidos.