Godín: “Simeone é um treinador completo, a conexão entre os jogadores e a torcida”

Dos nove anos que Diego Godín passou no Atlético de Madrid, oito deles foram sob o comando de Diego Simeone, e o técnico tem importância enorme para seu crescimento até virar um dos maiores zagueiros do mundo. A admiração do uruguaio pelo argentino, portanto, perdura, e as recordações são as melhores possíveis.

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Em entrevista às redes sociais da Federação Uruguaia, Godín definiu Cholo como um “técnico completo”, elencando os fatores que o tornam tão diferenciado da média.

“Ele é próximo do jogador, trabalha muitíssimo o lado tático, é muito inteligente para preparar as partidas. Ele tem coisas que lhe são inerentes, como a capacidade de ler um jogo e antecipar o que irá acontecer. Ele transmite, é passional, é a conexão entre os jogadores e a torcida. É como um diretor de uma orquestra, porque dirige os jogadores no campo, mas quando vê que os torcedores estão calados ou que a equipe precisa de apoio, pede isso a eles”, exaltou Godín.

Depois de tantos anos em um mesmo clube, com um mesmo treinador, sua ida para a Internazionale representou uma grande mudança, e o elogio que ele tem ao trabalho de Antonio Conte no comando do time de Milão se torna ainda mais significativo diante de sua admiração por Simeone.

“Encontrei (na Itália) um futebol físico e tático. Assistimos a vídeos de tática ofensiva e defensiva e trabalhos em campo muito mais do que na Espanha, e olha que trabalhávamos muito a tática com o Cholo. Porém, aqui, vemos durante várias horas, todos os dias”, detalhou.

Mesmo um veterano, o zagueiro de 34 anos passou a se movimentar muito mais dentro de campo na Serie A, como consequência do jogo pedido por Conte. “Do lado do futebol, foi uma mudança grande, porque a linha de três da Inter é diferente daquelas em que joguei antes, é mais agressiva. Tenho que ter mais saída com a bola e estou tendo números de um lateral, porque normalmente corria 9 km, 9,5km, e agora estou fazendo 11,5 km (por jogo), porque a pressão também é alta. É um desgaste maior”, explicou.

Em seus anos de Atlético de Madrid, Godín acumulou duelos com grandes atacantes, mas destaca um trio em especial quando perguntado sobre quais foram os jogadores mais difíceis de se marcar.

“Teve muitos, ainda que a diferença que tinha na Espanha era que, com tantos anos jogando por lá, já sabia as características de todos e me preparava para marcá-los. O Messi era difícil (de marcar), assim como Neymar e o Luis (Suárez). Com ele, saltavam faíscas cada vez que nos enfrentávamos.”

Já na Itália, o eleito pode soar incomum, mas Godín explica por quê: “O que mais me complicou foi o Gervinho. O Conte nos havia alertado que o Parma jogava no contra-ataque, que essa era sua principal arma, mas tivemos dificuldades mesmo assim”.

Em fevereiro deste ano, a Inter protagonizou uma grande virada por 4 a 2 sobre o grande rival Milan, em um dérbi de dois tempos distintos, e um adversário em particular impressionou o uruguaio.

“Outro que me surpreendeu sobretudo por sua condição física foi o Ibrahimovic, que está muito forte fisicamente. Temos uma defesa que gosta muito de ir ao choque, e ele aguentou muito bem.”

Projetando o futuro, Godín admitiu que deverá permanecer ligado ao futebol e, com uma trajetória de trabalho ao lado de técnicos de prestígio como Simeone, Conte e Óscar Tabárez, da seleção uruguaia, não espanta que uma carreira como treinador seja uma das possibilidades.

“Está claro que seguirei em torno do futebol, e é por isso que penso em fazer o curso de técnico, embora não queira fazê-lo agora. Mas pelo menos (farei) para tê-lo e depois ver o que acontece.”