Serge Gnabry se firma entre os melhores jogadores do futebol alemão neste início de temporada. O ponta já tinha feito um bom ano de estreia com o Bayern de Munique, mas se tornou ainda mais reluzente neste começo de campanha. Além do mais, também gasta a bola na seleção. Com 10 gols em 11 partidas pela Mannschaft, superou Miroslav Klose como o jogador que mais rapidamente atingiu a marca. E, diante de todo o protagonismo neste momento de sua carreira, o jovem de 24 anos apresenta a sua personalidade. Demonstra uma maneira particular de encarar sua vida como atleta profissional.

Em texto publicado pela versão alemã da revista GQ, dentro de um projeto que discute a construção de um novo papel masculino, Gnabry falou sobre a maneira como as fraquezas são tratadas no futebol: “Nos esportes, nós homens frequentemente somos tratados como fracos quando falamos sobre pressão, quando revelamos nossos sentimentos, quando expomos o que realmente pensamos e sentimos. Mas qualquer pessoa tem suas fraquezas e seus medos. Isso tantas vezes é esquecido porque, como se fôssemos máquinas, nós sempre temos que acelerar, temos que atuar ao máximo”.

“Se falássemos sobre sentimentos mais vezes, as coisas poderiam mudar. Ficaria mais claro que somos apenas humanos, cometendo erros, e que isso não vai correr bem sempre. O clima no time ou na sua cabeça poderia mudar, você conheceria todos novamente. Talvez essa seja uma maneira de escapar da pressão, de atuar diferente, de reagir diferente e de ter uma autoconfiança diferente”, complementou.

Gnabry ressaltou a maneira como seu pai foi importante na construção de sua personalidade como jogador de futebol e também em sua concepção sobre a família: “Meu pai me salvou de muitas más influências, sou realmente grato a ele. Ele me levava aos treinos desde pequeno e ia a todos os torneios. Quando me transferi para o Arsenal, ele foi comigo e morou comigo na Inglaterra. Ele até deixou o trabalho de lado para me fazer feliz. Não venho de uma família clássica, éramos mais propensos que minha mãe trabalhasse mais”.

“Meu pai também me criou com certa severidade, sempre disse sua opinião aberta e honestamente, mesmo que machucasse. Se meu time perdia um jogo importante, eu também chorava diante dele. Uma vez, quando era meu técnico, ele gritou comigo pelos erros dos meus companheiros. Mas isso me tornou mais duro. É o que te dá caráter para a vida. Você pode lidar melhor com as críticas. Meu pai acompanhou toda a minha carreira e sempre esteve por perto. Através do futebol, criamos um vínculo muito forte. Ele é um modelo para mim”, apontou.

Além disso, Gnabry revelou como Per Mertesacker também exerceu um papel decisivo em seus primeiros passos. O veterano foi quem tomou conta do garoto no elenco do Arsenal e o ajudou a lidar com os novos desafios de sua jornada, após seguir a Londres com 16 anos. Por mais que o ponta não tenha vingado nos Gunners, carregou os ensinamentos deixados pelo zagueiro.

“Mertesacker foi um grande espelho para mim. Ele me colocou sob suas asas, me ensinou muito, especialmente sobre assumir responsabilidades”, rememorou. “Eu tive um momento muito duro no Arsenal, quando fiquei lesionado por um longo período. Permaneci um ano fora e, quando voltei, fui emprestado ao West Brom, onde só joguei uma vez. Obviamente, você se pergunta o que está acontecendo, o que precisa mudar, se pode fazer novamente. Meu pai disse que acreditava que eu conseguiria de qualquer maneira. E Per me ajudou também, ele realmente cuidou de mim”.

As vivências com o pai e com o colega orientam os objetivos de Gnabry. Segundo o atacante, ele deseja seguir os exemplos para estabelecer sua trajetória e também sua vida pessoal.

“Gostaria de passar minha experiência aos jogadores mais jovens, especialmente as crianças. Quero dar dicas aos mais novos, contar a eles sobre minhas histórias para que possam aprender algo a partir disso”, garantiu. “Se eu tiver filhos, quero educá-los para que respeitem os outros. Se eu tiver que decidir entre ser bem sucedido como jogador ou como homem de família, definitivamente eu diria o último. Uma família representa muito mais à vida do que uma carreira, te influencia mais e te faz orgulhoso pelo resto da vida”.

Por fim, Gnabry destacou como o caráter humano está à frente de seu papel masculino na sociedade: “Para mim, é mais importante ser uma boa pessoa do que ser um bom homem. Sou alguém que olha muito ao seu redor, que deseja o bem às outras pessoas, que procura ser honesto, que tenta ser inovador. Os papéis dos gêneros providenciam orientação, mas também restringem você. A masculinidade no sentido clássico não é algo importante para mim: é sempre sobre ser o mais forte. Mas o tópico sobre a nova masculinidade me interessa muito. Para mim, significa liberdade, abertura e respeito pelos modos de vida individuais”. Uma maturidade de encarar o mundo ao seu redor que parece ajudá-lo também nos próximos passos da trajetória como jogador profissional.