Sebastian Giovinco, se não virou o craque que se aguardava, escreve uma história bastante particular no futebol. Sem deslanchar com a Juventus, a Formiga Atômica acumulou também passagens pelo Empoli e pelo Parma. Nada comparado, porém, ao sucesso estrondoso que fez pelo Toronto FC. O atacante sobrou na Major League Soccer e, campeão nacional em 2017, acumulou números fantásticos pela franquia canadense. Aos 32 anos, todavia, o italiano resolveu abraçar outro mercado alternativo. Nesta quinta-feira, o Toronto confirmou a venda de seu craque ao Al-Hilal, em transferência cujos valores não foram divulgados.

Sem dúvidas, Giovinco mudou a história de Toronto na MLS. A diretoria investiu bastante em contratações midiáticas, mas ainda assim o italiano serviu de ignição ao sucesso da equipe. Os muitos gols garantiram a Chuteira de Ouro logo em sua temporada inaugural, em 2015, assim como foi o líder de assistências e acabou eleito o melhor do campeonato. No ano seguinte, mesmo sem repetir as marcas, recebeu outras premiações individuais e faturou a Conferência Leste, apesar da derrota nas finais diante do Seattle Sounders. Por fim, o almejado título da MLS Cup se concretizou em 2017. Vestindo a camisa 10, a Formiga Atômica celebrou a revanche contra os Sounders. E se a MLS não foi tão pródiga em 2018, houve tempo para o vice da Concachampions, na qual recebeu a Bola de Ouro, bem como ao tricampeonato na pouco expressiva liga canadense.

Por tudo o que construiu neste intervalo de quatro anos, Giovinco pode ser considerado um dos melhores jogadores da história da MLS. O alto nível que ofereceu ao campeonato é raríssimo, especialmente por tudo aquilo que jogou em 2015, talvez a melhor temporada individual de um jogador da liga. O Toronto FC se tornou uma equipe importante muito graças aos serviços prestados pelo italiano. Além disso, de certa maneira, ele abriu portas para que jogadores estrangeiros no auge pudessem escolher a mudança aos Estados Unidos (ou ao Canadá). Provou que não era apenas uma competição a craques quase aposentados, mesmo que ele não aparecesse na primeira prateleira de referências na Itália.

A gratidão do Toronto ficou expressa nas declarações de Bill Manning, presidente da franquia, no anúncio do adeus: “Foi uma transação extremamente emocional ao clube. Gostaríamos de agradecer a Seba por tudo o que ele fez ao TFC durante seu período com o clube. Ele deu aos nossos torcedores muitos momentos alegres, especialmente durante o título em 2017. Ele deixa Toronto como o maior jogador na história do clube. Desejamos a Seba e sua família o melhor no início deste novo capítulo”. O italiano anotou 83 gols em 142 partidas no Canadá, recorde da equipe fundada em 2005.

Apesar do dinheiro despejado pelo futebol saudita nos últimos anos, Giovinco garantiu que sua mudança não se deu por questões financeiras, e sim por certo desprestígio dentro do projeto do Toronto FC. Esportivamente, de qualquer forma, as perspectivas também são interessantes. O maior clube saudita também contratou Jonathan Soriano e Milos Degenek na atual janela de transferências. Possui um esquadrão internacional que ainda conta Bafetimbi Gomis, André Carrillo, Omar Abdulrahman, Alberto Botía, Ali Al Habsi e o brasileiro Carlos Eduardo, ex-Nice – bem como vários jogadores da seleção local, com menção especial ao meia Salem Al-Dawsari. Líder do Campeonato Saudita, os alviazuis também estarão presentes na Liga dos Campeões da Ásia, na qual encararão um cascudo grupo contra Al-Ain, Al-Duhail e Esteghlal. Praticamente um “grupo da morte”, pela representatividade das equipes e mesmo pelas tensões políticas no Oriente Médio.

Mais do que a conquista da liga nacional, o acréscimo de Giovinco mostra as ambições do Al-Hilal principalmente na Champions Asiática. O clube, que demitiu o técnico Jorge Jesus e buscou Zoran Mamic no Al-Ain, possui dois títulos continentais. Contudo, o jejum se estende desde 2000, com direito a dois vices nos últimos cinco anos. O investimento pesado tenta recuperar a principal glória. Por tudo o que já fez em Toronto, a Formiga Atômica realmente se sugere uma aposta interessante para transformar esta história.