Diego Godín chegou à Internazionale como um grande reforço, em negócio de excelentes condições. O uruguaio figura facilmente em qualquer lista dos melhores zagueiros da década. Aos 33 anos na época, vinha indicando a queda de nível no Atlético de Madrid, mas chegava sem custos para tentar recuperar seu prestígio em Milão. A passagem do veterano pelo San Siro não seria tão feliz, realmente ratificando seu declínio, muito embora sua dedicação em campo ficasse clara. E nesta temporada, fora dos planos de Antonio Conte, o beque vira uma grande liderança no Cagliari. De graça, Godín assinou por três temporadas com os rossoblù.

O Cagliari é um clube que possui fortes ligações com o futebol uruguaio. A relação começou ainda na década de 1980, com o atacante Waldemar Victorino, que teve uma passagem rápida pela Sardenha. Os laços se fortaleceram mesmo após a Copa de 1990, graças ao trânsito do empresário Paco Casal, que emplacou três jogadores da Celeste nos rossoblù. Enzo Francescoli e Daniel Fonseca eram os mais talentosos, embora o lateral José Herrera tenha se tornado o mais longevo no clube, com cinco temporadas na equipe. E através dele que surge a transferência de Godín. Herrera teve uma filha na cidade que, anos depois, se casaria com o zagueiro. Voltar ao local foi uma decisão central à família.

Ao todo, 23 jogadores uruguaios já atuaram pelo Cagliari. O trio original ficou marcado não apenas pelo renome, mas também por ter ajudado os rossoblù a terminarem na sexta colocação na Serie A, pintando na Copa da Uefa. Depois deles, já sem a ponte com Casal, outros charruas atuaram na Sardenha. O clube teve nomes mais badalados como Darío Silva e Fabián O’Neill, embora a grande história tenha sido escrita por Diego López. O defensor chegou a ser capitão e, em 12 temporadas, superou as 300 aparições pelo Campeonato Italiano. Seria também treinador na base e assumiria a equipe principal.

Na última temporada, a colônia se reavivou através de Nahitan Nández, que causou bom impacto no Cagliari. Em janeiro chegaria ainda Gastón Pereiro, outro jovem talento, mas que não teve tantos minutos em campo por conta das lesões. Ainda há o volante Christian Oliva, sem a mesma projeção. Godín virá para liderar esses compatriotas, os dois primeiros seus companheiros na seleção, e também o restante do grupo. Neste momento, os rossoblù parecem mais condizentes à fase do veterano. E ele pode deixar sua marca no projeto desenvolvido na Sardenha, com investimento em reforços.

Durante a última temporada, o Cagliari se mexeu bastante no mercado e começou a Serie A indicando que poderia lutar pelas copas europeias, mas sofreu uma queda vertiginosa durante o segundo turno. O objetivo da equipe neste momento é aproveitar melhor o talento à disposição, com algumas contratações pontuais de jovens – apesar das saídas de nomes importantes, como Radja Nainggolan e Luca Pellegrini. Eusebio Di Francesco é uma aposta interessante para o comando técnico desde agosto e pode representar esta guinada, embora a aplicação de seu estilo ofensivo não seja automática. Mas a chegada de um nome como Godín, com toda a sua história e sua imponência, pode auxiliar no ambiente dos rossoblù.

Godín parece mesmo comprometido a viver os próximos anos na Sardenha e a estabilizar sua carreira com o Cagliari. Não chega ao clube apenas por questões financeiras. E a entrega do capitão nunca foi problema ao longo de sua trajetória. Pelo contrário, mesmo com deslizes na Inter e partidas no banco, o uruguaio conquistou o respeito. Na Sardenha, desembarca com totais condições de se tornar ídolo em pouco tempo. E pela própria ligação imediata, é de se imaginar que o zagueiro honrará a camisa para criar um grande legado com os rossoblù. Parece um negócio favorável a ambas as partes.