O Liverpool faz a melhor campanha da sua história na Premier League, podendo, embora seja difícil, alcançar o impressionante feito de ser vice-campeão com 97 pontos. O irônico é que o desempenho do time de Jürgen Klopp ao longo desse campeonato não tem sido tão bom quanto a pontuação sugere, com muitas oscilações e algumas vitórias alcançadas na base da raça no final das partidas. Não foi o caso deste domingo. O Chelsea era o desafio mais difícil das rodadas finais, e os Reds cresceram à altura da ocasião. A vitória por 2 a 0 foi construída com uma atuação especial, cujo golaço de Mohamed Salah foi a cereja no bolo.

Era possível imaginar uma dinâmica inversa à que apareceu em campo. Embora jogasse em casa, o Liverpool é um time que se dá melhor quando reage, com campo para os seus atacantes correrem, e o Chelsea de Maurizio Sarri é notório pela posse de bola. Justamente a tentativa de se tornar uma equipe que controla melhor as partidas foi um dos fatores que tirou o ímpeto ofensivo que os Reds demonstraram na caminhada à final da Champions League. E esta partida foi a melhor exibição dessa estratégia em toda a temporada.

Contra um time moldado para ter a bola, foi o Liverpool quem ficou com ela durante quase 62% do tempo. E foi constantemente perigoso. Salah teve uma grande chance logo aos cinco minutos, mas o chute não saiu com perfeição, e Kepa defendeu. Henderson, novamente mais solto, com Fabinho de volante, chegava bem à frente. Mané quase abriu o placar. O Chelsea respondeu com apenas duas investidas, de Hazard e Willian.

A pressão gerou frutos no começo do segundo tempo, com dois gols em um intervalo de três minutos. Henderson chegou à linha de fundo e cruzou bem para Mané, na segunda trave, cabecear às redes. Antes de o Chelsea poder reagir, o Liverpool deu mais um soco. E que soco. Salah dominou pelo lado direito, escapou de Emerson e soltou uma bomba de muito longe, sem defesa para Kepa. Golaço.

Com 2 a 0 no placar, o Liverpool passou pelo pior momento do jogo. Talvez pode desconcentração, talvez porque a dinâmica mudou para um certo domínio do Chelsea e era necessário algum tempo para se adaptar. O fato é que os visitantes poderiam ter diminuído o placar com tranquilidade quando Hazard saiu na cara de Alisson e acertou a trave. Ou quando o goleiro brasileiro teve que defender um chute de primeira do belga.

Mas, eventualmente, o Liverpool conseguiu se reagrupar e voltar a assumir o controle, criando chances que Salah, Alexander-Arnold e Firmino finalizaram com perigo. Apesar do susto, o desempenho do time foi o melhor em muitas semanas. De volta à liderança da Premier League, nessa eterna balança oriunda da diferença de número de jogos entre os dois times, o Liverpool tem dois pontos e uma partida a mais que o Manchester City.

A questão é que o Chelsea era o último grande obstáculo da tabela. Enquanto o Manchester City ainda enfrenta o Tottenham, em casa, e o Manchester United, no Old Trafford, o Liverpool tem pela frente dois times da zona de rebaixamento – Cardiff e Huddersfield -, o Newcastle que, na época do jogo, pode já estar de férias, e, na última rodada, o Wolverhampton, o jogo mais difícil que sobrou. Se vencer os quatro, as chances de quebrar o jejum de 29 anos sem título inglês são bem razoáveis.

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