A suspeita de tentativa de suborno passou a envolver uma das maiores lendas do futebol alemão e mundial, Franz Beckenbauer. Segundo relatado por jornais alemães nesta quarta-feira, o Kaiser, ex-jogador do Bayern de Munique, capitão da seleção alemã campeã do mundo de 1974 e técnico da Alemanha no título da Copa de 1990 e que foi presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2006 é suspeito de ter participado de uma tentativa de suborno para compra de votos na eleição que decidiu que a Alemanha seria sede daquele mundial. Um escândalo que põe coloca em dúvida a organização daquele mundial, considerado um sucesso do ponto para a imagem da Alemanha.

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As suspeitas foram divulgadas pela revista Spiegel, em outubro, que afirmam que a candidatura alemã teria pago suborno para comprar quatro votos de membros asiáticos do Comitê Executivo da Fifa, em 2000. Desde então, surgiram as investigações na entidade desde a gestão anterior, de Theo Zwanziger, e do ex-secretário-geral da DFB, Horst R. Schmidt. Foi depois disso que a polícia alemã fez buscas na sede da DFB, a Federação Alemã de Futebol, em busca de provas sobre uma denúncias de evasão fiscal.

Foi contratada uma auditoria independente para analisar a documentação da entidade, a Freshfields Bruckhaus Deringer, empresa contratada. Surgiu um documento de 2000 dirigido ao ex-presidente da Concacaf e vice-presidente da Fifa, Jack Warner. O dirigente foi afastado do cargo por corrupção e é um dos 14 indiciados pelo FBI no processo que prendeu, por exemplo, José Maria Marin. Na segunda, Wolfgang Niersbach, presidente da DFB, renunciou ao cargo depois das denúncias de corrupção, com evasão fiscal e compra de votos. Em nota, Niersbach negou ter cometido qualquer irregularidade. Tanto ele quanto Beckenbauer negaram várias vezes desde o início das investigações que o comitê da candidatura alemã comprou votos.

Nesta terça-feira, um dos presidentes interinos da DFB, Rainer Koch, confirmou que a assinatura de Beckenbauer estava no documento encontrado pela empresa de auditoria. Koch afirmou à ZDF, emissora de TV pública da Alemanha, que seria uma boa hora para Beckenbauer fazer uma declaração. “Nosso pedido é que ele se envolva mais intensamente para esclarecer a questão”, afirmou Koch.

Segundo o jornal Bild, o documento tem a data de quatro dias antes da votação que definiu a Alemanha como sede da Copa do Mundo de 2006. Os alemães venceram a África do Sul por 12 votos a 11. Charles Dempsey, ex-membro do Comitê Executivo pela Nova Zelândia, se absteve de votar, alegando “pressão externa intolerável”. O jornal, porém, não revelou se o acordo foi adiante. O documento encontrado era um rascunho.

Ainda é cedo para determinar se Beckenbauer participou de um esquema de compra de votos. É cedo também para saber se ele estava envolvido em algum desses escândalos que levou o presidente da DFB e grande parceiro de Beckenbauer na entidade, a renunciar ao cargo. Só sabemos que a suspeita faz com que o futebol alemão, tão elogiado em tantos aspectos, também mostre o seu lado dúbio. A corrupção no futebol não tem separação de primeiro e terceiro mundo. Basta lembrar que Chuck Blazer, o principal pivô que acabou no Fifagate, é americano e participou de um esquema que lavou dinheiro no seu país, que é de primeiro mundo. Não quer dizer que nada na Alemanha preste, apenas que lá, como em diversos outros lugares, há gente usando o futebol para cometer crimes.

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