A seleção de Gibraltar experimentou a maior alegria de sua curta história neste final de semana. A vitória por 1 a 0 sobre a Armênia, fora de casa, representou o primeiro triunfo da equipe nacional em uma competição oficial – depois de um cartel nada respeitável de 22 derrotas em 22 partidas, além de 107 gols sofridos e apenas cinco marcados. Pois os gibraltarinos pegaram gosto pela coisa e conquistaram outro resultado excepcional (para os seus parâmetros) nesta terça-feira. Os nanicos emendaram a segunda vitória seguida, ao baterem Liechtenstein por 2 a 1. Desta vez, a comemoração inédita aconteceu diante da torcida no Estádio Victoria e, mais saboroso ainda, de virada.

O Estádio Victoria teve os seus dois mil lugares tomados pela empolgada torcida de Gibraltar, que esgotou os ingressos e aproveitou a oportunidade ao menos para festejar os jogadores pelo feito de sábado. O duelo contra Liechtenstein, entretanto, não começou tão promissor assim. Aos 15 minutos, Dennis Salanovic abriu o placar ao principado. Superou o goleiro Kyle Goldwin, um dos grandes responsáveis pelo triunfo sobre a Armênia. Mas desta vez, os gibraltarinos criaram mais chances de gol, mesmo com menos posse de bola.

A vitória se concretizou a partir do segundo tempo, entre os 16 e os 20 minutos. O empate de Gibraltar aconteceu a partir de uma cabeçada firme de George Cabreira. Já o herói da noite foi o veterano Joseph Chipolina, que também havia determinado o triunfo sobre a Armênia. O camisa 3 subiu livre dentro da área, após cobrança de escanteio, e estufou as redes com uma cabeçada à queima-roupa. O ala de 30 anos concilia seus dias entre os treinamentos com o Lincoln Red Imps e o trabalho como auxiliar administrativo.

A comemoração do gol já causou uma explosão de alegria no Estádio Victoria, com o goleiro Goldwin saindo em disparada ao outro lado do campo. Ainda assim, nada comparável às cenas que se seguiram depois do apito final. Alguns jogadores gibraltarinos chegaram a chorar no gramado, enquanto se abraçavam. Já nas arquibancadas, aplausos e cânticos aos heróis durante a volta olímpica. A um território com representatividade política praticamente nula, a não ser entre as disputas travadas por britânicos e espanhóis, o futebol serve como a principal vitrine a Gibraltar. Nada melhor, então, que os resultados exibam o orgulho local na península do Mediterrâneo.

Gibraltar ocupa a segunda colocação no Grupo 4, na quarta divisão da Liga das Nações. Soma seis pontos após quatro rodadas e segue com chances de conquistar o acesso, bem como de disputar a repescagem para a Eurocopa. A liderança é da Macedônia, com nove pontos. Já a Armênia também tem seis, mas em desvantagem no confronto direto com os gibraltarinos. A lanterna é de Liechtenstein, com três pontos.

Em um torneio que tem servido para equilibrar o calendário das seleções na Europa, a pequenez oferece momentos de brilho aos nanicos do continente. Na próxima Data Fifa, Gibraltar conclui sua participação no torneio da Uefa recebendo a Armênia e visitando a Macedônia. É possível sonhar, ainda mais com esta sequência de bons momentos.


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