Já imaginou Steven Gerrard jogando no Paris Saint-Germain ao lado de Zlatan Ibrahimovic? Poderia ter acontecido. Em um trecho da sua autobiografia, o ex-capitão do Liverpool contou sobre os detalhes da fracassada negociação da sua renovação e propostas que recebeu para continuar no futebol europeu, mas que recusou. Segundo o meio-campista, que foi jogar no Los Angeles Galaxy, dos Estados Unidos, PSG, Monaco e Tottenham fizeram proposta para que ele continuasse atuando nas principais ligas do mundo. Ele recusou.

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O fracasso na renovação com o Liverpool

“Eu tinha altas expectativas para a proposta do Liverpool para meu último contrato, mas eu só queria acertar isso para poder voltar a pensar apenas no futebol. Brendan Rodgers queria que eu ficasse, mas a proposta do clube sugeria ‘parece que chegou a hora. Aproveite seus últimos seis meses conosco e então comece novo em outro lugar’. A reunião para discutir a renovação durou 15 minutos – um tempo muito curto para decidir a conclusão da minha carreira no Liverpool depois de 27 anos”, disse Gerrard. “Foi bem o caso de ‘esta é a proposta’.

Pareceu que eu os queria mais do que eles me queriam”, contou o capitão. “A proposta era uma renovação de um ano com uma redução de 40% no salário. Os bônus eram muito bom, mas eles contradisseram tudo que Brendan me disse. Meu tempo de jogo se tornaria menor e menor, mas eles me ofereciam incentivos relacionados a desempenho?”.

“Eu não tinha problemas com o salário oferecido. Uma diminuição substancial era de se esperar. Aos 34 anos, eu não era o jogador que levantou o troféu da Champions League 10 anos antes. Eu também entendi que eu iria jogar menos, mas eu ainda me avaliava como um jogador de alto nível e uma parte importante do time”, explicou.

“Eu ainda era capitão e eu fiquei decepcionado de receber uma proposta de contrato com cláusulas de desempenho. Eu pensei que eles saberiam que, além do meu orgulho pelo meu próprio desempenho e meu amor duradouro pelo Liverpool, eu não precisava de nenhum incentivo para fazer das tripas coração”, continuou o lendário camisa 8.

“Em um cenário perfeito, o Liverpool teria me oferecido um contrato de um ano que incluiria a chance de fazer a transição para a comissão técnica. Um ano com Brendan e sua comissão teria sido uma experiência inestimável – o que jogadores como Ryan Giggs, Phil Neville e Garry Monk aproveitaram em outros clubes”, descreveu ainda o capitão da seleção inglesa na Copa de 2014.

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Propostas do Tottenham, Monaco e PSG

“Antes de eu ir a público com a notícia, outros clubes estavam ouvindo que eu poderia deixar o Liverpool. A primeira proposta veio do Besiktas, então dirigido por Slaven Bilic. O MOnaco veio a seguir. Eles vieram com força. O Paris Saint-Germain também estava interessado. David Moyes ligou para o meu empresário algumas vezes para ver se eu estaria interessado em jogar com ele na Real Sociedad”, contou Gerrard.

“Alguns clubes ingleses me ligaram, mas eu não jogaria contra o Liverpool. Houve interesse do técnico do Tottenham, Maurício Pochettino. Foi bom saber que ele ainda me valorizava. Eu tinha certeza que eu poderia jogar na Premier League por mais um ano, mas não seria a mesma coisa fazendo tudo de novo com o Tottenham”, escreveu Gerrard. “Eu estava levemente interessado no PSG e no Monaco, mas como eu poderia voltar a Anfield se houvesse um jogo de competição europeia?”, confessou.

O ex-capitão do Liverpool ainda contou que recebeu uma proposta milionária para jogar em um clube do Catar. Segundo ele, o contrato era de € 13,5 milhões por dois anos de contrato – “um salário maior do que eu jamais tive”, de acordo com o próprio Gerrard. “Mas o Catar não era o lugar certo para mim e para minha família”.

Sem chance de ser um jogador para compor elenco

“Profissionalmente, eu não poderia aceitar me tornar um jogador para compor elenco. Eu lembrei de ver Frank Lampard – um grande jogador, e um contemporâneo – sentando no banco pelo Manchester City semana após semanas depois que ele deixou o Chelsea. Eu não acho que eu poderia seguir a mesma rota. Eu sempre quero estar jogando”, confessou Gerrard.

“Isso estava na minha mente quando nós fomos para Madri para um jogo da Champions League contra o Real, no dia 4 de novembro. Me fez ficar nostálgico sobre março de 2009, quando nós os vencemos por 4 a 0 em casa, 5 a 0 no agregado”, disse o capitão.

“A demolição em casa foi uma das noites mais doces de futebol europeu e fez Zinedine Zidane fazer comentários generosos sobre mim: ‘Ele é o melhor do mundo. Esqueçam Messi, esqueçam Ronaldo. É Gerrard’. Eles vieram a Anfield pensando que iriam nos vencer. Um dos jornais de Madri publicou na primeira página uma foto do campo do Liverpool. Acima, a manchete era ‘Então esse é o famoso Anfield?’ e embaixo dizia: ‘E daí?’. E nós os eliminamos. Cinco anos e quatro meses depois foi a minha vez de ser surpreendido quando eu fui deixado de lado”, contou.

“Nós iríamos jogar com o Chelsea em Anfield no fim de semana seguinte e Brendan decidiu que Mario Balotelli, Raheem Sterling, Philippe Coutinho, Jordan Henderson e eu começaríamos no banco contra o Real. Ele supostamente nos queria descansados para o jogo com o Chelsea”.

“Se a administração dos meus jogos pelo Brendan significava que eu ficaria de fora de um jogo contra o Real, em Madri, parecia como se eu tivesse visto o fim. Como eu poderia continuar jogando pelo Liverpool outro ano se esse tipo de noite vazia me esperava? Eu entrei no segundo tempo, enquanto perdíamos por 1 a 0, eu senti que Brendan já tinha se entregue antes do apito inicial. Minha carreira nunca seria a mesma novamente”.

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A escolha dos Estados Unidos

“Minha carreira sempre foi sobre futebol: nem vastas quantidades de dinheiro, nem a imagem de celebridade realmente me interessam. Então eu não tive problema quando ficou claro para mim que se eu decidisse jogar a Major League Soccer com o LA Galaxy, seria por menos dinheiro do que se eu ficasse em Liverpool”, revelou o jogador.

Se o Catar não era tão atraente para Gerrard, os Estados Unidos eram o inverno. “A América era muito mais atraente. A MLS me permitia tanto continuar a jogar em um nível decente por mais alguns anos, como também passar mais tempo com a minha esposa, Alex, e minhas filhas, fora da vida em uma panela de pressão em Liverpool”, explicou o jogador.