Jiri Skalak cobrou falta da ponta direita, a bola passou por todo mundo e chegou a Van Persie. Desorientado, o atacante do Fenerbahçe achou que estava no campo de ataque. Teve um impressionante lapso de pensamento e cabeceou com a técnica artilheira que lhe rendeu tantas glórias na Inglaterra. Foi um lance ridículo, que levou o placar a 3 a 0 para a República Tcheca, sacramentou a derrota da Holanda (que ainda conseguiu diminuir para 3 a 2) e resumiu em alguns segundos como foi ridícula a campanha do atual terceiro colocado nas Eliminatórias da Eurocopa de 2016.

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A Holanda de Guus Hiddink e Danny Blind terminou a competição com quatro vitórias, um empate e cinco derrotas em dez jogos. Somou apenas 13 pontos e, no final das contas, não ficou nem perto de uma vaga na repescagem, já que a Turquia, terceira colocada, ficou com 18. Só ficou à frente do Cazaquistão e da Letônia. Está fora da Eurocopa com 24 países, que até times como Irlanda do Norte, Albânia e País de Gales vão disputar. E não foi competente nem para ganhar a chance de limpar a sua barra na repescagem.

Era consenso que o maior fracasso da seleção holandesa havia sido no começo do século, quando ela não conseguiu vaga na Copa do Mundo de 2002. Foi vergonhoso, mas a missão era mais difícil. Nas Eliminatórias da Copa do Mundo, classificam-se apenas os primeiros colocados, e os segundos vão para a repescagem. A Holanda de Van Gaal ficou em terceiro lugar no Grupo 2, com 20 pontos, atrás de Portugal e Irlanda, ambos com 24. O time de Hiddink-Blind fez uma campanha pior e tinha um objetivo mais acessível.

O vexame ainda poderia ter sido evitado, nesta terça-feira, caso a Holanda vencesse a República Tcheca, em casa, e a Turquia perdesse para a Islândia, também em seus domínios. Em nenhum momento esteve próximo de ser concretizado. Sneijder teve uma chance clara de abrir o placar no começo do jogo, mas isolou a bola. Aos 24, Kaderabek abriu o placar, e dez minutos depois, Sural ampliou. O gol contra de Van Persie, no seu 101º jogo pelo time nacional, foi apenas a pá de cal. Os gols dele e de Huntelaar para esboçar uma reação foram irrelevantes.

A lesão de Arjen Robben atrapalhou a campanha, assim como a queda de rendimento de Van Persie, e Sneijder tornou-se um guerreiro solitário em meio a jovens ainda crus, um trabalho ruim de Hiddink, uma troca de comando e uma renovação formada com o bonde andando. Mas a Holanda foi três vezes vice-campeã do mundo, disputou todas as edições da Eurocopa desde 1988, quando conquistou seu único título, tem uma forte tradição no futebol e jogadores de alto nível. É difícil encontrar qualquer desculpa plausível.