Gol de falta de Gündogan derruba muralha defensiva do Porto e abre caminho para vitória de virada do City

O plano de Sérgio Conceição, técnico do Porto, para conter o Manchester City na estreia das duas equipes na Champions League, no Etihad Stadium, funcionou bem durante 65 minutos, mas acabou por ruir diante da qualidade do chute de Ilkay Gündogan na cobrança de falta que colocou o City à frente do placar e abriu caminho para a vitória por 3 a 1.

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Com a distância técnica clara entre as duas equipes, Conceição apelou para um plano conservador, com cinco homens na linha de defesa e uma segunda linha com quatro jogadores para conter os ataques do Manchester City. Quando os ingleses tinham a bola em seu campo, a estratégia era pressionar a saída e forçar o adversário ao erro – e os portugueses foram cedo recompensados por isso.

Aos 14 minutos, Rúben Dias tentou um passe e foi interceptado por Uribe. O meia colombiano então rapidamente tocou para seu conterrâneo Luis Díaz, pela esquerda. O ponta começou a carregá-la em diagonal. Passou por Rodri e, dentro da área, por Cancelo. Já pela direita, finalizou cruzado para marcar um bonito gol e abrir o placar para o Porto.

O City respondeu rápido: aos 17 minutos, Ilkay Gündogan tentou o passe para Agüero dentro da área e se lançou ele próprio para receber de volta. A bola bateu no argentino e sobrou para Gündogan, que passou por Marchesín e, sem muito ângulo, girou para encontrar espaço e acertou a trave. Na sobra, Sterling foi preparar o chute e acabou derrubado por Pepe.

O pênalti foi marcado, mas a verificação pelo VAR demorou. Depois de dois minutos, com o lance em Sterling e uma possível falta de Gündogan em Marchesín para cartão vermelho checados, apenas o primeiro foi confirmado. Na cobrança, Agüero converteu para empatar a partida.

Sem espaços para atacar e incapaz de encontrar bons passes entre as linhas, o City apelou para jogadas pelas pontas, tentando o cruzamento, mas não conseguiu gerar grandes oportunidades no restante do primeiro tempo.

Do outro lado, o Porto chegou perto de marcar novamente aos 43 minutos, quando Marega foi lançado no limite da linha de impedimento, recebeu dentro da área e tentou o passe para o lado, onde Sérgio Oliveira aparecia livre. Rúben Dias desviou a bola para mudar sua trajetória, mas ia mandando contra a própria meta, quando Walker apareceu para se atirar ao chão e evitar o gol do Porto.

Gündogan, participativo no ataque, quase virou para o City aos quatro minutos do segundo tempo. A bola veio do alto e caiu em seu pé, e o alemão acertou um bom chute de primeira, forçando Marchesín a grande defesa, espalmando para a esquerda.

O City vinha tendo dificuldades em quebrar a muralha defensiva do Porto, que atuou com linhas próximas e bem povoadas, diversas vezes com os dez jogadores atrás da linha da bola. A resposta foi a bola parada.

Aos 20 minutos da segunda etapa, em falta concedida por Fábio Vieira em frente à área, Gündogan foi para a cobrança e não decepcionou. No lance que mudou a sorte do City no jogo, cobrou a falta com precisão, por cima da barreira e, mesmo sem colocar muito no canto, venceu Marchesín para marcar um bonito gol e fazer o 2 a 1.

Três minutos após deixar seu tento, Gündogan foi substituído por Foden. Simultaneamente, Agüero deixou o gramado para a entrada de Ferrán Torres. A dupla, por fim, viria a ser essencial para o gol que mataria qualquer chance do Porto de voltar à disputa. Aos 28 minutos, Torres tabelou pela esquerda com Foden, entrou em diagonal na área, driblou para dentro tirando Pepe da jogada e bateu de direita para ampliar.

Nos minutos finais, o Porto mudou seu sistema em campo, atuando com dois atacantes a partir da entrada de Mehdi Taremi, que fez dupla com Marega, mas não teve volume suficiente para ter chances de marcar. Pelo contrário, foi o City que chegou perto do quarto gol, com os espaços maiores que naturalmente apareceram.

Aos 37 do segundo tempo, Marchesín fez grande defesa para impedir o 4 a 1 em chute de Mahrez de dentro da área. No minuto seguinte, aproveitando que a defesa do Porto para diante do que achar ser uma falta em Sérgio Oliveira, Rodri pegou a bola de longa distância e acertou a trave de Marchesín.

O futebol do City não foi dos mais vistosos, e o resultado por 3 a 1 não reflete a proporção de domínio dos ingleses contra os portugueses. O Porto, com sua proposta particular diante de um adversário tão forte, foi bem em grande parte do duelo e poderia até ter saído com um empate. A vitória aos Cityzens, no entanto, é justa e uma consequência natural de um embate entre dois times de patamares distintos.