Nesta semana, o Rio Claro Futebol Clube decidiu entrar em uma discussão recorrente no futebol brasileiro, mas que raramente conta com a participação dos clubes. A equipe da segunda divisão do Campeonato Paulista postou um texto em suas redes sociais debatendo a homofobia nas arquibancadas e se posicionando contra manifestações de preconceito em seus jogos. Embora o manifesto se voltasse principalmente aos gritos de “bicha” nas cobranças de tiro de meta, o clube se declarou contra qualquer tipo de preconceito praticado nas arquibancadas – seja ele social, racial, sexual, étnico, religioso ou qualquer outro.

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O gesto do Rio Claro é básico. E, independentemente da relevância do time, importante. Afinal, ainda que o princípio e o fim de qualquer clube de futebol seja (obviamente) o futebol, é preciso ter compreensão do fenômeno muito maior que envolve o esporte. Sobretudo, ter consciência também sobre o que acontece no estádio e o impacto disso sobre a sociedade.

A mensagem dos paulistas transcende a sua torcida. Possibilita a reflexão sobre o tema, superando as conversas de arquibancada e os círculos de internet, com uma opinião que não necessariamente será corroborada por todos. E é importante pensar que, enquanto há pessoas que se sentem ofendidas com o gesto, cerceia-se a liberdade, quando o futebol tem em seu princípio promover a convivência. Em um ambiente historicamente homofóbico, a mudança se inicia com discussões e com o combate à intolerância. Justamente o que o Rio Claro visou fazer.