Steven Gerrard encerrou a carreira como jogador com muitas glórias e idolatria enorme do Liverpool, o clube da sua vida. Ele terminou jogando pelo Los Angeles Galacy, nos Estados Unidos, em uma passagem que passou longe de ser um sucesso. Mas a carreira tem grandes pontos positivos e entre eles está ter jogado três Copas do Mundo pela Inglaterra, sendo duas delas como capitão. Desta vez, porém, ele estará de fora. Aposentado, verá do lado de fora. Em entrevista ao Joe.co.uk, o ex-jogador falou sobre a sua carreira de treinador, a Copa do Mundo, seleção inglesa e sobre o embate entre Liverpool e Manchester City pela Champions League, que acontece no começo de abril.

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“Eu tenho uma perspectiva completamente diferente do jogo”, afirmou Gerrard. “Quando eu assisto agora, não se trata apenas acontecendo na superfície. Eu foco na forma, identificando que estratégias estão no lugar por todo o campo e como cada time está tentando garantir que o seu plano dite a partida. Eu quero entender as razões para tudo que está acontecendo, substituições, posicionamento, apertar botões, e eu posso apreciar agora o nível de pensamento que vai em tudo isso”.

“Eu estou aproveitando muito. Há muitas novas experiências, lições e testes. Eu estou pensando em coisas continuamente, eu estou cometendo erros, eu estou fazendo as coisas bem, estou trabalhando nas coisas que eu posso fazer melhor. Está sendo algo de abrir os olhos e muito recompensador. Eu ume sinto muito abençoado por ter o ambiente de apoio e encorajamento que eu tenho na Academia e eu continuo crescendo na função e usando qualquer oportunidade que eu tenho para progredir o meu conhecimento”, contou Gerrard.

Seleção inglesa

Com 114 jogos pela seleção inglesa, Gerrard comentou sobre a batalha para estar entre os três goleiros que Gareth Southgate irá levar à Rússia. “Há uma grande batalha entre as quatro opções: Joe Hart, Jordan Pickford, Jack Butland  e Nick Pope, para chegar aos três nomes finais”.

“É encorajador que Gareth tenha dado a oportunidades aos jogadores jovens. Ele deixou claro que ele queria selecionar jogadores em boa fase e Nick Pope certamente se encaixa nisso. Eu sei que há muitas pessoas na imprensa e em qualquer outro lugar tirando Joe Hart, mas eu não faria isso, ele ainda é talentoso e um goleiro muito especial”, analisou Gerrard.

“Eu não acho que o camisa 1 está definido ainda, então é uma batalha empolgante para os caras para tentarem dar o seu melhor e ir em frente. Para ser honesto, eu acho que Gareth tem algumas decisões duras para fazer. Nós estamos falando do maior palco que um técnico ou um jogador pode estar e não pode haver mais pressão ou responsabilidade”.

“A situação do goleiro é uma das decisões mais difíceis, mas então ele também tem que decidir a dupla de zagueiros. Ele vai com dois ou três na defesa? Eu tenho certeza que a formação será flexível e poderá mudar dependendo de quem for o adversário”, analisou.

“Há também muito futebol a ser jogado domesticamente e é importante avançar até o fim da temporada com um elenco em forma. Isso é onde Gareth ganha seu dinheiro, se você preferir, tomar essas grandes decisões. É claro, ser um técnico jovem, eu gostaria de um dia estar em uma posição que tenha que tomar essas grandes decisões, mas eu não o invejo por ter que pensar nisso agora”, brincou Gerrard.

O ex-capitão do Liverpool jogou as Copas do Mundo de 2006, 2010 e 2014 e viverá pela primeira vez um clima de Copa do Mundo como torcedor. “Eu costumava gostar de estar envolvido no burburinho, o preparo, a preparação e o esforço para tudo isso, mas, ao mesmo tempo, é bom estar fora da pressão e poder aproveitar a Copa do Mundo como torcedor”, afirmou o atual treinador do sub-18 do Liverpool.

“Eu estou impaciente com o jogo de abertura, que sempre dá um sabor do nível e o que você pode esperar do torneio. Eu estou realmente ansioso para ver como a Inglaterra vai chegar, especialmente depois de uma campanha decepcionante na última vez. Eu estou esperando que eles tenham um começo forte, eu estou muito confiante que eles irão passar por esse grupo e espero que eles possam ir o mais longe possível”, declarou.

“Como torcedor agora, eu vou saborear poder tomar uma cerveja e aproveitar toda a ação. Assim como eu amava ser um jogador, a Copa do Mundo é uma pressão sem fim, responsabilidade e foi duro em muitos aspectos, então será bom viver a experiência de maneira diferente”.

Liverpool x Manchester City na Champions League

“Esses jogos não podem chegar cedo o bastante para analisar na BT Sport [onde o ex-jogador é comentarista em jogos da Champions League]. É o tipo de jogo imperdível que você genuinamente fica entusiasmado e pode aprender muito”, afirmou Gerrard.

“São jogadores do mais alto nível que estão ansiosos para enfrentar um ao outro em um estilo muito dominante e ofensivo com dois técnicos que têm filosofias muito claras. É um encontro emocionante para os dois times e os dois irão acreditar que vão passar para as semifinais. Nós vimos alguns jogos incríveis de futebol entre eles recentemente e de um ponto de vista neutro, eu acho que é um embate 50% a 50%: o City tem mostrado sua inacreditável qualidade nesta temporada e o Liverpool provou que podem vencer qualquer time no jogo, incluindo o City”.

“Agora de um ponto de vista tendencioso, eu estou muito confiante que Jürgen Klop e o time pode entregar nas duas partidas porque eles motraram que podem fazer isso. O técnico tem um grande retrospecto na Europa, conhece Guardiola bem e o adversário até do avesso”, analisou.

Admiração por Rafa Benítez

“Eu poderia escrever um livro sobre Rafa e a compreensão que ele me deu”, afirma o ex-jogador. “Rafa me tornou um jogador de alto nível. Quando ele me conheceu, eu era um bom jogador, mas ele realmente me ajudou a avançar. Eu atingi muitas das coisas que eu consegui na minha carreira por causa dos seus conselhos sobre o meu jogo e seu apoio tático”, contou.

“Eu acho que seria muito inocente e estúpido para mim não ouvir as mensagens chave como técnico, já que ele é alguém que eu olho como um jovem técnico”, continuou Gerrard. “Eu tentei tirar um pouco de cada técnico que eu joguei e mais certamente de Rafa. Ele foi o melhor tático que eu trabalho ao longo da minha carreira”.

Futuro

“Eu cresci em muitos aspectos”, disse. “Estar no campo todos os dias aumentou a minha confiança em fazer treinos. Eu aproveitei o quanto eu pude no ano passado de tantas pessoas quanto eu pude. Estando por perto, com treinadores de qualidade em Kirkby certamente me ajudou e me encorajou”.

“Eu me sinto um homem em movimento. Eu não quero ficar parado muito tempo. Eu quero progredir, eu quero melhorar, eu quero continuar me testando”, disse. “Não há um tempo para isso, mas eu certamente quero treinar no mais alto nível. Se isso irá acontecer em um, dois, três ou quatro anos, é difícil prever, mas está definitivamente no meu pensamento. Eu estou realmente com muita fome e eu vou garantir que eu continue seguindo em frente na direção certa”.